<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562</id><updated>2012-02-16T04:44:38.353-03:00</updated><title type='text'>COTIDIANO EM MOVIMENTO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>90</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8478446165684444406</id><published>2010-04-06T20:32:00.004-03:00</published><updated>2010-04-06T20:36:00.698-03:00</updated><title type='text'>CALVÁRIO DA FAMÍLIA GÓI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;São Paulo. Páscoa de 2010&lt;br /&gt;Direto da Cracolândia!!!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma família nordestina resolveu inovar nessa Páscoa.&lt;br /&gt;Desejando fazer uma via crucis adaptada ao século XXI, a Família de Góis está vivendo um verdadeiro calvário dos tempos modernos.&lt;br /&gt;Viajaram a São Paulo, em número de cinco, e estão revivendo o sofrimento de Cristo em versão atualizada.&lt;br /&gt;A primeira Estação, do novo calvário, começa próximo à Estação da Luz, em uma pensão encravada em plena Cracolândia, onde a criativa família assiste de perto o sofrimento dos viciados cristãos e come o pão que Caifás amassou. Uma das dificuldades que se apresenta, é a de escolher uma Madalena para sua opereta, tantas são as candidatas frequentadoras da pensão. Da mesma forma, pedras abundam, no entanto, o apedrajamento que mais mata os pecadores naquele novo cenário, é feito com minúsculas pedras de Crack.&lt;br /&gt;Revoltados com a agência de turismo que os colocou em tão vexatória situação os Góis reclamaram veementente, mas a moça que os atendia, antes mesmo do galo cantar, negou três vezes que tenha feito aquilo de propósito. Dirigiram-se então ao dono da referida empresa e este, cinicamente lhes disse, lavo minhas mãos, pois não participei de tal armação. Embora impossibilitada de se movimentar durante a noite devido ao desgarrado rebanho de viciados que a cerca, a nossa família tem expiado seus pecados durante o dia, conduzidos pela filha mais velha em um carro com GPS desorientado. Assim, estão pagando o dobro da kilometragem à locadora, pois cada percurso é feito duas vezes, uma indo e outra voltando, naturalmente de ré, pois devido a desorientação da condutora e do GPS, várias foram as ruas que entraram em sentido oposto ao tráfego. Ainda bem que conseguiram identificar o problema! O GPS, que lhes forneceram era da mesma marca e modelo do que foi usado pelo Patriarca Moisés para fugir do Egito com seu povo… Lembram que passaram 40 anos perdidos no deserto e, tantas foram as confusões, as revoltas e o bacanais que o Senhor se viu obrigado a intervir, editando os Dez Mandamentos ?&lt;br /&gt;Devido a tais fatos, dizem as más línguas do mercado que o DETRAN de São Paulo encontra-se com metade de seus guardas no estaleiro, pois todos contraíram graves doenças respiratórias, não em razão da poluição que, neste feriado, tem sido até amena, mas sim de tanto usar seus apitos para orientar e advertir a família Gói. Não lhes encheram as CNHs de multas porque pretendem figurar na opereta como os bons Samaritanos.&lt;br /&gt;O patriarca da família tem desempenhado com paciência e estoicismo o pesado fardo do papel de Cristo, o que ele credita a toda experiência adquirida na vida de seminarista.&lt;br /&gt;Assim, graças a tal experiência de vida, tem sido fácil suportar todas as queixas e reclamações advindas de todos do grupo, especialmente da matriarca, que elevou seu rosário de queixumes à potência "N".&lt;br /&gt;Neste sábado de aleluia, o ponto máximo da via crucis será uma visita à 25 de Março, que deverá estar lotada de vendilhões do templo, seguida de um tour à Rua Zé Paulino, onde, entre todos aqueles judeus, a família Gói espera encontrar alguns para fazer a tradicional malhação de Judas, descarregando nos usurentos mercadores, toda raiva e frustração de seu sofrimento. Porém, caso tal malhação não dê certo devido a infestação de Coreanos nos domínios judaicos, pensam em voltar à cracolândia à procura de, pelo menos, um braço de Judas; produto abundante naquelas cercanias.&lt;br /&gt;Finalmente, a esperança de todos é que, após a última e frugal ceia dominical no decaido pensionato, a volta para casa, no domingo, transcorra em clima de Aleluia e a única ascenção seja tão somente do avião que os trará de volta, pois todos acham que apesar de dura, a vida aqui ainda é melhor que a monotonia da paz celestial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes - 04/04/2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8478446165684444406?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8478446165684444406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8478446165684444406' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8478446165684444406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8478446165684444406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/04/calvario-da-familia-goi.html' title='CALVÁRIO DA FAMÍLIA GÓI'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-1903098060531088637</id><published>2010-02-17T21:43:00.007-03:00</published><updated>2010-02-18T08:07:42.486-03:00</updated><title type='text'>AINDA SOBRE O RELATIVISMO E UNIVERSALISMO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Recentemente, publiquei uma postagem sobre o grande debate que envolve o universalismo e subjetivismo nos direitos fundamentais, tema que tem esquentado a academia européia. Transcrevo aqui a intervenção de Luiza Amália, uma destacada aluna do curso de graduação em Direito:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Professor,&lt;br /&gt;Engraçado é que ontem mesmo passei grande parte do meu tempo ocioso pensando sobre o relativismo cultural.&lt;br /&gt;Ocorre que, no último domingo,dia 14, por muita insistência de um grupo de brasileiros evangélicos que vivem em Chicago, fui a um culto religioso em uma Assembléia de Deus.&lt;br /&gt;Há muito, me considero "sem religião", apesar de que de forma alguma sou contrária às religiões. Acho um grande meio de organização social e de conforto espiritual (para aqueles que nasceram com o "dom" da fé no Divino).&lt;br /&gt;O fato é que a pregação, de duas horas e meias contadas de relógio, era basicamente uma retórica direcionada a doação de 50 dolares mensais a um grupo de missionários da igreja que se encontram no Moçambique, "resgatando almas para Jesus".&lt;br /&gt;Por mais de trinta minutos o pregador apresentou, por meio de slides, uma planilha do balanço financeiro dos últimos 12 meses com o custeio da missão, e, ao longo das duas horas restantes, tentava convencer ao público de que só Jesus salva e que quem não seguisse o escrito na Bíblia estaria fadado à eternidade no angustiante inferno.&lt;br /&gt;Fiquei imaginado essas pessoas pregando isso aos miseráveis moçambicanos. O povo sofrido de Moçambique, vulnerável à fome, AIDS e mortalidade infantil altíssima, são facilmente "seduzidos" por essa falácia de salvação espiritual, e desvinculados de suas religiões tribais datada de séculos, se não de milênios.&lt;br /&gt;Isso me revoltou tanto que cheguei a ver em mim um lado antropológico jamais percebido antes.&lt;br /&gt;A corrente universalista do Direito, além de ter o suporte de um grupo de intelectuais super respeitados, tem um propósito mais do que justificável: uma vida digna para toda a raça humana.&lt;br /&gt;As missões evangelistas sim, são altamente nocivas à manutenção da identidade cultural dos povos, pois distrincham a raíz de toda uma cultura, a religião. Ou será que é tão difícil lembrar dos jesuítas que aniquilaram incontáveis tribos nativas por toda a América nos séculos XV e XVI? Religião não é justificativa para missão. Cada povo tem a sua e tratar desse assunto é algo muito mais complexo do que pode parecer.&lt;br /&gt;O Universalismo, se aplicado de forma a respeitar um mínimo da cultura de cada povo (e todo o problema consiste no estabelecimento desse mínimo), para mim parece a forma mais plausível de igualar todos os povos por meio da identidade SER HUMANO.&lt;br /&gt;Terminando essa reflexão, releio o já escrito e me vejo totalmente indecisa à qual corrente sou partidária. O radicalismo, em ambas, é contaminado de erros graves. A resposta estaria num meio termo, como quase tudo na vida. O debate sobre esse tema é algo que precisa ser muito mais amadurecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-1903098060531088637?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/1903098060531088637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=1903098060531088637' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1903098060531088637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1903098060531088637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/02/recentemente-publiquei-uma-postagem.html' title='AINDA SOBRE O RELATIVISMO E UNIVERSALISMO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-3045123898235490464</id><published>2010-02-14T19:42:00.009-03:00</published><updated>2010-02-14T20:27:59.677-03:00</updated><title type='text'>O POUSO NA CHAMPS-ELYSÉES</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/S3h-X57AlDI/AAAAAAAAAPM/0ikqp9y7Mn8/s1600-h/vanessa2%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438235499200287794" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/S3h-X57AlDI/AAAAAAAAAPM/0ikqp9y7Mn8/s320/vanessa2%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Os brasileiros que passeiam pela elegante Avenida Champs-Elysées, em Paris, deveriam olhar com muito orgulho o prédio 114. Ali morou Santos Dumont. Mais ainda: foi também o lugar onde posou o Dirigível n. 9, sob os olhares perplexos de milhares de franceses. Além de morar no local mais nobre da cidade, o cara era ousado. Em 1903, nada de chegar em casa de nos modernos automóveis que encantavam a burguesia. Autenticidade era a palavra de ordem. Depois de sobrevoar a Cidade Luz num frágil balão, tinha mesmo que pousar na porta de casa para comemorar o feito com muito champagne.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Santos Dumont foi morar na França aos 20 anos de idade, onde seguiu estudos superiores. Sua primeira grande invenção foi o Balão Brasil, assim batizado em homenagem à terra natal. Depois vieram outros, até a construção do 14 BIS, que o celebrizou como o pai da aviação mundial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto espero o avião que me conduzirá ao Brasil depois dessa breve temporada parisiense, penso na grande contribuição que Santos Dumont deu para a humanidade: um meio de transporte que encurta distâncias e aproxima pessoas de todos os continentes.&lt;br /&gt;Visitei algumas vezes sua casa em Petrópolis. Um sobradinho acolhedor e cheio de criatividade. Uma mostra da genialidade de seu proprietário. Todos ficam impressionados com o formato da escada, o sistema de aquecimento d’água, entre outras invenções inusitadas. Pouca gente sabe, mas ele também foi o inventor do relógio de pulso, ornamento tão comum na contemporaneidade. Santos Dumont suicida-se em 1932, desgostoso por ver que os aviões que ele ajudou a construir tinham-se tornado máquinas de guerra. O golpe foi muito forte para a sua frágil saúde física e mental. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-3045123898235490464?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/3045123898235490464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=3045123898235490464' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3045123898235490464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3045123898235490464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/02/o-pouso-na-champs-elysees.html' title='O POUSO NA CHAMPS-ELYSÉES'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/S3h-X57AlDI/AAAAAAAAAPM/0ikqp9y7Mn8/s72-c/vanessa2%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-6664116836658911852</id><published>2010-02-07T13:58:00.012-03:00</published><updated>2010-02-18T15:35:03.578-03:00</updated><title type='text'>MINHA VISITA A AUGUSTE COMTE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando entrei na Faculdade de Direito, no final dos anos 70, tive as primeiras noções da dicotomia &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;direito natural&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; x &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;direito positivo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. O primeiro marcado pela inspiração divina ou pela natureza humana. O outro, fruto do pensamento científico, racional, indutivo. Representava a vitória da ciência sobre a superstição, o empirismo e o apriorismo que dominaram todo o pensamento medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os professores esforçavam-se ao máximo para demonstrar o caráter científico do Direito. Pontes de Miranda, o maior jurista brasileiro de todos os tempos, defendia vivamente a positividade e afirmava que a incidência da norma jurídica sobre o suporte fático era a origem de toda a juridicidade, que se desenvolvia num universo virtual: &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;o mundo do direito&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Exilado nos Estados Unidos, Hans Kelsen também concebia um sistema de ciência pura do direito, uma tentativa de separá-lo das demais ciências sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os mestres não explicavam é que o normativismo nada mais era que o positivismo aplicado ao Direito. Mesmo que não queiram admitir, o positivismo de Auguste Comte (1798-1857) está na origem das chamadas ciências jurídicas. Ele foi o primeiro filósofo a defender com todas as letras que o século XIX decretara o fim do obscurantismo científico. Era chegado o momento de a sociologia atingir a sua dimensão positiva, da mesma forma que a física e as matemáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auguste Comte... &lt;span style="color:#000099;"&gt;Quem foi esse homem paradigmático que influenciou os proclamadores da República Brasileira?&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#990000;"&gt;Que foi fonte de inspiração para os grandes juristas nacionais do começo do século 20&lt;/span&gt;? Mesmo tendo lido os seus textos mais conhecidos, resolvi visitar seu apartamento parisiense a fim de conhecer melhor o seu universo intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pego o metrô e desço na estação Odeon, em pleno Quartier Latin, a fim de visitar o imóvel onde o filósofo viveu os últimos 16 anos de sua vida. Fica num prédio construído no século 18 e o apartamento jamais foi ocupado por outros moradores desde a morte de Comte. Seus discípulos não permitiriam tal afronta ao monstro sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira surpresa que tive, foi saber que o imóvel foi totalmente restaurado em 1960, a expensas de Paulo Carneiro (1901-1982), um químico brasileiro, que foi também diplomata na UNESCO. Ele teve a idéia de criar um museu e preservar todos os objetos pessoais do filósofo, inclusive a biblioteca, a mesa de trabalho e todo o mobiliário original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Localizado na Rue Monsieur Le Prince, 10, o apartamento também abriga a Associação Maison d’Auguste Comte, criada em 1954. Além da visita ao museu, ela possui um vastíssimo acervo cultural e bibliográfico. São obras raras escritas por seus discípulos, teses de doutorado, biografias e toda a correspondência que ele mantinha com os intelectuais da época. Também fica claro que seu sistema filosófico exerceu forte influência sobre as gerações que se seguiram, a exemplo de Émile Durkheim, Stuart Mill, Littreé e, até mesmo sobre Kropotkine – o grande anarquista russo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao tocar a campainha, a porta abriu automaticamente. Notei que o funcionário ficou surpreso. Era um jovem doutorando de filosofia, às vésperas de defender sua tese na Sorbonne. Nada a ver com o positivismo. Talvez estivesse no emprego apenas para pagar seus estudos. Disse-me que há mais de um mês o espaço não era visitado por ninguém, mesmo sendo o único museu de Paris consagrado a um filósofo francês. Nem mesmo Descartes recebeu tal honraria, comentou. O fato é que, durante 2008, apenas 685 pessoas passaram por ali, contando os grupos e eventos públicos. Mas, nos últimos anos, o número baixou significativamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, poucos livros foram publicados sobre a vida e obra de Comte. Seu pensamento não resistiu à pós-modernidade. Nesses tempos de neoconstitucionalismo, poucos tem coragem de se dizerem positivistas por medo de serem tachados de conservadores ou retrógrados. A cada dia a retórica jurídica ganha mais espaço na vida judiciária, e o discurso científico-positivista tem sido substituído pela hermenêutica concretizadora dos direitos fundamentais no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em Montpellier, Comte desenvolveu sua formação acadêmica na renomada Escola Politécnica de Paris, onde adquiriu sólida formação científica. A partir de 1817 começa a construir os postulados de sua filosofia positiva. Cria o vocábulo sociologia e publica em 1821 a obra “&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Trabalhos científicos necessários para reorganizar a sociedade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;”. Casa-se com Caroline Massin, com quem tem uma relação tumultuada e infeliz. Em 1826 é vítima de uma crise de loucura e é internado na Clínica do Dr. Esquirol. Tenta o suicídio, mas consegue se reequilibrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos seguintes retoma os seus cursos de filosofia, atraindo grande número de discípulos. Em 1842, publica seu &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Curso de Filosofia Positiva&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, obra que tem repercussão mundial, colocando-o no epicentro dos grandes pensadores do Século 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vida sofre grande mudança quando conhece a jovem Clotilde de Vaux em 1845. Já separado de sua primeira esposa, Comte se vê perdidamente apaixonado pela jovem discípula. A perplexidade desse sentimento na maturidade deve-se ao fato de o filósofo não acreditar que a afetividade seja apreendida pela ciência. Procura na religiosidade as respostas para suas inquietações. Embora o romance só tenha durado um ano – sua musa morre de tuberculose –, Conte se mantém fiel a esse amor até o fim de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cria a &lt;span style="color:#000099;"&gt;Religião da Humanidade&lt;/span&gt;, engaja-se em movimentos sociais de defesa do proletariado. Institui a Sociedade Positivista para a educação dos povos. O positivismo ganha uma dimensão política na medida em que se propõe a restruturar a sociedade, resgatando-a do caos em que se encontrava mergulhada. A ciência e o progresso seriam os grandes motores de transformação. Sua militância política incomoda Napoleão III, que o destitui de sua cátedra da Escola Politécnica em 1854.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visita ao apartamento de Comte revela algumas características de sua personalidade. Ele só escrevia diante do espelho, pois tinha a necessidade de ter contato permanente com sua própria imagem. Ele também criou uma biblioteca básica do proletariado, composta porexatamente150 livros, considerados básicos para a instrução pública. A cadeira utilizada por Clotilde encontra-se no mesmo lugar de costume, sem qualquer tipo de restauração – já que seus seguidores acreditam na dimensão divina de seu amor pela jovem francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra de Comte teve enorme repercussão no Brasil. No Rio de Janeiro foi construída uma Igreja Positivista, onde uns poucos fiéis ainda cumprem a liturgia deixada por seu mentor. O filósofo morreu em seu leito, cercado de discípulos, deixando um grande legado para a humanidade. Os seus restos mortais repousam no Cemitério Père Lachaise. Ao deixar o apartamento, não pude deixar de notar a bandeira brasileira, que ostenta uma das mensagens do mestre de Montpellier: &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;ordem&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;progresso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-6664116836658911852?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/6664116836658911852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=6664116836658911852' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6664116836658911852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6664116836658911852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/02/minha-visita-auguste-comte.html' title='MINHA VISITA A AUGUSTE COMTE'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-6800135155937027284</id><published>2010-02-06T06:18:00.000-03:00</published><updated>2010-02-06T06:19:39.929-03:00</updated><title type='text'>ESTUDOS BRASILEIROS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aproveitei meus últimos dias de férias para participar de um ciclo de conferências promovido pelo Centre de Recherches sur le Brésil Contemporain, vinculado à Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris. Uma excelente oportunidade para atualizar a bibliografia e entrar em contato com grupos de pesquisas avançadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criado em 1985, o CRBC tem apoiado pesquisas sócio-culturais, econômicas e políticas sobre o Brasil, muitas das quais redigidas em língua francesa. Dirigido por Afrânio Garcia e Ignacy Sachs, todos os anos edita os Cahiers du Brésil Contemporain, uma revista de grande qualidade consagrada a temas específicos e com abordagem interdisciplinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as atividades desenvolvidas, ressalto as reuniões do grupo de reflexão coordenado por Marion Aubreé, mas que também conta com a presença de outros membros do CRBC. Os convidados são intelectuais brasileiros e estrangeiros brasilianistas que abordam temas de grande relevância no campo das ciências sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Ignacy Sachs é um dos principais teóricos do desenvolvimento sustentável, com vários livros publicados no Brasil. É professor honoris causa da UFAL, consultor do Governo de Alagoas na área do planejamento, além de orientador de várias teses de doutorado na área de meio ambiente e desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, a EDUFAL publicou o excelente livro da antropóloga francesa Marion Aubrée, escrito em co-autoria com François Laplantini. A obra investiga a influência do espiritismo kardecista no Brasil e seus principais efeitos sobre a religiosidade de nosso povo. Escrita originalmente em francês, chega ao país com mais de 10 anos de atraso. O texto impressiona por sua originalidade e lucidez. Pesquisadora das religiões afro-brasileiras, a autora acaba de publicar um estudo antropológico sobre o mito Yemanjá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar essa notícia, ressalto o excelente trabalho desenvolvido pelo professor Afrânio Garcia à frente do CRBC, sempre preocupado em promover debates sobre sobre o desenvolvimento brasileiro, recebendo pesquisadores de várias orientações teóricas. Antropólogo reconhecido internacionalmente, neste ano tem animado seminários com a presença de grandes intelectuais como Cristovam Buarque, Bresser Pereira, Renato Ortiz, entre outros. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-6800135155937027284?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/6800135155937027284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=6800135155937027284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6800135155937027284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6800135155937027284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/02/estudos-brasileiros.html' title='ESTUDOS BRASILEIROS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-6455823288053357021</id><published>2010-02-06T06:07:00.009-03:00</published><updated>2010-02-07T08:24:28.315-03:00</updated><title type='text'>UMAS E OUTRAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;REPÚBLICA LAICA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Há poucos dias, li uma matéria na imprensa brasileira sobre a pretensão de certo procurador da república em retirar das repartições públicas todos os símbolos religiosos. Sustenta que o Estado laico não interfere na fé dos cidadãos e por isso não pode estimular essa ou aquela religião. Dessa forma defende a retirada de imagens, crucifixos, orações ou textos que invoquem profissão de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na França esse debate se arrasta há anos. Ganhou destaque na imprensa com “Lei da Burca”, que proíbe os estudantes das escolas públicas de portar símbolos ostensivos de suas religiões durantes as atividades educacionais. Meses atrás, o Governo constituiu comissão de parlamentares de direita e de esquerda para elaborar um projeto de lei que proíba o ingresso de mulheres nos transportes públicos portando a burcas que cobram todo o rosto. Os argumentos são os mesmos: defesa da laicidade, dignidade feminina, vinculação a grupos sectários e, até mesmo, segurança nacional contra o terrorismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A repercussão foi tão negativa que a Comissão perdeu toda sua legitimidade. Sob o pretexto de defender os direitos humanos, a tentativa de repressão terminou produzindo efeito contrário. A proibição tem sido interpretada como mais uma intrusão do Estado na liberdade religiosa e na vida privada das mulheres muçulmanas. E o pior é que o problema atinge apenas algumas centenas de mulheres, ainda muito arraigadas a uma obtusa interpretação Alcorão. Muito barulho por nada...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;PÓ E FUMO: A EPIDEMIA CRESCE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Se há uma coisa de que devemos nos orgulhar é da campanha brasileira antitabagista. Os resultados foram muito bons para a saúde dos brasileiros, vítimas potenciais do câncer de pulmão. Houve uma efetiva diminuição do consumo de cigarros no país. A proibição de fumar em lugares fechados como restaurantes, shoppings, escolas, aliada a uma competente campanha na mídia, foi determinante inibir o vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na França, existe a mesma proibição. Mas, ao contrário do Brasil, o consumo de cigarros ainda é muito alto. Milhões de franceses são fumantes compulsivos. Não se contentam com um ou dois cigarros. Basta um grupinho de amigos sentar à mesa que logo o cinzeiro fica cheio de cinzas e “tóias”. É muito comum encontrar idosos nas ruas com visíveis sinais de enfisema pulmonar, fruto de décadas e décadas de vício. Outro dia vi dois jovens beijando-se apaixonadamente. Depois entreabriram as bocas de onde saiu a fumaça sorvida instantes antes do caloroso amplexo. Um horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas dos cinemas, teatros e cafés estão sempre cheias. A gente pensa que não há mais lugar, que estão super lotados. Quando chega mais perto, verifica que são os fumantes que se aglomeram para satisfazer o seu mais forte desejo: um longo trago no cigarro. Mas isso não é nada diante do crescimento assustador do consumo de drogas nos últimos 10 anos. A maconha está tão banalizada entre os jovens que transformou-se numa instituição quase tão popular quanto o croissant. Em recente pesquisa, o &lt;em&gt;Observatório de Drogas e Toxicomanias &lt;/em&gt;apontou um grande crescimento do uso de cocaína e ecstasy entre pessoas de 18 a 44 anos. As drogas ilícitas tornaram-se rotineiras e manifestam-se como símbolos do inconformismo social ou de pertença a determinadas tribos urbanas, muitas vezes confundidas com a própria família dos usuários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que o Governo brasileiro combata essa epidemia com a mesma competência com que desbancou os fabricantes de cigarro. Afinal, o comércio de cocaína, crack e maconha, além de destruírem vidas, são os grandes responsáveis pelo aumento do crime organizado no país.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;DIREITOS HUMANOS PARA TODOS?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A internacionalização dos direitos humanos é um dos temas mais debatidos por aqui. A polêmica gravita em torno de duas perspectivas científicas: o universalismo e o relativismo.  A primeira corrente teórica encontra nos juristas os seus maires seguidores: Kelsen, Radbruck, Pontes de Miranda, Cançado Trindade. Já o relativismo é mais forte entre os antropólogos, que temem que a universalização acabem com a diversidade dos povos, defendendo o diálogo entre direito e cultura a fimde encontrar saídas para esse dilema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O universalismo defende, com bons argumentos, a tese de que é possível instituir um conjunto de direitos fundamentais adotados por todos os países integrantes da ONU. É a crença de que a constitucionalização dos direitos humanos contidos nos tratados internacionais promoverá a dignidade, liberdade e igualdade entre todos os seres humanos, independente dos grupos étnicos, religiosos ou linguísticos a que pertençam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os relativistas sustentam que não é possível forçar a globalização de direitos humanos sem levar em consideração a diversidade de costumes, práticas e culturas dos povos que habitam no Planeta. Os mais radicais defendem que essa imposição nada mais é do que uma tentativa de ocidentalização do direito, impondo a aculturação de todos os povos às suas instituições jurídicas. Será a volta do eurocentrismo jurídico? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-6455823288053357021?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/6455823288053357021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=6455823288053357021' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6455823288053357021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6455823288053357021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/02/umas-e-outras.html' title='UMAS E OUTRAS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-3875213098663553272</id><published>2010-02-04T19:36:00.004-03:00</published><updated>2010-02-07T08:07:08.919-03:00</updated><title type='text'>DICAS PARA ANDAR NO METRÔ DE PARIS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Não leves livros contigo, olha a teu redor, fala com os outros. Aprenda a conhecer as pessoas. Ninguém pode fazer isso por ti&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;”. Esta mensagem do estadista Jean Monnet está traduzida em vários idiomas em um grande painel do restaurante &lt;em&gt;Le Francilien&lt;/em&gt;, freqüentado basicamente por estudantes estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deveria ser exposta nos metrôs de Paris, onde os passageiros fazem exatamente o contrário. Mal entram nos vagões, já abrem os seus livros e mergulham na leitura de uma ou duas páginas, no máximo, quase de forma maquinal. Os mais jovens sacam os seus &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;i-phones&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; (uma verdadeira febre urbana) e ali encontram a diversão perfeita: games, torpedos, vídeos ou música. Outros fazem questão de ficar indiferentes a tudo e a todos. Muitas vezes o silêncio chega a ser incômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é marinheiro de primeira viagem, deve aprender a olhar para o nada. O contato visual com um desconhecido pode ser fatal. Puxar conversa, nem pensar! Corre o risco de ser acusado de assédio ou invasão de privacidade. Eu desenvolvi a habilidade de fingir que não vejo nada e, modéstia à parte, acho que sou bastante convincente. O que eles não sabem é que minha curiosidade está à flor da pele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando as idiossincrasias (ou idiotices?), andar de metrô aqui tem as suas vantagens. Além de ser barato e rápido, a gente se desloca para qualquer parte da cidade sem gastar dinheiro com taxi. E ainda há a possibilidade de exercitar o lado &lt;span style="color:#990000;"&gt;voyeur&lt;/span&gt; sem ser notado! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-3875213098663553272?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/3875213098663553272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=3875213098663553272' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3875213098663553272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3875213098663553272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/02/dicas-para-andar-no-metro-de-paris.html' title='DICAS PARA ANDAR NO METRÔ DE PARIS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-7058266121336319652</id><published>2010-02-03T10:51:00.007-03:00</published><updated>2010-02-19T07:03:22.447-03:00</updated><title type='text'>CARIDADE NÃO É OBRIGAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei surpreso quando minha professora de direito do trabalho anunciou sua aposentadoria. Era uma mulher ainda jovem e ativa, que gozava de excelente saúde. Perguntei-lhe a razão da repentina decisão. Ela respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já dei minha contribuição ao magistério. Agora pretendo dedicar-me ao voluntariado. Estou à procura de uma instituição que faça trabalho filantrópico para que eu possa ajudar. A caridade... Acho que esse é o sentido da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses depois, reencontrei-a na rua e perguntei-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como vai a ajuda aos necessitados? A senhora está militando em que instituição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu amigo, ela respondeu, a coisa mais difícil do mundo é ajudar os pobres. Ofereci meus préstimos a várias instituições e todas negaram. Fui recebida com muita desconfiança... Pensavam que eu queria fazer política ou tirar algum benefício pessoal. Desisti. Agora pratico yoga todos os dias e busco ajudar meu próprio “eu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me desse episódio ao chegar ao Ministério Público, onde teria audiência com alguns idosos ameaçados de despejo do prédio público em que desenvolvem atividades culturais há mais de 10 anos. São integrantes de associações informais que não recebem um centavo do poder público, mas oferecem atividades como dança de salão, capoeira, bumba-meu-boi, academia de ginástica etc. São 650 pessoas carentes que se beneficiam dos serviços ofertados gratuitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dirigentes foram pegos de surpresa pela cessão do espaço a um instituto que ambiciona congregar todos os idosos da cidade em seus domínios e, assim, fortalecer determinadas candidaturas ao parlamento alagoano. Coincidentemente, a beneficiária é uma ONG que já recebeu generosas contribuições dos cofres públicos sem participar de qualquer processo licitatório. As vítimas só tomaram conhecimento do despejo pelo Diário Oficial e estavam preocupadíssimas com o encerramento das atividades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que percebi que a professora tinha razão. Está em curso um verdadeiro processo de apropriação dos hiposuficientes no Brasil. Velhinhos, crianças, adolescentes, portadores de deficiência, desempregados, todos são alvos de supostos defensores de sua dignidade. No fundo querem fazer um “belo” trabalho social regado a recursos públicos. Descobriram que a caridade pode se transformar num negócio muito lucrativo. Por isso não há espaço para o homem de bem que queira ajudar, movido exclusivamente por sentimentos altruístas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caridade é defendida por todas as religiões que conheço. Muitos pensam que é um passaporte para o céu e um salvo-conduto para generosas benesses terrenas. O “político caridoso” usa os meios de comunicação para divulgar seus atos de benemerência com o objetivo angariar votos. Muitos votos. Para mim, a caridade tem de ser espontânea, desinteressada, discreta. Deve ser praticada sem alarde. É a maior expressão de compaixão e amor ao próximo. Alegra muito mais a quem dá do que a quem a recebe. Sua beleza está em saber que um pequeno gesto pode mudar a vida de seu semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é quando a caridade se torna uma obrigação. O prazer de ajudar ao próximo transforma-se em dívida que não admite atraso. Passa a ser compulsória e improrrogável. Em algumas ocasiões resolvi ajudar instituições religiosas ou caritativas que desenvolvem projetos sociais interessantes. Pouco a pouco as exigências financeiras aumentaram e os telefonemas de cobrança passaram a infernizar minha vida. Isso sem falar nas correspondências contendo mensagens subliminares para pressionar o incauto a “abrir o bolso”. Para atingir os objetivos, não poupam nada nem ninguém: imagens de santos, terços, água benta engarrafada e por aí vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia bateu à minha porta um homem vestindo roupas rotas e um chapéu surrado. Sabia o meu nome e se dizia um grande admirador de minha atuação como promotor de justiça na comarca de Batalha ao longo dos anos 80. Disse-me que havia entrado no MST e que agora era um feliz proprietário de gleba num assentamento em Maragogi, região litorânea de Alagoas. Foi então que me entregou uma pequena cesta com produtos de sua roça: inhame, macaxeira, batata doce e algumas bananas. Disse-me que era um presente de admirador. Fiquei muito sensibilizado com o gesto de ofereci-lhe uma quantia em dinheiro como prova de meu agradecimento. Abraçamo-nos fraternalmente e nos despedimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo gesto de “amizade” repetiu-se nas semanas seguintes, sempre com mesmo resultado, um dinheirinho para pagar a passagem e comer alguma coisa. Certa feita, dormi até mais tarde e não pude recebê-lo pessoalmente. Mas pedi que lhe entregassem uma quantia um pouco menor que a habitual. Ele recebeu o dinheiro mas se recusou a deixar o “presente”. Dias depois, tentava estacionar o meu carro na Aliança Francesa, quando vi que ele estava à espreita. Quem teria dado o meu endereço de trabalho? Fui logo dizendo que não queria a mercadoria. Ele retrucou com insolência que perdera o seu tempo me esperando e agora seria obrigado a voltar para casa de mãos abanando. Toda a doçura inicial se desvanecera. Agora era um homem violento, desapontado por não receber o dinheiro esperado. Vi que minha bondade inicial, espontânea, caritativa tinha se transformado num compromisso sucessivo e implacável. O prazer que sentia em ajudá-lo transformou-se num desagradável incômodo. Resultado: cortei o mal pela raiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse episódio me fez lembrar um texto de Jean-Jacques Rousseau no livro Devaneios de um Caminhante Solitário. O filósofo defende a tese de que as boas ações são a expressão da liberdade do benfeitor. Devem ser sempre motivo de prazer, de alegria. Quando a caridade deixa de ser espontânea para sucumbir às pressões externas, torna-se uma dívida e perde toda a sua essência. Esvazia-se em si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito na solidariedade. Acho que cada cidadão tem a responsabilidade social de ajudar o seu semelhante. Penso que os brasileiros deveriam dedicar-se mais ao voluntariado e à ação humanitária. Essa é uma inegotável fonte de felicidade, que produz endorfina em abundância. Além disso, o engajamento nos movimentos sociais aprimora a democracia e fortalece o Estado de Direito. Entretanto, é preciso ter cuidado com os exploradores da boa-fé alheia, pessoas inescrupulosas que se aproveitam de sentimentos como o altruísmo para desenvolver atividades lucrativas nada compatíveis com os ideais religiosos ou éticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;É preciso compreender que caridade não é obrigação, mas opção&lt;/span&gt;. Caracteriza-se pela ausência de coerção externa. A decisão tem de ser espontânea, fruto da vontade consciente de ajudar o próximo com seu trabalho ou com seus bens, sem nada pedir em troca. Por isso é preciso ter cuidado para escapar das armadilhas baseadas na chantagem emocional, no medo do inferno, na insistência do pedido ou nos boletos de cobrança que todos os dias chegam às nossas casas. &lt;span style="color:#000099;"&gt;Lembre-se, amigo: doador não é devedor, nem está sujeito a execuções judiciais ou divinas.&lt;/span&gt; Se quer ajudar, basta seguir o chamado de seu coração. Você estará no caminho certo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-7058266121336319652?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/7058266121336319652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=7058266121336319652' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7058266121336319652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7058266121336319652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/02/caridade-nao-e-obrigacao.html' title='CARIDADE NÃO É OBRIGAÇÃO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8713493490589214750</id><published>2010-01-28T15:59:00.013-03:00</published><updated>2010-01-29T09:03:18.829-03:00</updated><title type='text'>O QUE É AÇÃO HUMANITÁRIA?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A trajédia do Haiti já provocou cerca de 170 mil mortos e o número pode ser bem maior. Muitos se perguntam como um terremoto tão avassalador não foi previsto pelos cientistas, com seus aparelhos de alta tecnologia. Paradoxalmente, a catástrofe que destruiu um dos países mais pobres do Planeta também revelou milagres, como o da jovem que passou 17 dias sob os escombros e foi resgatada com vida.&lt;br /&gt;A imprensa internacional tem analisado diversos aspectos do sofrimento haitiano e procurado explicar os efeitos perversos do colonialismo no país, vítima do isolamento internacional, da extrema pobreza e da pilhagem dos tiranetes corruptos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Os meios de comunicação destacam o papel de países como o Brasil e os Estados Unidos no socorro às vítimas e à manutenção da ordem. Entretanto tenho lido muito pouca coisa sobre a ação humanitária desenvolvida por entidades não-governamentais movidas pela solidariedade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O enfoque humanitário da mídia se restringe ao papel dos boinas azuis, militares de várias nacionalidades vinculados às Nações Unidas, sob a coordenação do Brasil. O noticiário e as centenas de artigos publicados não se preocuparam em esclarecer o público sobre esse novo movimento de solidariedade que tem ajudado povos de todos os continentes a superarem suas dificuldades e a redescobrir a dignidade perdida. A visão reducionista prevalesse tanto na imprensa nacional como internacional. Foi aí que desencavei um artigo que escrevi a algum tempo sobre o papel da ação humanitária no âmbito das ONGS e da ONU.&lt;br /&gt;Talvez seja um pouco longo, mas vale a pena conferir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;AÇÃO HUMANITÁRIA: A NOVA FACE DA SOLIDARIEDADE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em meados de 1859, Henri Dunant encontrava-se em Solferino, na Itália, em busca de uma audiência com Napoleão III. Foi quando testemunhou a carnificina que transformaria para sempre sua vida. A guerra entre França e Áustria atingira a sua fase mais violenta. As tropas inimigas combatiam sem trégua. Milhares de baixas desfalcavam os exércitos inimigos. Em apenas um dia, vinte e dois mil austríacos e dezessete mil franceses gravemente feridos em combate foram abandonados no campo de batalha.&lt;br /&gt;Entregues à própria sorte, os soldados agonizavam ao relento sem qualquer esperança de salvação. Foi aí que aconteceu o inesperado. Os habitantes da região decidiram prestar socorro aos feridos sem levar em consideração o exército a que pertenciam. Indiferentes ao ódio que alimentava a guerra, modestos camponeses empenharam-se em aplacar o sofrimento dos mutilados e moribundos, assegurando-lhes cuidados médicos e conforto espiritual.&lt;br /&gt;Na condição de cidadão suíço, Dunant participou ativamente dessa rústica operação de socorro. Acreditava que a ação de salvamento era um instrumento da vontade de Deus. Descobria a ideologia que passaria a comandar sua vida. Três anos depois do sangrento episódio, publicou Un Souvenir de Solferino, livro em que relata sua experiência como voluntário.&lt;br /&gt;Movido pelo desejo de ajudar as vítimas da violência, Dunant funda, em 1863, o Comitê de Internacional de Socorro aos Militares Feridos, organização de natureza supra-estatal destinada a prestar ajuda humanitária nos campos de batalha. Mais tarde, a entidade é transformada em Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O reconhecimento internacional não tardou a chegar: em 1901, Dunant recebe o Prêmio Nobel da Paz.&lt;br /&gt;Hoje, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha é uma entidade não-governamental dedicada à difusão do Direito Humanitário Internacional. Sediada em Genebra, organiza missões médico-sanitárias em países vítimas da pobreza, da violência ou afetados por catástrofes naturais de grandes dimensões.&lt;br /&gt;É indiscutível que a criação da Cruz Vermelha foi o grande marco da ação humanitária contemporânea. Mas não se pode afirmar que o humanitarismo começou com ela. Durante toda a Idade Média, a igreja católica promovia assistência aos pobres em forma de alimentos e esmolas. As grandes monarquias associavam-se à igreja para a distribuição de donativos, que geralmente ocorria em grandes ocasiões como a coração do rei, os casamentos e os funerais. Com a Revolução Francesa, o Estado passou a se preocupar com o destino das viúvas, esposas e órfãos dos soldados mortos ou mutilados em combate, instituindo os comitês de mendicância e construindo hospitais nas grandes cidades. Nessa época, surgem as sociedades filantrópicas, constituídas por famílias aristocráticas, que se consagravam à prática da beneficência.&lt;br /&gt;A partir daí, as preocupações humanitárias se manifestaram de diversas formas, a exemplo da luta pela abolição da escravatura, pela melhoria da qualidade de vida, pelo respeito às minorias étnicas, sexuais e religiosas etc.&lt;br /&gt;A ação humanitária tem orientação pacifista e luta pela preservação da vida humana em sua dignidade, socorrendo as vítimas dos desastres naturais, das crises econômicas, da violência política e da intolerância racial ou religiosa. Tem a missão de ajudar os povos a atravessar períodos de crise, amenizar as dores das vítimas dos conflitos armados, das grandes epidemias e das catástrofes naturais, através da distribuição de alimentos, remédios, agasalhos, vacinas e cuidados médicos.&lt;br /&gt;A ação humanitária desconhece fronteiras. Sua dimensão é planetária, universal. O desejo de assegurar o direito à vida, ajudando o próximo a superar tragédias pessoais, é sua principal ideologia. A prática militante da fraternidade, o compromisso com a solidariedade entre os povos e o respeito ao direito internacional são outras vigas que sustentam o movimento.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O humanitarismo não é um instrumento para a derrubada de governos despóticos ou de regimes ditatoriais&lt;/span&gt;. A capacidade de escolha dos povos é respeitada em todas as circunstâncias. Seu foco é a organização de missões de socorro às vítimas da miséria, da fome e das epidemias. Sem qualquer outro propósito subjacente, visa a sobrevivência das populações que se encontram em profundo estado de fragilidade física e mental decorrente de brutal ruptura do equilíbrio anterior.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O testemunho do drama é a principal estratégia de persuasão da opinião pública internacional.&lt;/span&gt; As organizações não-governamentais precisam da imprensa não só para divulgar as ações humanitárias e angariar recursos, mas também para denunciar as atrocidades que põem em risco a vida das populações. Por outro lado, a imprensa utiliza a estrutura das equipes – aviões, caminhões e contatos locais – para ter acesso a regiões perigosas, quase sempre infestadas de guerrilheiros, moléstias ou exércitos hostis. Essa relação de interdependência tem funcionado muito bem, pois a presença de jornalistas no palco dos acontecimentos assegura transparência às missões de salvamento, inibindo qualquer possibilidade de manipulação da verdade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Embora não tenha interesses políticos nos países assistidos, a ação humanitária tem o dever de denunciar todas as formas de violência – crimes contra a humanidade, tortura, segregação racial ou religiosa, êxodos forçados, etc. – por que passam as populações civis&lt;/span&gt;. Em 1985, foi criada a organização Repórteres sem Fronteiras que tem entre os seus objetivos o financiamento de reportagens sobre conflitos armados nos países esquecidos pelos meios de comunicação. Com sede em Paris, a entidade congrega colaboradores de várias nacionalidades que investigam violações aos direitos humanos, sobretudo os atentados à liberdade de expressão e o aprisionamento de jornalistas no exercício da profissão.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A ação humanitária não tem vinculação com governos ou grupos políticos&lt;/span&gt;. Isso não impede a construção de parcerias que garantam o acesso das equipes aos acampamentos com o exclusivo objetivo de auxiliar enfermos e feridos. Ocorre que as negociações nem sempre são fáceis. Há situações em que os governos locais desconfiam das reais intenções das organizações humanitárias. Outras vezes tentam utilizá-las a serviço de seus próprios interesses. O clima de tensão só é superado depois de exaustivas negociações em que os interessados fazem concessões mútuas, estabelecem prioridades e firmam acordos razoáveis.&lt;br /&gt;A missão começa com a delimitação do corredor humanitário, que é o espaço territorial em que as equipes de salvamento podem atuar em segurança. Os voluntários fazem o levantamento das necessidades médicas e nutricionais mais urgentes, avaliam os riscos de doenças infecto-contagiosas, identificam os grupos mais vulneráveis e prestam os primeiros-socorros. Em seguida, montam acampamento, organizam um esquema de distribuição de agasalhos, alimentos, remédios e água potável. Iniciados os trabalhos, as equipes permanecem ao lado das vítimas até o total restabelecimento da autonomia perdida.&lt;br /&gt;Muitas vezes os corredores humanitários são desrespeitados pelos exércitos, milícias e grupos religiosos radicais. Segundo dados da ONU de 1997, 57 países assistidos apresentam elevado risco de violência contra acampamentos, transportes e pessoal de apoio. Em outros 28, a insegurança mostra-se insuportável, obrigando a retirada da maioria dos voluntários de seu território. 150 funcionários da ONU foram assassinados em missão. Centenas de religiosos, ativistas e militares das tropas de paz foram vítimas de emboscadas, fuzilamentos ou execuções a sangue frio. Passados 10 anos, a situação não é diferente.&lt;br /&gt;A onda de violência tem provocado fortes reações ao princípio da neutralidade tradicionalmente defendido pelo humanitarismo. Não que o movimento deva interferir nas decisões políticas dos países em conflito. Isto afrontaria a soberania das nações e a autodeterminação dos povos. Mas não se pode ficar indiferente às graves violações aos direitos humanos fundamentais. Por isso, muitos defendem a legitimidade da intervenção internacional em defesa dos princípios universais consagrados pelas convenções da ONU.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Uma das grandes novidades do século XX é a militarização da ação humanitária&lt;/span&gt;. Terminada a guerra no Golfo Pérsico em 1991, o Iraque, embora derrotado pelas forças aliadas, lançou ofensiva contra os curdos do norte, que foram obrigados a fugir para territórios turcos e iranianos. Foi então que o Conselho de Segurança da ONU, preocupado com a situação dos refugiados, exigiu do governo iraquiano o fim das hostilidades e o acesso imediato das organizações humanitárias ao local da tragédia. A Operação Provide Confort – como acabou ficando conhecida – inaugurou a ingerência humanitária, hoje considerada um sólido instituto de direito internacional.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Embora as Nações Unidas não disponham de força militar permanente, seu Conselho de Segurança pode requisitar dos Estados-Membros tropas multinacionais e armamentos para operações de manutenção da paz&lt;/span&gt;. Conhecidos como boinas azuis, os soldados portam o uniforme de seu país de origem e a insígnia das Nações Unidas. Levam consigo equipamentos ligeiros, que só podem ser utilizados em legítima defesa. Durante as operações, as tropas mantêm posição de neutralidade em relação aos países beligerantes ou aos grupos políticos envolvidos em movimentos revolucionários. Sua missão restringe-se a assegurar a ajuda humanitária, garantir a segurança das populações civis e promover negociações diplomáticas visando o cessar-fogo.&lt;br /&gt;Do ponto de vista humanitário, as missões de observação e de manutenção da paz desenvolvidas pela ONU têm obtido resultados satisfatórios. Nos últimos anos, o mundo testemunhou intervenções de grande envergadura como a do Iraque, Bósnia, Somália e Ruanda e outras menores mas igualmente importantes, como a de Angola e Timor Leste, muitas das quais contaram com a colaboração das forças armadas brasileiras.&lt;br /&gt;Ocorre, porém, que a intervenção militar com fins humanitários tem sido vista pelos militantes não-governamentais sob duas perspectivas: libertária e legitimista.&lt;br /&gt;Acostumados à ação exclusiva das organizações não-governamentais no palco das tragédias, os libertários vêem com desconfiança a intervenção armada dos boinas azuis nos países devastados. Acreditam que o nivelamento com os Estados nas missões de assistência às populações civis atenta contra o princípio da independência do humanitário civil e colocam em risco a vida dos voluntários, freqüentemente confundidos com militares. Temem ainda que o movimento seja utilizado como um instrumento de defesa de interesses espúrios de potências mundiais nos territórios ocupados. Entendem, por fim, que a intervenção política e militar de grandes potências ou de coalizões internacionais sobre países acusados de graves violações aos direitos humanos não pode ser reconhecida como humanitária, mas política.&lt;br /&gt;Outra corrente considera as missões da ONU legítimas desde que respeitem as normas de direito humanitário, assegurem o acesso das equipes de salvamento aos feridos, garantam a segurança dos acampamentos e restabeleçam os direitos humanos fundamentais violados por governos despóticos. Observados tais pressupostos, não haverá incompatibilidade legal ou ética que impeçam a atuação conjunta das entidades e das forças de paz.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Em 1999, a organização Médicos sem Fronteiras é agraciada com o Prêmio Nobel da Paz&lt;/span&gt;. Criada em 1971 com o objetivo de levar assistência médica às populações em perigo e testemunhar as tragédias e violações aos direitos humanos, estrutura-se como entidade humanitária sem fins lucrativos e nenhuma vinculação política, econômica ou religiosa. Mantida exclusivamente por donativos privados, é famosa pela eficiente prestação de assistência médica às vítimas de catástrofes de origem natural ou humana. O Comitê do Nobel reconheceu que seus voluntários são dotados de grande coragem, elevada dignidade e espírito de sacrifício, virtudes que são uma grande fonte de esperança para a paz e a reconciliação.&lt;br /&gt;A premiação oxigenou a ação humanitária. A nova face do movimento procura unir assistência aos necessitados à denúncia das atrocidades. Embora represente um avanço em relação à neutralidade dos primeiros tempos, a nova postura ainda está longe de ser consensual. &lt;span style="color:#000099;"&gt;Na verdade, a ação humanitária contemporânea encontra-se diante do seguinte dilema: escolher entre a compaixão e o engajamento político&lt;/span&gt;. O resultado do embate entre essas duas tendências será decisivo para o futuro do movimento.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Os mais conservadores sustentam a necessidade de permanecer fieis aos princípios éticos do humanitarismo – compaixão, voluntariado, não-ingerência, universalismo, assistencialismo, neutralidade, devotamento individual, conforto espiritual e luta pela sobrevivência das populações desfavorecidas&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Acreditam na solidariedade desinteressada das organizações não-governamentais e nas ações humanitárias espontâneas que se manifestam diante acontecimentos catastróficos como enchentes, incêndios, epidemias, pobreza extrema, etc.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Outros militantes, inconformados com as desigualdades sociais, reivindicam um mundo mais justo e igualitário. Cada vez mais distanciados da caridade e da filantropia, denunciam a exclusão, a miséria e a fome dos países periféricos&lt;/span&gt;. Apóiam reivindicações de desempregados, famintos, desabrigados e camponeses sem terra. Mesmo nos países desenvolvidos, a preocupação com as pessoas em dificuldade tem apresentado um crescimento substancial. Na França, por exemplo, os Restaurantes do Coração, associação civil criada em 1985 pelo célebre humorista Coluche com o objetivo de alimentar os indigentes que vagam pelas ruas das cidades, gozam de grande popularidade. Importantes astros da música popular francesa fazem tournées gratuitas no país a fim de aumentar o número de voluntários e arrecadar fundos para a realização dos projetos da entidade.&lt;br /&gt;O Brasil tem sido protagonista de muitas lutas humanitárias. Em 1993, o Movimento pela Ética na Política lançou a “Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria e pela Vida” com o objetivo de combater a fome, a pobreza e a exclusão social no país. Seu principal líder, o sociólogo Betinho, conseguiu mobilizar a sociedade civil para a distribuição de alimentos, vestimentas e abrigos, além de desenvolver projetos de educação para meninos de rua, assentamento de camponeses, hortas comunitárias, geração de emprego e renda, etc. Essa iniciativa quebrou o clima de indiferença da classe média em relação aos milhares de famintos que padecem dos males da injustiça social que assola a nação brasileira.&lt;br /&gt;Mas não é só isso. &lt;span style="color:#000099;"&gt;A onda humanitária também sensibiliza importantes segmentos empresariais&lt;/span&gt;. O desejo de melhorar a imagem diante do mercado consumidor, a tentativa de restabelecer a crença dos empregados nas virtudes da empresa e o interesse em reforçar as relações entre pessoas envolvidas nos trabalhos de equipe são alguns dos objetivos a serem alcançados a partir dessa nova estratégia. A multinacional Danone, por exemplo, estimula seus executivos a participar de projetos educacionais destinados a alunos de primeiro grau. A Fundação Club Méditerranée promove sessões de cinema para os desabrigados e faz excussões noturnas pelas ruas de Paris para ajudar os mendigos. No Brasil, a Fundação Bradesco desenvolve projetos educacionais, visando educar e profissionalizar crianças e adolescentes pobres. Até mesmo estrelas do futebol e da música popular têm destinado parte de seus lucros para a promoção de projetos humanitários.&lt;br /&gt;Não se pode dizer que essas iniciativas sejam absolutamente desinteressadas. Em muitos casos não passam de artifícios retóricos para encobrir contradições sociais. Verdadeiros paliativos à miséria, ao desemprego e a fome. Em outros, é clara a influência do marketing político, ávido por alavancar a imagem de clientes famosos. Isso sem falar daqueles que querem parecer magnânimos aos olhos da sociedade, posando de grandes beneméritos de um povo sofrido e injustiçado. Mas o que ninguém pode negar é que as novas vertentes humanitárias têm contribuído para aliviar o sofrimento das populações excluídas, restituindo-lhes um pouco da dignidade perdida.&lt;br /&gt;Muitos consideram a ação humanitária excessivamente paternalista e imediatista. Argumentam que, antes de nutrir, agasalhar e medicar, é necessário preparar o homem para o exercício concreto da cidadania. De nada adianta alimentá-lo hoje, se amanhã ele irá defrontar-se com as mesmas condições de pobreza em que se encontrava anteriormente. &lt;span style="color:#000099;"&gt;Na verdade, o humanitarismo não ambiciona governar as nações socorridas, tampouco implantar esta ou aquela ideologia política. O grande propósito é garantir o direito à vida, assegurando as condições mínimas de sobrevivência às populações em perigo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Qual a razão do sucesso da ação humanitária? O século 20 terminou melancolicamente. Já não se crê nas grandes utopias. Os partidos políticos estão em franca decadência: deixaram de ser a vanguarda das transformações sociais. O mercado parece ser o grande maestro da pós-modernidade. Diante dessa perspectiva pessimista, o humanitarismo surge como uma nova forma de cidadania. &lt;span style="color:#000099;"&gt;As pessoas compreenderam que não podem cruzar os braços diante da intolerância, da exclusão social e da violência. E a prática dessa nova faceta da solidariedade talvez seja o melhor caminho de construir um mundo melhor.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8713493490589214750?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8713493490589214750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8713493490589214750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8713493490589214750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8713493490589214750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/01/acao-humanitaria-nova-face-da.html' title='O QUE É AÇÃO HUMANITÁRIA?'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4418113312465372536</id><published>2010-01-26T19:09:00.024-03:00</published><updated>2010-01-28T15:35:36.767-03:00</updated><title type='text'>O QUE PODERIA TER SIDO SE...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A vida tem várias facetas envoltas em insondáveis mistérios. O ser humano é capaz de satisfazer-se com o que conquistou? Por que o vazio existencial insiste em nos atormentar depois que atingimos determinado objetivo? Será que precisamos de desafios permanentes e infinitos para nos sentirmos vivos? Tenho meditado muito sobre essas questões, mas não tenho resposta definitiva. Acho que nunca desvendarei essa trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tese muito recorrente na obra poética de Mendonça Júnior é a de que &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;os desejos que permanecem na dimensão dos sonhos são muito mais importantes que as realizações terrenas: &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;"Se o bem mais desejado, à mão, nos vem, ao estreitá-lo no peito, já todo o seu encanto está desfeito e nem parece mais o mesmo bem"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O&lt;/span&gt; soneto Velocípede&lt;strong&gt;,&lt;/strong&gt; transcrito abaixo, é a metáfora das aspirações frustradas que se fixam na memória como possibilidade longínqua de felicidade. Elas existem para jamais serem satisfeitas, posto que habitam na &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;dimensão do que poderia ter sido se&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que estamos condenados a viver eternamente incontentados, insatisfeitos com a vida real. O sonho inatingível é a grande utopia individual, o Jardim das Delícias, o Éden espiritual. Admiro muito as pessoas resignadas, perfeitamente satisfeitas e felizes com a concretude da realidade cotidiana. Talvez esse seja o caminho da serenidade, ou da "&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;tranqüilidade da alma&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;", como preferia Sêneca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei se é maldição ou destino a incessante busca dos sonhos impossíveis. Acho que é por isso que tantas pessoas dedicaram suas vidas a procurar a &lt;span style="color:#000000;"&gt;Pedra Filosofal, a Fonte da Juventude, o Santo Graal, o Eldorado&lt;/span&gt;. Talvez seja essa a força que impulsiona a vida e impede a acomodação estagnante; talvez seja a expectativa de viver algo extraordinário, inusitado, fantástico. As pequenas conquistas do cotidiano alegram e alimentam a auto-estima. Elas são necessárias para fortalecer o espírito e me estimular a seguir em frente. O sentimento de frustação é derrotista, desanimador. Mas confesso, que os &lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;velocípedes cromados&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; também povoam meus devaneios...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;O VELOCÍPEDE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Mendonça Júnior&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda sinto que me falta&lt;br /&gt;o lindo velocípede cromado&lt;br /&gt;que foi a minha aspiração mais alta&lt;br /&gt;e o meu primeiro sonho malogrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frequentemente, ante os meus olhos salta&lt;br /&gt;esse brinquedo que me foi negado&lt;br /&gt;e o menino de outrora ainda se exalta&lt;br /&gt;e esbraveja, sentindo-se frustrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consola-me pensar que nehum bem,&lt;br /&gt;depois de conquistado se mantém&lt;br /&gt;ao nível em que pairou como esperança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só se guarda vivo na lembrança&lt;br /&gt;Aquilo que se quer e não se tem,&lt;br /&gt;o que mais se deseja e não se alcança.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4418113312465372536?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4418113312465372536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4418113312465372536' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4418113312465372536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4418113312465372536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/01/vida-tem-varias-facetas-maioria-envolta.html' title='O QUE PODERIA TER SIDO SE...'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-6253896202569206286</id><published>2010-01-20T22:58:00.015-03:00</published><updated>2010-01-23T00:27:59.280-03:00</updated><title type='text'>A FELICIDADE NO COTIDIANO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em recente entrevista à Paris Match, Sebastian Marroquin, filho do sanguinário narcotraficante Pablo Escobar, Chefe Supremo do Cartel de Medelín, na Colômbia, falou do documentário intitulado &lt;em&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;Os Pecados de Meu Pai&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, que será exibido em breve nos cinemas. Depois de viver muitos anos na Argentina, resolveu assumir sua verdadeira identidade, contar a história da família e pedir desculpas ao povo colombiano pelas atrocidades cometidas pelo pai.&lt;br /&gt;Durante a perseguição implacável imposta a Escobar, Sebastian foi obrigado a viver trancafiado nas centenas de esconderijos escolhidos pelo Cartel de Medelín. O regime de "prisão domiciliar" durou cerca de 10 anos, consumindo toda sua infância. A agonia só acabou quando o narcotraficante foi encontrado pela polícia e morto após violenta troca de tiros em 1993.&lt;br /&gt;Num dos trechos mais pungentes da entrevista, Sebastian relembra os dias de fome que passou quando se encontrava abrigado em casa de agricultores, nas imediações da cidade Medelín. Os policiais montaram uma barreira na frente do esconderijo e ali permaneceram durante uma semana, sem saber que os foragidos estavam tão perto. Pablo Escobar mantinha dois sacos contendo a quantia de 2 milhões de dólares em espécie. Mas com toda essa dinheirama, a família não podia comprar sequer um pedaço de pão.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Esta situação paradoxal, obriga-nos a refletir sobre a dicotomia riqueza-liberdade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. De que adianta sermos ricos, poderosos e temidos se não podemos gozar os prazeres simples da vida como ir à padaria do bairro ou visitar o melhor amigo? E ter milhões na conta bancária, mas viver sob permanente tensão já que a fortuna foi obtida ilicitamente? Vale a pena tanto apego às coisas materiais se somos obrigados a abdicar dos prazeres mais singelos como chupar um picolé, comer pipoca na praça ou sentar nas areias da praia para contemplar um belo pôr do sol? Sei que estou entrando em terreno perigoso, pois essas questões são universais e foram discutidas pelos grandes filósofos desde a Antiguidade.&lt;br /&gt;Em meu ofício de promotor de justiça, vejo a vida de tantos jovens se despedaçar ao entrar no mundo do crime! Mortes prematuras, inocência perdida, infância fanada, famílias despedaçadas... Em troca de quê? De um celular de luxo, roupas de grife, algum dinheiro e a vida abreviada por uma execução sumária. Outros que tinham tudo, mas que desperdiçam suas carreiras ao chafurdar na corrupção. Essas decisões equivocadas e destrutivas sempre me intrigaram. Nunca consegui compreender por que tantas pessoas jogam na lama uma reputação que consumiram anos a construir.&lt;br /&gt;Nada tenho contra a riqueza construída com o suor do trabalho ou legitimada por herança, laços de matrimônio e outras formas legais. Se a pessoa acha que a acumulação de bens materiais a fará feliz, é natural que percorra esse caminho. Se procurar usar parte do dinheiro para investir em ações de solidariedade, tanto melhor. Mas o que importa aqui é analisar o estado de espírito de quem enriqueceu ilicitamente e agora vive sob a permanente tensão de ser obrigado a prestar contas à Justiça, ou pior, à Polícia Federal.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Acredito que a maior dádiva do ser humano é a paz de espírito, esse estado emocional em que tudo conspira para a serenidade, calma e harmonia interior.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Não pretendo discutir os caminhos que levam à felicidade. Falta-me arte e engenho para tanto. Tampouco quero me transformar em autor de auto-ajuda. Meu objetivo é fazer uma rápida incursão na filosofia para tentar responder as perguntas aqui formuladas.&lt;br /&gt;Socorro-me de Sêneca, um dos mais importantes estóicos da Antiguidade, que foi preceptor de Nero (aquele mesmo que ateou fogo em Roma). A base teórica dos seus ensinamentos consistia na idéia de que o homem deveria viver de acordo com sua natureza, adaptando-se a todas as situações com que se deparasse, mesmo as mais adversas.&lt;br /&gt;Sêneca escreveu um discurso intitulado &lt;em&gt;Da Tranquilidade da Alma&lt;/em&gt;, em que apresenta preciosos conselhos para quem deseja paz de espírito. Prega o desapego às coisas materiais em troca da riqueza interior. Para ele o melhor critério para lidar com o dinheiro consiste em não cair na pobreza nem dela afastar-se completamente. A riqueza é vista como uma permanente fonte de infortúnios e desgraças, a menos que os bens sejam usados para ajudar ao próximo: “onde houver um ser humano, aí haverá a possibilidade de se fazer o bem”.&lt;br /&gt;Para ele &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;a harmonia da alma é o bem supremo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Pregava a necessidade de uma vida retirada, consagrada às coisas do espírito, longe dos prazeres que escravizam a mente e tolhe a liberdade. Defendia que é preciso cultivar o comedimento, a refrear a luxúria, a moderar a ânsia de glória, a suavizar a ira, a olhar com simpatia a pobreza, a cultivar a frugalidade. Enfim, a felicidade consistia em uma vida virtuosa em que nossos atos refletissem fielmente os valores éticos em que acreditamos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O iluminismo prometeu que a felicidade estaria na vitória da razão sobre a supertição. Apenas o progresso científico e material seria capaz de assegurar a tranquilidade da alma ao maior número de pessoas. O &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;droit au bonheur &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;(direito à felicidade) está estampado na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. A felicidade geral era a maior aspiração do Utilitarismo inglês, na pluma de Jeremy Bentham. Infelizmente as promessas não foram cumpridas e terminamos voltando à estaca zero, com as mesmas perguntas e perplexidades.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Tenho a convicção que toda a fonte da infelicidade consiste no descompasso entre as ações cotidianas e as nossas crenças mais íntimas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Isso acontece sempre quando a vida que levamos não reflete os que acreditamos. Ser infeliz é ter consciência da contradição entre o pensar e o agir, o que gera um estado de desarmonia interior profundamente nocivo à saúde. O sentimento de incongruência avança quando insistimos nos equívocos à espera que aconteça algum milagre.&lt;br /&gt;É evidente que a felicidade tem o seu lado objetivo, externo. Ninguém é feliz quando está privado das condições mínimas de existência digna, quando os seus direitos fundamentais são sistematicamente violados pelo Estado ou pela sociedade. A satisfação das necessidades básicas e o exercício da cidadania são pressupostos obrigatórios para o bem-estar do corpo e da mente. Mas também não podemos afirmar que a abundância de bens materiais seja um passaporte para a felicidade. Estudos desenvolvidos por cientistas sérios provam que a maioria dos ricos entrevistados se sentem infelizes, embora não sofram privações de suas necessidades básicas.&lt;br /&gt;A sociedade de consumo está calcada na superficialidade, no efêmero, na ausência de vínculos duráveis. Esse modelo estimula a inveja, a hipocrisia, o supérfluo, o imediatismo e tantos outros sentimentos negativos que envenenam a alma. A indústria famacêutica tenta explorar o vazio existencial criando a pílula da felicidade, apontada como a descoberta do século. Muitos escolhem o caminho do crime como o atalho para a construção de riquezas monumentais. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Mas a&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt; &lt;/span&gt;verdadeira felicidade só é possível como experiência subjetiva a partir da consciência de que os nossos atos refletem precisamente o que acreditamos, as nossas mais profundas e verdadeiras convicções.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-6253896202569206286?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/6253896202569206286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=6253896202569206286' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6253896202569206286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6253896202569206286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/01/em-recente-entrevista-paris-match.html' title='A FELICIDADE NO COTIDIANO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4393407502038829758</id><published>2010-01-14T22:05:00.010-03:00</published><updated>2010-01-16T10:56:16.045-03:00</updated><title type='text'>SOBRE A ARTE DE FLANAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando me perguntam se pratico esportes regularmente, respondo: caminhadas. Ainda criança, costumava passar as manhãs no Clube Fênix Alagoana onde jogava voleibol, futebol e outros esportes coletivos. Na rua em que morava, no bairro do Farol, havia campinhos improvisados que eram palcos dos populares “rachas” reunindo meninos da redondeza, ricos e pobres, sem discriminações. O abismo social ainda não nos tinha sido apresentado pela sociedade capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já adulto, os amigos foram se dispersando e os encontros escassearam-se até desaparecerem completamente. Alguns mergulharam nos intermináveis compromissos do casamento, outros engordaram, muitos sucumbiram ao sedentarismo, sem falar daqueles que simplesmente sumiram sem deixar vestígios de suas histórias de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que comecei a praticar esportes individuais, sobretudo caminhadas diárias à beira mar. Nunca fui muito resistente a corridas, embora hoje tenha mais fôlego do que antes – o que para mim é mais um mistério insondável da existência humana. Eu tinha 24 anos, era promotor de justiça e havia construído um simpático chalé na praia de Guaxuma. Estava em pleno gozo das prerrogativas que a liberdade e a independência financeira podiam propiciar a uma pessoa de minha idade. E adorava caminhar... Pés descalços na areia macia, vento acariciando os cabelos e a contemplação da paisagem marinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca caminhei para emagrecer, tonificar os músculos, fortalecer as funções cardíacas ou aumentar os meus dias de vida no Planeta Terra. As caminhadas serviram muito mais para exercitar o cérebro do que o corpo. As melhores idéias que tive se revelaram no curso de uma boa caminhada. A solução de muitos problemas existenciais, profissionais e financeiros aconteceu nas mesmas circunstâncias. São momentos mágicos em que entramos em perfeita sintonia com a natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retifico o que disse acima. Andar não é um esporte, mas um estilo de vida. Tem gente que anda para não ter um enfarte, para se entorpecer de endorfina ou para conter a agressividade. O que faço é diferente. Aproxima-se muito do que denominamos flanar, isto é, caminhar sozinho, sem rumo, observando calmamente a paisagem urbana ou rural (no meu caso, marinha), com a mente livre e o corpo relaxado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O flâneur&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; foi eternizado pelo poeta francês Charles Baudelaire no ensaio intitulado &lt;em&gt;O Pintor da Vida Moderna&lt;/em&gt;, publicado no Século XIX. Personagem tipicamente parisiense, o &lt;span style="color:#000000;"&gt;flâneur&lt;/span&gt; é descrito como um caminhante anônimo que observa apaixonadamente o espetáculo da vida, que recolhe impressões do cotidiano e as eterniza no papel quando ainda se encontram bem vivas em sua memória. Graças a ele, foram criados os bulevares, os jardins, os passeios públicos, lugares onde a paisagem “feita de gente viva” se mistura ao esplendor das árvores e flores. Mesmo no Brasil contemporâneo,  áreas urbanas são especialmente projetadas para os praticantes de caminhadas. São espaços frequentados por pessoas de todas as idades, com os mais diversos interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França produziu flâneurs como Diderot, Voltaire e Balzac, escritor que recolhia das ruas a maioria dos personagens de seus romances e conseguiu traçar um dos mais fiéis retratos da sociedade de sua época. Recentemente li &lt;em&gt;Os Devaneios de um Caminhante Solitário&lt;/em&gt;, o último livro escrito por Jean-Jacques Rousseau. Seu objetivo era descrever o estado habitual da alma durante as caminhadas solitárias pelos arredores de Paris. O método é simples: &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;manter a mente livre por inteiro para que as idéias e devaneios sigam suas inclinações, sem resistência e sem dificuldade&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo chegou a declarar que “&lt;span style="color:#000099;"&gt;essas horas de solidão e de meditação são as únicas do dia em que eu sou eu mesmo por inteiro e pertenço a mim sem distração, sem obstáculo, e em que posso dizer de verdade que sou o que a natureza quis&lt;/span&gt;”. A obra de Rousseau inaugura uma nova &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;estética do caminhar como autoconhecimento&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, sendo precursora de peregrinações como o Caminho de Compostela e a escalada de Machu Picchu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro &lt;em&gt;Meditar Caminhando&lt;/em&gt;, Thich Nhat Hahn, um monge vietinamita exilado na França, também fala dos benefícios psíquicos e físicos das caminhadas lentas, contemplativas, plenas de pensamentos positivos e exercícios respiratórios. Já testemunhei seguidores do líder budista aplicar suas técnicas em passeios pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com resultados maravilhosos para a saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos num mundo dominado pelo pragmatismo. As pessoas estão ávidas para consumir poções mágicas de vitalidade. Prolongar a juventude, manter-se atraente, gozar de saúde são aspirações legítimas e podem ser perseguidas com avidez por aqueles que aspiram melhorias em sua qualidade de vida. Pergunto: para que as esteiras mecânicas se o mundo está ao alcance de todos? As caminhadas não são meros instrumentos de fortalecimento do corpo físico. &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;O movimento pelo movimento de nada vale se não estimular a inteligência&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. A lição que nos deixa a arte de flanar é que as caminhadas são prazeres democráticos e benéficos tanto para o corpo como para a alma. E,ainda por cima, não custam nada!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4393407502038829758?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4393407502038829758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4393407502038829758' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4393407502038829758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4393407502038829758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/01/sobre-arte-de-flanar.html' title='SOBRE A ARTE DE FLANAR'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-2239198696457999295</id><published>2010-01-14T00:01:00.009-03:00</published><updated>2010-01-16T20:11:11.460-03:00</updated><title type='text'>COTIDIANO EM MOVIMENTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Cotidiano&lt;/em&gt;, de Chico Buarque de Holanda, é um clássico da música popular brasileira que fez muito sucesso nos anos 70 pela mensagem subliminar de inconformismo com a sufocante rotina de alguns casais. A narrativa não poderia ser mais clara: “todo dia ela faz tudo sempre igual”. E por aí segue com a descrição dos atos repetitivos, previsíveis e entediantes de sua mulher. O paradoxal é que o tédio do personagem não é provocado pela indiferença da fêmea, mas por um conjunto de manifestações de afeto que ela lhe dirige, possivelmente para manter acesa a chama do amor.&lt;br /&gt;Quase sempre a palavra &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;cotidiano&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; tem uma conotação negativa, estagnante. Geralmente é usada para descrever a acomodação das pessoas a hábitos adquiridos pela repetição mecânica ou inconsciente. Funciona como o escudo protetor daqueles que não querem deixar a zona de conforto para enfrentar os riscos de uma jornada incerta e inusitada. Representa o lado estático da existência humana, a sensação de segurança que experimentamos ao percorrer caminhos conhecidos que nos levam ao destino esperado, sem surpresas ou sobressaltos.&lt;br /&gt;Há pessoas que não quebram sua rotina por nada nesse mundo. Traçam uma rota para as suas existências e se recusam a tomar atalhos, arriscar novas trilhas, mergulhar no desconhecido. Qualquer desvio é motivo para inseguranças, temores, pânico. Acreditam ser possível proteger-se das incertezas cada vez mais presentes na sociedade contemporânea, tão complexa e fluida. São vagões que jamais saem dos trilhos.&lt;br /&gt;Muitas vezes é preciso que um acontecimento trágico nos desperte para a beleza da vida. Para as experiências maravilhosas que podemos experimentar se tivermos coragem de mudar de atitude, de vermos as coisas sob outra perspectiva. Somos obrigados a conviver com perdas. Essa é a lei da existência. Minha mãe partiu prematuramente aos 50 anos de idade, vítima de um derrame cerebral fulminante, deixando para trás os filhos, a música e a literatura que tanto amava. Meu pai foi arrancado da vida por um acidente automobilístico brutal, no auge de sua carreira profissional – ainda cheio de sonhos e energia. Agora mesmo meu tio Mendonça Neto luta bravamente contra um câncer com a mesma coragem com que combateu a corrupção e os desmandos de uma elite parasita que há séculos dilapida impiedosamente o Estado de Alagoas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nenhum desses acontecimentos poderia ser previsto por mim ou por quem quer que seja. O importante é que essas fatalidades não me tornaram um pessimista, invejoso ou descrente. Antes um otimista, como o Cândido, de Voltaire. Sou uma pessoa comum. Tenho virtudes e defeitos. Mas a cada dia reforça em mim a convicção de que é preciso evoluir moral e espiritualmente. Luto muito contra a dificuldade de dizer não, o injustificado sentimento de culpa e o altruismo exagerado que insiste em reconhecer o direito dos outros em detrimento dos meus. Enfim, nada que não possa ser superado através de reflexões racionais e objetivas.&lt;br /&gt;Há pessoas que simplesmente são incapazes de resistir às frustrações de expectativas. Não percebem que a vida tem várias portas e muitas delas podem nos trazer felicidade. Simplesmente não sabem lidar com a transitoriedade das coisas. Apegam-se a ilusões como o poder, a bajulação, os bens materiais, a notoriedade, mas não se preparam para as adversidades que todas as mudanças proporcionam. Não sabem enfrentar o ostracismo, a solidão, o esquecimento e a ingratidão. Fujo desse estigma e me recuso a assumir a condição de vítima de quem quer que seja.&lt;br /&gt;Em pleno século XIX, Baudelaire já afirmava que a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;modernidade é o transitório, o efêmero e o contigente&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Nada é permanente, sólido, imutável. A vida não pode se cristalizar em hábitos que produzem a falsa sensação de segurança. As nossas certezas viraram pó. O que hoje é novidade, amanhã será obsoleto. Os castelos inespugnáveis podem se transformar num amontoado de grãos de areia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis o que eu queria dizer: &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;O COTIDIANO TEM DE ESTAR EM PERMANENTE MOVIMENTO!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Nada impede que a rotina modorrenta possa se transformar na exploração do novo, do desconhecido e do belo. Como adotar um novo paradigma para as nossas vidas? Uma amiga muito querida costuma dizer que “a criatividade é infinita”. Ela tem razão. Não há respostas prontas. Cada um tem o seu ritmo e intuição, a voz interior que insiste em nos lançar no labirinto desse mistério que se chama vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Feliz 2010!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-2239198696457999295?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/2239198696457999295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=2239198696457999295' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2239198696457999295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2239198696457999295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2010/01/cotidiano-em-movimento.html' title='COTIDIANO EM MOVIMENTO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-1720341389173307650</id><published>2009-12-14T21:48:00.003-03:00</published><updated>2009-12-16T00:57:47.384-03:00</updated><title type='text'>A BELA</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;Certamente, alguns de vocês haverão de lembrar quando neste espaço, relatei um particular caso que envolvia um erudito amigo; amante e praticante&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;do mais puro materialismo dialético.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Naquela oportunidade ele, com a mais absoluta segurança,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;afirmava &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;ser o conceito de beleza abstrato e relativo. Da mesma forma, defendia ardentemente que o amor romântico era&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;mera criação dos trovadores e cavaleiros da Idade Média, impossível de existir no atual mundo pragmático e tecnológico. Tal quimera,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;só seria&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;possível&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;nas fantasiosas mentes das românticas amantes de telenovelas e leitoras de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Sabrina.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Todos lembram-se, do mesmo modo, quando, em determinada quadra, fui surpreendido com a inesperada mudança de opinião do amigo a respeito das pétreas teses que defendia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Operou-se a surpreendente mudança quando ele, trêmulo e embevecido com a inesperada visão que tivera, não lembro bem, se numa moderna academia, se numa aula de natação ou até mesmo numa procissão , me confessou como uma criança diante de seu primeiro brinquedo que retirava todos os argumentos assacados contra a existência da beleza e reconhecia, sem&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;qualquer pudor erudito, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;sua concretude, pois a vira &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;personificada ali&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;naquela&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;figura transcendental.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Tal visão,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;fizera seu outrora frio e matemático ponto de vista, ruir como um sorvete ao sol.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;Tão aparvalhado estava o amigo naquele instante, que sequer tive&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;a iniciativa de&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;solicitar a descrição da criatura causadora de tal estrago.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;O meu espanto&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;com semelhante mudança me fez&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;olvidar a instintiva e natural curiosidade sobre aquele ser encantador, causador da impressionante hecatombe naquele&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;convicto materialista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Ali mesmo, lembro bem, mergulhei em ilações um tanto quanto frias e analíticas, na tentativa de descobrir o que levara o amigo àquela infeliz condição. Rapidamente passaram por minha cabeça análises que sempre estávamos acostumados a&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;fazer antes daquele pobre ser entrar em surto.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;/span&gt;Ocorre-me agora a lembrança: Ao tempo de sua sanidade mental, uma das principais teses abordadas por nós,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;era sobre o recorrente tema do domínio que a natureza&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;exerce sobre suas criaturas e, principalmente,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;sobre a armadilha que ela nos joga, no seu desiderato de perpetuar a espécie e repassar nossa carga genética.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Do alto daqulea pretensa erudição, assim como de nossa suposta segurança antropológica, sempre nos julgamos imunes aos&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;laços de tal armadilha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Pacífico,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;era o entendimento de que a natureza, quando pretende dar seguimento à espécie, atira à suas vítimas um feitiço que faz com que cada um dos sexos veja no outro, atributos e qualidades que se encontram muito além de um ponto de vista sensato, lhes&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;aguçando e exagerando todos os sentidos e revolvendo em seu interior,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;forças nunca antes imaginadas.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Vejam o salmão!&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Nada exaustivamente até a cabeceira do rio em que um dia nasceu para, uma vez lá, cumprir seu último e mortal ritual de acasalamento. O macho da viúva negra que dá a vida por uma cópula. O Louva -Deus, decapitado pelo mesmo objetivo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Da mesma forma, homem ou mulher, quando elegem um parceiro que o instinto determinou para&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;o repasse de sua carga genética, de nada adianta apelos de&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;familiares ou amigos,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;demonstrando ser aquele parceiro um perfeito canalha e que aquela escolha é um desastrado erro do ponto de vista das relações sociais e humanas.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Não há quem os demova.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;No ser humano, o alvo da natureza é aquilo&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;que julgamos nosso atributo superior, a razão.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Assim, nessa tocaia natural, ela é a primeira baixa.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Em consequência, torna-se o homem&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;patético e ridículo,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;tamanhas as forças da transformação que nele se opera.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Em sua trama, a natureza envia ao cerébro de cada um dos enredados personagens,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;comandos&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;que os levam a superestimar qualquer traço ou atributo físico existente no outro. Um pequeno traço no rosto torna-se&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;um obelisco de beleza; um determinado jeito de olhar torna-se um encanto; uma palavra que, lançada em normal contexto,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;soaria tola e enfadonha, para o enamorado soa como um Cântico de Salomão. Enfim, como diria o poeta, tudo torna-se divino e maravilhoso, uma vez a vítima tenha sido tocada pelo inebriante efeito da &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Mágica&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Poção.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;   &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Discutíamos isto e nunca desconfiei&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;que nosso seguro e impassível amigo&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;viesse&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;ser um dia,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;vítima de tal feitiço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;        &lt;/span&gt;Mas…,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;apenas pretendo&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;dizer&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;que,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;diante de um perfeito e acabado exemplo confirmatório da existência de tais forças, não tive, naquele momento, presença de espírito para colher do agora romântico &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Zumbi&lt;/i&gt; ,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;uma descrição detalhada da criatura que lhe havia&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;turbado a razão daquela maneira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Dias depois encontro-o&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;em&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;transe&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;de menor voltagem,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;mas ainda enebriado pelo traiçoeiro golpe desferido pela natural &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Circe&lt;/i&gt; e então&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;finalmente&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;peço-lhe em tom de gozação:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Amigo,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;descreva-me a&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;tal&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Vênus que lhe transtornou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;E ele, com olhos faiscantes de encantamento, mente atravancada de sonhos, boca atulhada de elogiosas palavras,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;começou:&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;        - Pra começo, é pernóstica!! Pernóstica sim,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;muito pernóstica!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;    Eu pasmo.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;- Pernóstica ?&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;Como assim&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;pernóstica ?&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;Se o deixou maluco !&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;    E ele, tentando se fazer entender:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;    - Explico amigo. Não é pernóstica no sentido usual. Digo que é&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;pernóstica pelas belas e longilíneas pernas que possui.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Precisa ver!!!&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;(Disse com olhos injetados )&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;-Duas colunas do mais belo e puro mármore de Carrara.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;     Sentindo o bem que tais forças telúricas&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;estavam provocando&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;no humor do pobre amigo insisti,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;reconheço, com uma pequena dose de malvadeza, em obter maiores detalhes só pra ver até onde&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ia aquela alucinação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Fustiguei-o, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;tal qual um curioso padre no&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;confessionário.&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;– E aí…&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;e aí, o que tem mais?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Com medo de ser traído por suas confidências, o amigo deu uma discreta olhadinha em volta, enrubesceu as bochechas, estufou o peito e continuou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;- Aquele rosto… Ah…&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;que rosto!!&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Os traços são de uma legítima beleza helênica.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Seu perfil parece saido de uma ânfora grega.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Tem boca de suculento morango e olhos de&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt; Capitu&lt;/i&gt;. Os cabelos, longos e sedosos, pendem de sua cabeça&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;e, como uma negra cascata,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ganham os contornos dos ombros,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;descem novamente lisos até misturar suas finas pontas aos dourados pelos lombares.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Findam-se pendurados num doce bailado perto daqueles dois furinhos,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;resquícios da criação Divina; quando ao concluir sua obra prima, Deus&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;deu-lhe um empurrãozinho&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;com dois dedos na região lombar,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;dizendo:&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;    &lt;/span&gt;“ Te chamarei mulher…&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;agora vai…&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;vai levar a loucura ao inocente e incauto Adão .”&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;Restando daquela ação, apenas as duas marquinhas que, até hoje,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;a todos encantam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Ao notar que o amigo estava quase em estado hipnótico,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;tal qual o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Professor Aquiles Arquelau&lt;/i&gt;, aquele incorrigível apaixonado por Bruna Lombardi, fiz de um pigarro a campainha para o trazer&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;de volta à realidade. Então ele estremeceu e continuou:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;-Desculpe-me, quase me perdi em devaneios heréticos e eróticos, mas…, prosseguindo:&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Mãos e pés são talhados com uma finura de causar admiração a um Michelângelo. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Aliás, por falar nisto, este ficaria pasmo com a perfeição das proporções que reinam no corpo daquela criatura. O amigo sabe muito bem que o segredo da beleza está nas proporções das medidas.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Não é ??&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Sempre concordamos sobre a existência das medidas denominadas medidas de ouro, ou&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;melhor dizendo, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;proporção áurea&lt;/i&gt;, encontrada na natureza e reproduzida pelos gênios em várias de suas criações artísticas como no &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Parthenon&lt;/i&gt; na acrópole grega, no&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Nascimento de Vênus&lt;/i&gt;, de Botticelli e em muitas&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;outras&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;geniais criações humanas. &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;- Pois é amigo, lhe asseguro; a bela possui, sem sombra de dúvidas, tais medidas. Seu corpo é uma perfeição de proporções. Nada&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ali foi posto demais,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;nada&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ali&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;revela-se de menos. Prosseguiu ele em seu transe, até notar que, de fininho, eu saíra deixando-o a falar sozinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Diante daquela quase lunática ode à beleza, pensei comigo: “Realmente o lastimável estado em que se encontra o amigo é uma prova acabada daquilo que tanto havíamos observado nos outros. Seu transe demonstra as indomáveis forças da natureza agindo nos genes da pobre criatura. Ele não é mais ele, é um reles fantoche que&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;a natureza está usando para se reproduzir.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Não importam as consequências mundanas que lhe advirão, o importante ali é o secreto desejo do gene egoísta que pretende se replicar.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Tomara Deus,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;passe logo tal feitiço”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Apavorado com tamanha transformação e regressão do amigo, só tive tempo de lembrar e observar como, a natureza e o tempo, com suas forças e necessidades, fazem o arco da vida quase tocar suas extremidades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;O que eu vira ali,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;era o vigor e o entusiasmo que existiram um dia no jovem, ressurgindo&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;naquele&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Casmurro&lt;/i&gt; senhor&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;com a mesma força e viço descomunal de antes,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;numa demonstração de que somos meros instrumentos de uma ordem ou lei natural, interessada apenas no seu próprio script, o qual tem seu objetivo voltado apenas para a perpetuação do gene e da espécie. Enquanto que, como&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;seres individuais, somos tristemente ignorados,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;descartáveis e pseudos senhores do nosso destino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:72.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Isaac Sandes &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;14/12/2009.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-1720341389173307650?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/1720341389173307650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=1720341389173307650' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1720341389173307650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1720341389173307650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/12/bela.html' title='A BELA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-9073119613452906452</id><published>2009-12-04T20:58:00.004-03:00</published><updated>2009-12-15T22:24:39.969-03:00</updated><title type='text'>Dos homens, pés e sapatos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Isaac Sandes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt; &lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;recorrente e surdo combate existente entre&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;jovens e&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;velhos,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;pertecentes às mais diversas instituições e segmentos, quer sejam de&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;trabalho, de lazer ou política, me obrigou à seguinte reflexão:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;A humanidade e os indivíduos, os pés e os sapatos,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;guardam entre si, muita semelhaça no&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;contexto da jornada humana.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Como os sapatos os indivíduos podem ser novos ou velhos.&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Como os pés, a sociedade pode ser calejada ou imatura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Todos guardam entre si, uma relação de simbiose e completude, onde suas importâncias e necessidades&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;mútuas deverão ser respeitadas,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;jamais buscando&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;prescindir uns dos outros para o sucesso da caminhada comum.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Quando os jovens são inundados pelas forças dos hormônios, costumam dar azo a um velho discurso de gerações passadas, o qual prega estar o velho&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;ultrapassado para o ingente&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;esforço social. &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Por seu lado, ao&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;sentirem a sorrateira chegada da&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;velhice, os homens maduros vão entoando uma catililnária&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;que, da mesma forma, prega o despreparo do jovem para posições de destaque no contexto social.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Todos se acusam e se esforçam em demonstrar as deficiências uns dos outros,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;e esquecem&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;de&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;dirigir um simples olhar para o&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;sábio exemplo que nos é dado pelo uso de nossos&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;sapatos e &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;pelas aptidões de nossos pés.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Com os sapatos aprendemos que, para&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;o sucesso de uma caminhada longa e tortuosa, sem o surgimento de calos e bolhas,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;segura e sem percalços, teremos, obrigatoriamente,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;que fazer uso de sapatos velhos,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;os quais,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;devido à&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;sua&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;flexibilidade e maciez,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;adaptam-se facilmente&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;àquele tipo de&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;jornada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Se, ao contrário, pretendemos fazer uma caminhada arrojada, exibida,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;cheia de performance e açodada, teremos obrigatóriamente que lançar mão de sapatos novos, brilhantes de solado impecável e com um grande tempo de uso pela frente, pois estes, por sua resistência e beleza, se prestam melhor para tal missão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Da mesma forma,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;são os pés e os&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;homens. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Para&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;duras e tortuosas caminhadas, por terrenos pedregosos e áridos, melhor se adequam a ela os pés calejados e empedernidos, assim como, pés jovens e imaculados,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;melhor se prestam para caminhadas curtas e velozes&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;e sem percalços.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;A mesma estratégia se aplica aos homens. Para tarefas que exigem maturidade e razão, deveremos contar com homens maduros,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;experimentados, dotados da mais ampla sabedoria.&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Do mesmo modo, se os obstáculos a serem vencidos necessitam de arrojo e audácia, devemos, para isto,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;contar com homens jovens e cheios de vitalidade para sua transposição.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Dessa forma, todos, sem exceção, reclamam e merecem ver reconhecido, o seu espaço na caminhada da humanidade. Com o devido cuidado e respeito devemos apenas, na&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;partilha da jornada a trilhar,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;entregar&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;a cada um, a tarefa&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;que possa realizar com excelência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Se, em determinada quadra do caminho, tivermos que trilhar uma estrada cheia de armadilhas, pedregosa e que necessite de grande experiência no seu percurso, não devemos destinar este trecho a pés macios e não calejados, calçados em sapatos novos e rígidos. Pois, fatalmente, eles não irão concluí-la satisfatoriamente, tamanhos serão os estragos advindos da impropriedade do conjunto - sapatos novos/pés macios.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Ao contrário, se a estrada a ser trilhada requer força, arrojo e ação enérgica para se rápido trilhar, não devemos entregá-la a pés ressequidos e calejados, calçados em sapatos velhos e folgados. Pois, da mesma forma, estes não irão cumprir sua missão a contento, pois já não possuem a higidez, o viço&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;e o fogo da juventude. &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;A necessidade do grande dispêndio de energia, de brilho e rapidez na ação, fatalmente vencerão aqueles velhos pés, calçados em frouxos e velhos sapatos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Portanto, o que pretendo dizer é que jovens e velhos jamais podem e nem devem prescindir um do outro, agindo cada um no seu&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;território particular e com as&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;aptidões e eficiências&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;que lhes são próprias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Pois como as estradas, a vida é cheia de trechos tortuosos e ardilosos aqui, ou repleta de urgentes&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;e impetuosos desafios acolá. No entanto, todos,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;para a conquista&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;objetiva do bem comum,&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;devem&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;unir seus mais caros valores&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;e despender&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;os seus&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;maiores&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;esforços.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Isaac Sandes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;25/11/2009.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;   &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-9073119613452906452?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/9073119613452906452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=9073119613452906452' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/9073119613452906452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/9073119613452906452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/12/dos-homens-pes-e-sapatos.html' title='Dos homens, pés e sapatos'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-6987563074339270056</id><published>2009-11-25T02:29:00.002-03:00</published><updated>2009-11-26T09:11:00.461-03:00</updated><title type='text'>COMENDO UM GALO</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;b&gt;Isaac Sandes&lt;/b&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;A estorinha é conhecida de todos:&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;“O bêbedo ia sendo conduzido sob violenta surra por policiais, quando, passando por uma&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;caridosa velhinha, esta apelou:&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;- Pelo amor de Deus, matem logo esse pobre coitado,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;mas não o maltratem tanto -&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Apesar&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;da violenta surra que ia levando, o bêbedo ainda ouviu a sugestão da velhinha e teve tempo de se defender:&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Não, senhora, por favor.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Do jeito que vai, vai muito bem. “&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Tal&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;estorinha vem muito a propósito de recentes fatos que vi publicado nos jornais diários.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Em cinematográfica operação que, por sua envergadura, deve ter deixado fronteiras desguarnecidas, matas indefesas e população a mercê da marginalidade, reuniu-se a fina flor da Polícia Rodoviária Federal, do IBAMA e da Policia Civil alagoana, para coibir uma atividade que, com certeza, vinha abalando as estruturas da segurança e bem estar do mundo animal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Não estou falando de um estouro de Gnus do Serenghetti, ou do assassinato do último casal de ararinha azul, ou ainda, da proteção do último tigre dente de sabre.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Falo da gigantesca operação levada a efeito pelo conjunto de forças acima mencionado, a qual numa espetacular intervenção que contou com armas que faziam os morros cariocas tremerem nos sapatos, efetuou&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;a prisão de cerca de 120 pessoas, entre espectadores e proprietários, e a apreensão de cerca de 320 galos de briga, tudo isso em poeirentas rinhas de ponta de rua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Mas, alguém há de perguntar: “Onde é que entram o bêbedo e a velhinha nesta estória ? ”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Explico: Os bêbedos seriam os galos apreendidos e a velhinha seriam os heróicos agentes envolvidos na galinácea operação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Como assim ???&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;- Compreenderão quando contextualizar o desenlace da galiforme ação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Concluída e comemorada com estrondoso sucesso, a operação, ao final, teve inusitado desfecho. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Tal qual a velhinha da estória,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;os operantes agentes,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ficaram tão sensibilizados com os maus tratos a que estavam sendo submetidos os pobres galos que, lhes impuseram o destino pretendido para o bêbedo; &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;mataram todos 320 galos e os converteram em alimento de presidiários. Como os pobres galos não podiam falar tal qual os galinhos de estórias em quadrinhos, não tiveram a oportunidade de sugerir aos zelosos agentes públicos que, da forma&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;como estavam sendo tratados na &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;rinha,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;estavam indo&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;muito bem,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;obrigado !!!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Teme-se agora possíveis desdobramentos violentos para esta estorinha.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Após a&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;compadecida morte dos trezentos e vinte galos gladiadores,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;e da sua conversão em alimento de presidiários, descobriu-se que todos&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;eram alimentados com hormônios virilizantes para que desenvolvessem agressividade e espírito de luta incomuns.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Assim, estão as autoridades vigilantes para que nas próximas rebeliões nos presídios não surjam presos brigando com esporões e bicos de tenazes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Isaac Sandes&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;25/11/2009&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-6987563074339270056?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/6987563074339270056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=6987563074339270056' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6987563074339270056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6987563074339270056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/11/comendo-um-galo.html' title='COMENDO UM GALO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-3474407125088223467</id><published>2009-11-21T00:41:00.004-03:00</published><updated>2009-11-21T01:33:21.228-03:00</updated><title type='text'>Pistas musicais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isaac Sandes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Aos de 40, aponto como bastante interessante o ressurgimento do Cantor inglês radicado no Brasil, Ritchie, que através do lançamento do DVD, " Outra vez " ao vivo, gravado em estúdio, (parece estranho, mas é assim mesmo)   reacende seus antigos sucessos como Menina Veneno,  A mulher Invisível  e  lança a inédita  Outra Vez,  canção título deste último trabalho, a qual, tenho certeza vai dar o que falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Aos que já chegaram aos 50, um bom mergulho no velho e bom rock, é o DVD  "Carl Perkins and Friends: Rockabilly Session ",  especial gravado para a televisão inglesa nos anos 80.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Numa verdadeira catarse, estão juntos e acompanhando Perkins, os monstros da guitarra, Eric Clapton, George Harrison e o Beatle baterista, Ringo Starr.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Para quem não conhece,  Carl Perkins ( 09/04/32 - 19/01/98) foi um norte americano pioneiro no estilo Rockabilly, mistura de rhythm and blues e country, responsável por imortais sucessos como "Blue Suede Shoes ",   imortalizado por Elvis Presley e "Honey Dont", gravada pelos Beatles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Talvez se encontre neste marcante evento, uma pista do porquê de serem os ingleses,  os grandes mestres mundiais  do Rock.  Ali resta demonstrado que eles bebem na mais autêntica e genuína fonte musical norte  americana, ao contrário da elite daquele País, que esnoba suas origens musicais e se satisfaz com a pasteurizada  e melosa música da Broadway.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;        &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-3474407125088223467?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/3474407125088223467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=3474407125088223467' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3474407125088223467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3474407125088223467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/11/pistas-musicais.html' title='Pistas musicais'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-2047584904355619153</id><published>2009-11-20T11:37:00.000-03:00</published><updated>2009-11-20T11:39:22.632-03:00</updated><title type='text'>TIRADAS DO MEU PAI, II</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Isaac Sandes&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;O ano é 1986,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;o momento é o final da campanha de Colllor para Governador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;A pequena cidade de Pão de Açucar&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;vibrava com o evento e o favoritismo do candidato. Sua empolgante oratória arrastava centenas e&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;milhares de admiradores para seus comícios.&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;O papo ia a todo vapor no senadinho formado na porta do &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;“ João da Farmácia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Então, chega Lula Caroso, amigo e conhecedor dos rompantes de meu pai&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;e provoca:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoListParagraph" style="margin-left:126.0pt;mso-add-space:auto; text-align:justify;text-indent:-18.0pt;mso-list:l0 level1 lfo1"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family:Cambria;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;span style="mso-list:Ignore"&gt;-&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;“ E aí&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Joãozinho !&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Vamos bater umas palmas no comício do Collor &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;? “&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;E&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;recebe a&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;fulminante&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;resposta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;-&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;    &lt;/span&gt;“ Lula, a última vez que bati palmas na minha vida foi em 1940,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;na cidade de Propriá, botando dois cachorros pra brigar. “&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;                &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-2047584904355619153?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/2047584904355619153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=2047584904355619153' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2047584904355619153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2047584904355619153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/11/tiradas-do-meu-pai-ii.html' title='TIRADAS DO MEU PAI, II'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-1724827070010183645</id><published>2009-11-19T23:37:00.003-03:00</published><updated>2009-11-20T11:29:50.377-03:00</updated><title type='text'>A FEIRA</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Isaac Sandes&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Somente quem&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;nasceu e viveu numa pequena cidade de interior poderá entender a imensa riqueza do conceito&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;traduzido&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;na palavra feira.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Não me refiro a&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;feira no sentido moderno, que consiste em lançamentos de produtos e bens de consumo dotados da mais moderna tecnologia, mas sim, aquela feira à antiga, destinada a prover de alimentos e bens básicos, as populações interioranas.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Quem leu &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Vidas Secas&lt;/i&gt;, jamais esquecerá,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;as experiências vividas por Fabiano e sua família,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;no dia&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;da feira. Quem tomou conhecimento da obra do alagoano José Artur Justo, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Verdes Pastos Imburanas&lt;/i&gt;, notará que toda a rica narrativa se dá num dia de feira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Se formos tomar a palavra no seu mais marcante significado,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;podemos dizer:&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Feira, numa pequena cidade do interior nordestino, é essência, é mistério, alegria e&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;transfiguração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Ali, naquele microcosmo, foram ambientados os mais belos escritos regionalistas de nossa literatura. Tudo em razão da riqueza de cores, cheiros, personagens e fatos&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;que são sua alma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Em tempos idos, a feira se revestia de tamanha importância, que tinha o poder de transformar até o dia que a antecedia.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Sua aproximação, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;seu ar de véspera já deixavam antever toda agitação do dia seguinte. Cozinheiras&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;armam suas toldas, acendem a lenha de seus fogões e se preparam para alimentar aquela&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;cosmopolita turba. Então, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;os mais diversos odores&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;invadem a noite, vindos das borbulhantes panelas de barro, reacendendo apetites e gulas. &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;No improvisado curral do matadouro, a instintiva antevisão do&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;triste&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;fim que se aproximava, levava o gado a um triste réquiem de mugidos e lamentos. Garis montavam as surradas&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;bancas e os feirantes&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;com sua ruidosa chegada &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;antecipavam o &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;burburinho &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;do &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;faustoso &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;dia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Pelo que tinha de festivo e  lúdico,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;a feira da pequena comunidade convertia-se em verdadeira terapia, afastando, com seu ar vivo, qualquer sombra de monotonia ou tristeza.&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Em regra, é a segunda-feira um dos dias mais impopulares, mais indolentes e indesejados da semana.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Entretanto, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;em minha infância, por ser esse dia,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;dia de feira,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;tomava ares e movimento de uma tela impressionista, pois, entre os demais,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;era o único&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;a ter cheiro. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Quem não lembra dos cheiros da feira de sua infância ? &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Cheiro de frutas maduras, de frutas passadas, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;dos tira gostos vendidos a céu aberto,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;cheiro de gente suada,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;de animais e seus excrementos e o mais marcante deles, aquele que emanava dos eixos queimados dos carros de bois, assim como o agridoce cheiro &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;dos próprios bois. Não há odores mais vivos ou &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;marcantes do que os de uma feira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Na antiga feira o burburinho começava já na alta madrugada. O&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;doce cantar dos carros de bois abria a rica sinfonia de sons que iria embalar&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;aquele dia. Em seguida,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;o lânguido sussurro de vozes matutas com&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;seus mais diversos sotaques e cantares que, vindos da sala ao lado, entravam &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;pelas frestas da camarinha nos chamavam para um alegre despertar. Eram aqueles que, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;ao amanhecer, invadiam nossa casa para guardar seus teréns, fazer&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;desjejum;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ouvir e contar as novidades da semana.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Fechando o ciclo de contas desse belo rosário de sons; apitos de lanchas,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ronco&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;de carros de frete, buzinas de pãozeiros e os crescentes e alegres gritos dos feirantes&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;se firmando num definitivo ar de festa. &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Tais&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;sons e tais cheiros&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;emprestavam àquela pequena cidade &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;uma dimensão que&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ela não tinha no dia a dia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Assim,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;o patinho feio da folhinha, a segunda- feira, tornava-se um dia de verdadeira alegria. Imediatamente, me sentia inundar de uma infantil satisfação, como se aquele evento fosse um milagroso remédio para incertezas, tristezas e o &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;tédio que rondavam&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;os dias comuns. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Apenas um fato poderia entristecer o sertanejo. Não dispor daquilo que costumava chamar&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;- &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;“ O dinheiro da feira “&lt;/i&gt; -&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;Para a criança que eu era,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;o único fato que&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;causava&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;desconforto era ver aquela procissão de cabeças baixas, almas humilhadas e chapéus na mão, que se formava na porta do poderoso chefe politico local, numa silenciosa súplica. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Humilhação suportada com resignação por todos aqueles desvalidos apenas pelo prêmio de evitar a triste visão dos olhinhos famintos &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;das&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;inocentes criaturas que deixara em casa num esperançoso aguardo.&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;.&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt; &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Vez em quando, um sombrio temor se insinuava pelas frestas de minha mente:&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Ver um dia,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;meu pai&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;naquela fila de zumbis morais.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;                             &lt;/span&gt;Felizmente, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;aquela terrível sombra rapidamente era desfeita por uma realidade mais sorridente.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Adulto, suspeitei a razão do mórbido pensar: Na&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;visão nanoeconômica de criança, acreditava eu, ser a feira, o lugar onde se operava toda a mágica econômica, mágica esta que ia do surgimento ao desaparecimento do dinheiro. Para mim, aquilo era um tudo ou nada financeiro,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;uma &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;imaginária e gigantesca NASDAQ, pois então estava longe de entender os reais mecanismos da economia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;A mágica daquele evento sintetizava,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;no decorrer de aproximadamente &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;doze horas,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;o universo de toda uma comunidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Na feira,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;bêbedos eventuais afogavam suas mágoas,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;dívidas eram pagas ou velhacos consolidados, velhas intrigas eram resolvidas à tapa ou faca, protistutas enchiam as burras, esmolés coletavam reservas,  matutos renovavam os estoques de chita, fustão e azulão; namorados se acertavam, a cadeia ganhava movimento extra, os cinemas lançavam as “&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;novidades&lt;/i&gt;”, camelôs berravam&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;seus milagres. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Enquanto, de minha parte,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;era o momento adequado para trocar e vender os gibis que iriam&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;garantir o cinema e&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;o acerto de contas com a&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;velha doceira. &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Enfim,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;na pequena cidade, a feira renovava todos para mais um ciclo de sobrevivência. Visto de hoje, tal ciclo pode parecer curto e insignificante, mas, a seu tempo,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;tinha o tamanho certo e&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;uma vital importância&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;para aqueles simplórios viventes.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Vidas que se resumiam a planos e projetos &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;do tamanho de uma semana. &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Para o sofrido povo&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;sertanejo,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;sonhos e projetos nunca&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;poderiam se dar ao luxo de se estenderem para além daqueles sete dias.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Como o vôo de uma galinha, seus projetos, necessariamente, eram&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;curtos e rasteiros. &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Jamais ousariam&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;se estender&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;   &lt;/span&gt;além do ciclo&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;de&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;uma feira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Isaac Sandes&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;17/11/2009&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-1724827070010183645?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/1724827070010183645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=1724827070010183645' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1724827070010183645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1724827070010183645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/11/feira.html' title='A FEIRA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8222579437040553654</id><published>2009-11-04T20:23:00.001-03:00</published><updated>2009-11-04T20:26:00.414-03:00</updated><title type='text'>NO MEIO ESTÃO OS EXTRAMADOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Numa leitura rápida e pouco percuciente, a afirmativa acima parece ir de encontro à secular máxima Aristotélica que diz estar no meio a virtude, ou melhor, o equilíbrio e a medida certa para a conduta humana. Sob tal ponto de vista, jamais uma conduta extremada poderia enquadrar-se como um comportamento virtuoso, como uma medida de equilíbrio.&lt;br /&gt;Como então desatar o nó górdio da aparentemente leviana e paradoxal idéia deste título. Com certeza, não será sofismando nem muito menos tecendo uma argumentação capciosa.&lt;br /&gt;A resposta para tão contraditória tese, não encontra-se num debate Socrático, numa peleja intelectual e, muito menos, num compêndio de Filosofia. Ao contrário, ela é encontrada no nosso dia a dia, no dia a dia de um advogado, de um policial, nas páginas dos jornais diários, das revistas de fofocas etc.&lt;br /&gt;Para mim, a comprovação da temerária afirmativa, deu-se pela observação desapaixonada do que ocorre nos três estratos sociais comumente definidos, ou seja, classe alta, classe média e pobreza.&lt;br /&gt;A revelação prática do que ocorre no alto de nosso pirâmide social, vinda em socorro da debochada maxima, me foi apresentada pelos noticiosos diários, escritos ou falados, e, principalmente, pelas revistas populares de circulação nacional e de maciça penetração, comumente encontradas em barbearias e salões de beleza.&lt;br /&gt;Tais meios de comunicação, têm como principal fonte de combustível os eventos ocorridos na alta sociedade, com especial destaque para os casamentos, separações e a consumação de divórcios.&lt;br /&gt;Já, as agruras e dramas da classe média, observados nos malabarismos feitos com a finalidade de manter o patrimônio conquistado à duras penas, são para mim os responsáveis pela comprovação do núcleo da tese título.&lt;br /&gt;Finalmente, a simplicidade, a desenvoltura e tranquilidade com que a pobreza lida com os mesmos fatos no extremo baixo do nosso estrato social, fecha o ciclo para o deslinde e compreensão definitiva da temerária afirmativa de que os extremados estão no meio.&lt;br /&gt;Se estiver intrigado com tanto mistério explico:&lt;br /&gt;Como insinuei acima, observa-se que no extrato mais alto de nossa sociedade, não existe traumas nem conflitos quando um casamento chega ao fim em virtude de infidelidade, uma vez que, milionários os envolvidos, facilmente se entendem com a transferência de alguns milhões de dólares para a conta corrente do outro, uma cobertura aqui, ou uma mansão ali. Assim, finalmente todos satisfeitos e felizes não patrocinam nenhum episódio de radicalismo, ou, o popular barraco. Certamente você conhece alguns casos.&lt;br /&gt;Daí, transporto a cena para o extremo mais baixo da escala social. A pobreza. Como bem pode observar o mais descuidado dos seres, os casamentos ou relacionamentos neste segmento social, quando desfeitos em razão de traições conjugais, não apresentam qualquer tremor na escala Richter. Por serem todos miseráveis e, sabidamente, não possuirem nada para disputar, dissolvem seus casamentos pacificamente, tomando cada um seu destino sem nenhum trauma, quer seja econômico, quer seja pessoal ou psicológico.&lt;br /&gt;Exemplo acabado de tal afirmativa tive a oportunidade de vivenciar em uma audiência de conversão de separação em divórcio.&lt;br /&gt;Naquela audiência, não entendia o porque da alcunha do divorciando ser “ Carinha ”.&lt;br /&gt;Só fui compreender a razão do apelido quando o magistrado indagando do mesmo, qual teria sido a verdadeira causa da separação, e ele, sem o menor pudor, confessou:&lt;br /&gt;- Dr. foi gaia, muita gaia, que essa mulher me botou!&lt;br /&gt;E o magistrado um pouco constrangido:&lt;br /&gt;- Mas o senhor foi traído mesmo ?&lt;br /&gt;Então, o “ Carinha” batendo no peito inflado tal qual um gorila de filme de Tarzan, orgulhosamente bradou:&lt;br /&gt;- Dr. Desafiou existir naquela rua, alguém mais corno do que eu.&lt;br /&gt;Então, inclinando-se para cochichar baixinho no meu ouvido, o seu advogado me esclareceu:&lt;br /&gt;- É por isso Dr., que ele é chamado de “Carinha “ . É Carinha de corno!!&lt;br /&gt;Tal exemplo nos remete ao cerne da questão, a afirmativa de que no meio é que encontram-se os extremados.&lt;br /&gt;É isso mesmo amigos, no meio da pirâmide social, na classe média, é que se encontram os extremados. Isso quando o assunto é separação ou divórcio motivados pela mais primitiva forma de traição, a traição conjugal.&lt;br /&gt;Nesse segmento social, as reações e atitudes são as mais radicais, as mais extremadas, por parte dos personagens. Assassinatos, suicídios, tiros, surras, desmaios, disputa por um velho fogão; um verdadeiro pastelão.&lt;br /&gt;É a mais pura verdade, a classe média, o meio da pirâmide social, reaje muito mal, quando o assunto é divórcio motivado por traição. Parte para atitudes extremadas e passa a alimentar os tablóides sensasionalistas, daí para as páginas policiais e, até mesmo, para o obituário dos jornais. Donde se conclui que o sentido da dita manchada honra, encontra-se, verdadeiramente, na questão patrimonial. É ela que agita os mais viscerais sentimentos da humanidade. É a questão patrimonial a mola mestra daquilo que costuma ser, enganosamente, tomado por sentimento de honra.&lt;br /&gt;Disse tudo isto para demonstrar sem medo de errar. No meio estão os extremados.&lt;br /&gt;Isaac Sandes 29/09/2009. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8222579437040553654?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8222579437040553654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8222579437040553654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8222579437040553654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8222579437040553654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/11/no-meio-estao-os-extramados.html' title='NO MEIO ESTÃO OS EXTRAMADOS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-5878461874559186896</id><published>2009-10-21T12:03:00.003-03:00</published><updated>2009-10-21T12:06:46.157-03:00</updated><title type='text'>EMOÇÕES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;ISAAC SANDES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Promotor de Justiça&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quem teve a felicidade de comparecer ao auditório da Procuradoria Geral de Justiça no último 16 de outubro, foi contemplado com um evento repleto de qualidades humanas que, atualmente, vemos tão escassas. Simplicidade, humildade, inteligência, sinceridade, amizade e amor.&lt;br /&gt;O episódio que reuniu tantos valores, foi a posse no cargo de Procurador de Justiça, do Dr. José Artur Melo. O popular Batalha, ou, para os seus amigos mais íntimos, simplesmente “O Zé”.&lt;br /&gt;Aqueles que estão acostumados e enfastiados com as ensebadas formalidades de tais eventos, foram surpreendidos com um momento vibrante e permeado das qualidades acima referidas. Cada um que olhasse para a fisionomia do outro ali presente, via a mais sincera feição de interesse e legítimo prazer na sua coadjuvante participação. Isto porque cada um que lá compareceu, o fez imbuido da mais sincera vontade e desfrutava com o empossado, a beleza e a elevação daquele momento. Com exceção de alguns poucos que ali foram levados pelo dever, a quase unanimidade lá se encontrava com a intenção de fazer uma celebração à amizade e ao mérito.&lt;br /&gt;A gravidade que costuma permear tais eventos, foi imediatamente quebrada pela empatia que reinava entre a platéia e o homenageado. O discurso deste último foi uma verdadeira declaração de amor; amor à verdade, amor à simplicidade, amor à humildade e, principalmente, uma ode à familia e aos amigos.&lt;br /&gt;Confesso que nunca vi tanta emoção no rosto de tantos convidados, emoção esta que, num crescendo com as palavras do empossando, foi tomando conta de todos quantos se identificavam com sua sincera peroração.&lt;br /&gt;Como bem frisei acima, a fala do “Zé” foi uma aula de simplicidade, um voto de humildade, um raio de inteligência, um banho de sinceridade e uma revelação à amizade e ao amor. Amor de pai, amor de filho e amor de amigo.&lt;br /&gt;Numa inovação sadia e sincera, não deixou de dar uma lição àqueles que um dia tripudiaram sobre o respeito e a boa convivência entre colegas e cidadãos.&lt;br /&gt;O discurso, longe de conter manchas de mofo e o intolerável cheiro de naftalina, foi vibrante e escancarou, de par em par, as portas de sua alma aos presentes.&lt;br /&gt;Quem tinha alguma dúvida sobre a, às vezes, face carrancuda do “Zé”, saiu dali certo de que tal carranca é apenas um acidente anatômico com consequências apenas no terreno das aparências.&lt;br /&gt;Quem, como eu, está acostumado com seus arranques e arroubos passageiros, sabe que o “Zé” é um tanque de guerra feito de papel machê, recheado do mais puro e doce mel.&lt;br /&gt;Isaac Sandes – 18/10/2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-5878461874559186896?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/5878461874559186896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=5878461874559186896' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5878461874559186896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5878461874559186896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/10/emocoes.html' title='EMOÇÕES'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8762899437370231444</id><published>2009-10-10T09:39:00.003-03:00</published><updated>2009-10-10T09:45:28.274-03:00</updated><title type='text'>DA TENDÊNCIA AO TENDENCIOSO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;MAURÍCIO PITTA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;Promotor de Justiça&lt;br /&gt;Professor de Direito/UFAL&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Todo aquele que detém o poder, um dia, fatalmente, abusará deste... Sendo assim, digo eu, a distância da tendência ao tendencioso é muito, muito pequena mesmo!&lt;br /&gt;A sinonímia é marcante e fortemente presente! De duas uma: ou se tornam loucos ou se passam por enlouquecidos quando provam o doce veneno do exercício do poder!&lt;br /&gt;Ao que parece tudo ocorre no exato momento em que se deixa de reconhecer a natureza intrínseca da razão e em conseqüência passa-se sistematicamente a violar e violentar preceitos e conceitos de legalidade, dignidade, moralidade, ética e consenso.&lt;br /&gt;A grande pergunta é: qual deve ser a resposta a esse conjunto de atos liminarmente violentos? A priori não devemos nos dar ao luxo de protestar apenas e tão somente pelo desfiar solto de palavras inertes... O mal que o poder representa em mãos calejadas pela ignorância e arrogância se faz cada vez mais presente, cada vez mais atuante e às vezes até mesmo faz pose de garboso, galante, falsamente educado e hipocritamente democrático... É... Parece ter assumido ares de pompa e circunstância.&lt;br /&gt;As pessoas de bem e do bem precisam reagir e essa não deve ser uma mera premissa, mas a sua concreção em si mesma! Deve-se ter em mente que a fortaleza das trevas consiste basicamente na mansuetude da luz... Silente os bons, os maus avançam e cada vez mais conquistam espaço.&lt;br /&gt;Por que? Porque não basta tão somente se indignar, falar em pequenos grupos, gerar conclusões em ambientes limitados pela sua própria condição física, temporal e espacial.&lt;br /&gt;Chega de indignação em pequenas doses! Chega de silenciar, chega de pedir paz aos senhores da guerra... Estes só entendem uma linguagem e esta linguagem não é a da submissão, da covardia, do silêncio indignado, porém ruidosa e gritantemente silencioso!&lt;br /&gt;Quando nos comportamos como a avestruz da estória (já que o avestruz verdadeiro não esconde sua cabeça sob a terra), estamos dando o nosso apoio e a nossa aceitação aos atos que aparentemente condenamos. E que condenação é esta? A condenação dos mudos e dos inertes? Na verdade estamos é dando nosso apoio.&lt;br /&gt;Sim, estamos apoiando, passivos e calados, tímidos e coadjuvantes. É... O silêncio consente e nosso consentimento se traduz no apoio de cordeiros.&lt;br /&gt;É verdade! Quando fazemos ou deixamos de fazer algo estamos realizando uma ação, positiva ou negativa, mas uma ação. Não já se afirmou que pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes?&lt;br /&gt;Aliás, são de dois tipos as pessoas que apóiam tais grupos de poder: no primeiro grupo temos aqueles que usufruem das suas benesses e por isso se julgam o próprio poder; já no segundo grupo temos aqueles que, não obstante estarem fora do alcance de seus benefícios, consideram vantajoso manter o silêncio, mesmo quando diante das violências e arbitrariedades cometidas contra outros. A perspectiva vantajosa será sempre a de não serem perseguidos, atingidos ou lembrados para uma possível reprimenda!&lt;br /&gt;Os primeiros, os apaniguados e áulicos, defendem suas posições sustentando-se na ilusão de que não importa o quanto se aliem ao mal, este perdurará para sempre, incluídas aí as suas vantagens, o fascínio e encanto que sentem com as suas miçangas. É como se vivessem em uma realidade distinta, ignorantes da transitoriedade da própria vida.&lt;br /&gt;Mas não se importam! São vaidosos, arrogantes e pretenciosos. Enfim, são tolos!&lt;br /&gt;Quando advém a queda não percebem o rastro de ressentimentos que deixaram atrás de si... Passam a criticar ao novo senhor de plantão (quando a este não aderem de imediato) esquecendo que foram personagens deste mesmo enredo em outras eras, só que na posição imediatamente antagônica em que agora se encontram.&lt;br /&gt;Os outros... Os outros, ou os temerosos de todos os gêneros, vivem e respiram uma atmosfera de sensações dúbias e contraditórias, marcadas pela escravidão do próprio medo, pela inação, pela sensação de impotência. Esquecem que podem respirar dignidade! Preferem se esconder no anonimato de suas opiniões. São igualmente tolos!&lt;br /&gt;Em ambos falta estofo, garra, dignidade... Esquecem valores como solidariedade e amizade e não conhecem como Machado que,&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;“Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.&lt;br /&gt;Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.&lt;br /&gt;Amigo a gente sente!&lt;br /&gt;Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.&lt;br /&gt;Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.&lt;br /&gt;Amigo a gente entende!&lt;br /&gt;Ter amigos é a melhor cumplicidade!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mas existem também os “doutro” lado. Existem aqueles que não aceitam o jugo da prepotência e da ignorância, aqueles que teimam em resistir. Não sustentam suas existências no alimento da mediocridade e decidem que mais importante do que o temor de uma derrota é não ser escravo de seus próprios medos.&lt;br /&gt;Muitas vezes são chamados de loucos ou coitados! Seus críticos, em suas soberbas ignorâncias, não percebem o quão podem ser altivos e orgulhosos estes loucos e coitados que sabem que todos os direitos foram e são conquistados através da constante luta no dia a dia de suas existências.&lt;br /&gt;Pois é! Ledo engano pensarem os senhores da escuridão que do simples temor nascerá uma nova era de prosperidade! Maquiavel já ensinava que “nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal” e assim tem sido ao longo da história da humanidade.&lt;br /&gt;Os comandos destas legiões do mal também olvidam, coitados, que “são passageiros tanto o louvor quanto o louvado” e passam a se comportar como deuses egípcios: se imaginam intocáveis, invencíveis e inatingíveis. Afinal de contas, insano leviatã, não somos instrumentos de tua paz... Somos instrumento de tua arrogância, de tua prepotência, da tua ignorância!&lt;br /&gt;A paz... Bem, esta a temos dentro de nós mesmos, no aconchego de nossas almas e no abraço fraterno de nossas famílias e dos nossos amigos. Creio que Lincoln estava certo quando afirmou certa feita que “Deus deve amar os homens medíocres. Fez vários deles”.&lt;br /&gt;Não importa, pois é uma verdade insofismável a noção de que não existem fracos ou fortes... Somos todos filhos da mesma essência.&lt;br /&gt;Assim é a vida! Os que pensam que ganharam e os que sabem que não perderam! Um fluir constante resvalando sempre na eterna luta entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, guerra e paz, arrogância e inteligência... Já dizia Cícero que “os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8762899437370231444?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8762899437370231444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8762899437370231444' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8762899437370231444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8762899437370231444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/10/da-tendencia-ao-tendencioso.html' title='DA TENDÊNCIA AO TENDENCIOSO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-5045629690120229448</id><published>2009-09-29T21:48:00.002-03:00</published><updated>2009-09-29T21:50:05.504-03:00</updated><title type='text'>IDIOTAS DA OBJETIVIDADE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho 52 anos e já sou um nostálgico. A velocidade imposta pela globalização, pela informática, pelos Blogs e Twitters produz, a cada segundo, uma imensa leva de nostálgicos. Quando abrimos o olho após um espirro, já fomos ultrapassados pela veloz informática. Melhor, ao terminar este texto, já sou um ultrapassado, talvez metade das palavras aqui mencionadas já tenham mudado de sentido.&lt;br /&gt;Hoje, nas maternidades, em vez do peito, a mãe dá para o recém-nascido, o último modelo de telefone celular. E, no berçário, não se ouve mais aquela ultrapassada algazarra de choro, o que ouvimos é uma sinfonia dos mais inusitados toques de celulares, são os pequenos recebendo os mimos dos aparvalhados avós através de mensagens de SMS, MMS e tais. No leito a mãe se preocupa apenas em checar se os muitos mililitros de silicone das mamas continuam no lugar certo. E o lácteo alimento? Os pequenos estão lá do berçário fazendo pedidos à mais moderna Delicatessen.&lt;br /&gt;Mas, onde mais dói e mais se evidencia a nostalgia de que lhes falo, é no outrora lúdico ato de ir ao cinema. Naquele tempo!! Vejam vocês, qualquer um de nossa faixa de idade pode hoje, perfeitamente, lançar a bíblica e longíqua frase: “Naquele tempo!!!”. Como acabados Matusaléns. Mas, como anacronicamente ia dizendo. Naquele tempo..., a ida ao cinema era um evento lúdico, quase bucólico. Vestíamos a melhor roupa, tagarelávamos desde o dia anterior sobre os mistérios do filme e, como aves de arribação, marchávamos em bando para o templo do divertimento. Uma verdadeira máquina do tempo feita de tijolos, cadeiras luzes e tela. Lá, ao som de “Siboney” executada por Ray Conniff, em suspense, aguardávamos o começo do filme ser anunciado pelo “Tunga”. Para quem não conhece, -“Tunga”- era o aparelho que reproduzia um misterioso som, parecido com graves badaladas, anunciando o início do filme nos antigos cinemas -.&lt;br /&gt;A exibição era um capítulo à parte, a platéia interagia mais com o filme do que atualmente interage com o Big Brother. Não era necessário um 0800. Dali mesmo um gritava: “Cuidado, não confie nesse bandido!”, ou “Vai Tarzan, vai, Tarzan, vai, vai...!!!. Ou gritavam xôs para o Condor” E, ao final, quando o mocinho sempre levava a melhor, todos, num agradecido aplauso, iam às lágrimas.&lt;br /&gt;Um capítulo à parte eram as intercorrências inesperadas. Lembro de algumas: Tonho Sem Osso, era um relaxado gordo que, nas pequenas cidades, fazia exibições itinerantes. Chegava numa cidadezinha, armava uma tela na principal praça ou no oitão da igreja, e, em meio ao grande reboliço que provocava, exibia suas “novidades” cinematográficas.&lt;br /&gt;Certa vez, exibindo uma “Paixão de Cristo” para compungida platéia, se atrapalhou na troca dos rolos de filme e, no grave momento da crucificação, inesperadamente, apareceram Cowboys em desabalada carreira e em encarniçado tiroteio. Tonho Sem Osso, só teve tempo de enrolar a tela, botar as latas do filme debaixo do braço e sumir.&lt;br /&gt;Caso não menos particular se deu na cidade de Batalha. Ali, dono do cinema matava a tiros quem o chamasse de “Don Ratão “. Certa vez, foi insistentemente adulado para exibir determinado filme da preferência dos “habitués“. Por seu lado, Dom Ratão argumentava: “Esse filme não presta prá passar, esse filme tá doente”. - Querendo dizer que o filme era velho e tinha muitas emendas -. No entanto a malandragem insistia: “Passa assim mesmo, passa assim mesmo”. Finalmente convencido, resolve exibir o “doente” filme. De repente, como esperado, a fita parte, as luzes se acendem e a vaia invade a cabine de Don Ratão. Então, ele liga o sistema de som do cinema, empunha o microfone, emposta a voz e diz: - “ Minha gente, eu não disse a vocês que essa fita tava doente !!! ”. Nova vaia, e começam os gritos: “Don Ratão... Don Ratão”. Abrasado pelo carvão da máquina e pela covarde provocação, Don Ratão empunha novamente o microfone e brada: “ Don Ratão, é o c. da mãe... Don Ratão é o c., da mãe. Filhos da puta...”. Assim, debaixo de estrondosos apupos, encerrou-se a apresentação daquele dito “ filme doente”.&lt;br /&gt;Hoje, todo freqüentador de cinema é um autêntico e acabado intelectual. A assistência faz um silêncio de vácuo, até os sacos de pipocas, os papeis de confeito, constritos, aderem ao silêncio. Todos assistem ao filme numa impassível pose, parecem bonecos de Vitalino emparelhados. Pergunte a qualquer um que acaba de sair do cinema: “Gostou do filme? “. E a empinada resposta: “ Um tanto quanto noir”. E emenda enigmático: “Um verdadeiro mergulho na alma humana.” Mesmo que o título tenha sido, “Um breve olhar sobre o universo das manicures”.&lt;br /&gt;É amigos, não mais existe aquela alegria infantil que contagiava velhos e meninos na saída dos antigos cinemas. Não temos mais os grandes contadores de filme que, no dia seguinte, faziam uma grande roda na principal praça da cidade e, com espetacular riqueza de detalhes, contavam todo o filme aos irrecuperáveis quebrados.&lt;br /&gt;O maior exemplo de um desses raros espécimes era o Mestre Roque, baixinho, gordinho e falante , sempre vestido num conjuntinho Cáqui, Mestre Roque contava um filme com tal riqueza de detalhes que o próprio roteirista se renderia a seus acréscimos e exageros. Até hoje, não sei mesmo o que era melhor, se assistir ao filme ou ouvir a versão de Mestre Roque.&lt;br /&gt;Por tudo isso, é que não me conformo com esse mundo edificado pelos chamados “Idiotas da objetividade”, tão bem tipificados pelo genial Nelson Rodrigues, os quais jamais se permitem uma fantasiosa prosa, jamais param para ouvir um artista da narrativa deitar fora o Charles Dickens que há dentro dele. Minto, tais amantes da objetividade se permitem sim uma fala solta, cheia de fantasias, impregnada de infantil conteúdo. Porém tarde demais, pois tal retorno a infância só lhes é permitido diante de um entediado psicanalista, o qual, ao contrário do Mestre Roque, cobra muito caro para os ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes – 26/09/2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3496723381062482562#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Expressão cunhada por Nelson Rodrigues.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-5045629690120229448?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/5045629690120229448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=5045629690120229448' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5045629690120229448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5045629690120229448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/09/idiotas-da-objetividade.html' title='IDIOTAS DA OBJETIVIDADE'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-7778624126767270904</id><published>2009-09-16T08:52:00.003-03:00</published><updated>2009-09-16T23:41:59.192-03:00</updated><title type='text'>O CONFISCO DA ZABUMBA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia corria modorrento naquela longíqua Comarca. Entediado, aguardava o início da próxima audiência. De repente, num movimento brusco, a porta do gabinete se abre e o enorme susto. Diante de mim, se apresenta a soturna figura. Trajava paletó preto, bigodes e cabelos mais pretos que o paletó, o penteado a la Carlos Gardel, denunciava o uso de não menos que um frasco de creme, brilhantina ou sei lá o que. Tinha a tez um tanto quanto macilenta. Não fosse a ofuscante luz da primavera, juraria que estava diante de um morto vivo. Só faltava ao dito, os tufos de algodão nas narinas.&lt;br /&gt;Disfarçando meu lastimável estado, levanto-me, pernas ainda bambas e cordialmente o recebo:&lt;br /&gt;-Pois não Senhor.&lt;br /&gt;-Bom dia doutor. Aurélio Troncoso, causídico; posso entrar?&lt;br /&gt;Tamanho foi meu susto que só notei o humilde casal postado logo atrás da sinistra figura após o cumprimento.&lt;br /&gt;- Fiquem à vontade, fiquem à vontade. Em que posso ser útil ?&lt;br /&gt;Cerimoniosamente, querendo coadunar a gravidade de sua figura com a liturgia da profissão, o dito causídico narrou:&lt;br /&gt;- O que me traz aqui é o seguinte: Esse cidadão é um sanfoneiro conhecido pelo apelido de Totonho Xamego, e essa senhora chama-se Josefa dos Santos Silva, proprietária dum barzinho lá na ” Rua do Rego Sujo,” – Estranhe não doutor, é por causa do esgoto a céu aberto – mas, como ia dizendo, todo mundo só a conhece por “ Zefa do Bar”.&lt;br /&gt;Pelo início da narrativa, vi que não estava diante de um episódio de assombração , relaxei e pedi:&amp;shy;&lt;br /&gt;-Pois não, prossiga !&lt;br /&gt;–Pois bem. Disse, temperando um inexistente pigarro.&lt;br /&gt;–No último sábado, a Zefa contratou os serviços musicais do conjunto de forró, aqui do Totonho. - Zefa, que até então continuava calada, interrompeu:&lt;br /&gt;–Foi mermo doutor, o movimento tava fraco lá no bar e eu, procurando minhas melhora, inventei de fazer um “armoço musical”. - Concordei e pedi para o causídico prosseguir.&lt;br /&gt;Já se tornando simpática, a antes sinistra figura continuou:&lt;br /&gt;– Como ia dizendo doutor!! Então, o conjunto do Totonho passou a animar o bar da Zefa. O senhor sabe como é músico né, de vez em quando uma birita, e o volume do som foi subindo. Até que, se sentindo incomodado, algum vizinho ligou pra Polícia.&lt;br /&gt;Não sei se era gente importante, ou se foi o bicho que fez do acontecido, só sei é que imediatamente chegou um monte de viaturas. Sirenes ligadas, luzes piscando e lotadas de homens armados até os dentes. Aí doutor, numa operação que parecia a SWAT, os rádios dos homens de instante em instante diziam: “Ok, positivo e operante… – E o outro – Copiei, estou em QOP. Operação no Bar da Zefa em andamento…Individuos imobilizados; aguardo novo comando…Desligo.” Segundo me contou o próprio Totonho, chegaram até a berrar: “ Ei, você aí, arreia a sanfona. Você, jogue a zabumba no chão”. A verdade doutor. -- Prosseguiu. – É que levaram tudo, Sanfona, Zabumba, Triângulo; tudinho, do coitado do Totonho. Só tou lhe incomodando por que é o ganha pão desse miserável .&lt;br /&gt;Agora, totalmente relaxado e sensibilizado pelos fatos, pensei num bom juridiquês: – “ Tais fatos se encaixam perfeitamente no princípio da insignificância, sem falar na desproporção de forças e recursos empregados. Até a tipicidade dos fatos deixa dúvidas. ”&lt;br /&gt;Sem que revelasse tais questões aos aflitos cidadãos, disse-lhes que não pouparia esforços no sentido de providenciar a devolução de seus instrumentos de trabalho, visto que estávamos numa quinta feira e o dia seguinte seria fatal para a assinaturas de novos contratos de animação de “armoços musicais”.&lt;br /&gt;Imediatamente fui à Secretaria da Vara, localizei o Termo Circunstanciado de Ocorrência, tirei cópia, levei-a até a Defensora Pública e lá, quase digitei o competente requerimento liberatório.&lt;br /&gt;Volto para minha sala para adiantar meu parecer. Então, um grande obstáculo: O computador se mostra imprestável. Ao ver a ação ameaçada pelo velho computador, o “Adams” causídico, vem em meu Socorro e oferece seu Notebook. Aceito e começo a redigir. Termino e procuro conectar à impressora. Nova surpresa: Quebrada. Diante da segunda dificuldade material, procuro me socorrer de um reles Pen Drive. Ninguém possuia um, muito menos a Promotoria. Corro com o Note Book debaixo do braço e, finalmente, imprimo o bendito parecer na sala da Escrivã que aceitou com indisfarçável “ Carinha de tédio.”&lt;br /&gt;Todos deram um profundo e aliviado suspiro.&lt;br /&gt;Faltava apenas sensibilizar o nobre Magistrado. Mas isso eu julguei ser obra fácil. Cerimoniosamente me dirigi ao gabinete do MM. Uma vez lá, até exagerei o estado de desespero do sanfoneiro. Mas, vamos lá. Tudo pelo bem da causa. Após minha pungente oração para sensibilizar o Magistrado, em suspense, aguardei a redentora resposta: “ Tá bem, vou despachar agora!!”.&lt;br /&gt;Mas, para surpresa de todos envolvidos naquela via crucis, o nobre Magistrado, usando de toda a pose que seu cargo permitia, fez um meneio de cabeça e solenemente disparou: – “ Farei uma análise perfunctória do caso. Despacharei às onze horas de amanhã “.&lt;br /&gt;Congelado de espanto e frustração, voltei à minha sala e, diante do sanfoneiro, do causídico e Zefa do Bar, só pude lhes dizer: – “ Amigos…! Zabumba só amanhã”. Isaac Sandes – 27/09/2009.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-7778624126767270904?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/7778624126767270904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=7778624126767270904' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7778624126767270904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7778624126767270904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/09/o-roubo-da-zabumba.html' title='O CONFISCO DA ZABUMBA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8168890764533945218</id><published>2009-09-10T11:23:00.021-03:00</published><updated>2009-09-12T12:00:16.338-03:00</updated><title type='text'>DO TRAJE AO ULTRAJE: A DECOMPOSIÇÃO DE UM ESTILO DE VIDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Squ3A-9Ys1I/AAAAAAAAAMk/Fway_yQ1ef4/s1600-h/imagem+cesmac.png"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380595407352542034" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Squ3A-9Ys1I/AAAAAAAAAMk/Fway_yQ1ef4/s200/imagem+cesmac.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“&lt;span style="color:#000099;"&gt;O estilo nada mais é que o movimento da alma&lt;/span&gt;”, sentenciou Michelet . Buffon chegou mesmo a afirmar que “o estilo é o próprio homem”. É o retrato do espírito em toda sua crueza e contradições. A moda é um dos mais importantes códigos de comportamento social. É o elo que une o homem à contemporaneidade. É a expressão do apogeu, acomodação ou decadência de uma vida. Daí porque a análise da personalidade humana sob a perspectiva da indumentária e do mobiliário doméstico é um dos temas mais recorrentes da literatura universal.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;É também o pano de fundo de &lt;em&gt;Do Traje ao Ultraje&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, a mais recente obra de Enaura Quixabeira, lançada em edição bilíngüe (português-francês) pela EDUFAL, em comemoração ao Ano da França no Brasil. Trata-se de crítica literária ao romance &lt;em&gt;Crônica da Casa Assassinada&lt;/em&gt;, de Lúcio Cardoso.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Editado em 1959, o romance aborda a decadência&lt;/span&gt; da aristocracia rural provocada crise do café em Minas Gerais, nas primeiras décadas do século XX. Um clássico da literatura, ainda desconhecido de boa parte dos leitores brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A Autora mergulha no universo cardosiano&lt;/span&gt; para analisar a decadência de um estilo de vida que não conseguiu sobreviver às profundas mudanças no cenário econômico do Brasil. A trama do romance gira em torno da tradicional Família Meneses, que resiste às mudanças de valores sem se dar conta de sua impotência diante de uma nova era que destruirá para sempre o modelo patriarcal e endurecido pela rigidez de costumes que imperava nos latifúndios brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Acontece que o inflexível sistema moral&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;– aparentemente sólido e inquebrantável – alimentava-se de hipocrisia, remorsos, auto-exílio e suicídio. Um modelo preso a convenções irracionais, em que não há espaço para felicidade e o amor. O pior é que os membros da família, imersos em frustrações, nem percebem a putrefação de seu universo, que está prestes a desmoronar.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Nesse aspecto, a obra da professora Enaura Quixabeira&lt;/span&gt; desenvolve uma interessante análise sociológica sobre os fatores que provocaram a estagnação do regime semi-feudal que imperou no Brasil até 1930, época em que o poder concentrava-se nas mãos dos senhores de engenho e dos barões do café.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Os Meneses são o arquétipo de tantas outras famílias aristocráticas&lt;/span&gt; brasileiras que só concebem o país como produtor de matéria-prima, uma elite que se recusa a adaptar-se aos tempos de progresso e de desenvolvimento. Famílias que não conseguiram perceber as mudanças decorrentes do fim da mão-de-obra escrava, da chegada dos imigrantes, da mecanização agrícola, da migração para os centros urbanos e da crescente industrialização do país.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Os primeiros sinais do declínio podem ser percebidos pelo mobiliário&lt;/span&gt;. A chácara era velha, com muitos cômodos vazios e descuidados. Nota-se que a mobília, importada da Europa, estava descuidada e imprestável. Um grande espelho trincado de lado a lado, paredes descascadas, janelas que não se abriam, telhas tombadas são alguns sinais do isolamento e segregação social de seus habitantes.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A decadência também é retratada por uma sucessão de personagens&lt;/span&gt; que corporificam a desintegração familiar. Demétrio – a representação do patriarca – invariavelmente usava roupas antigas, conservadoras, completamente fora dos padrões das primeiras décadas do Século XX.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Os ricos fazendeiros recusavam-se afastar-se das tradições&lt;/span&gt; para aderir a modismos burgueses, de gosto questionável. A resistência é uma tentativa desesperada de preservar estruturas corroídas, profundamente ameaçadas pelas forças sociais transformadoras. Aderir à nova ordem significa pôr fim às estruturas sólidas que vicejaram por vários séculos no Brasil. E isso eles não admitirão jamais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A personagem, Valdo, também se veste com esmero&lt;/span&gt;, apuro e espalhafato. Seus ternos e gravatas são bem cortados, vistosos, mas fora de moda. Incorpora – ainda que intuitivamente – o dandismo europeu com todas as suas extravagâncias visuais e a certeza da inexorável decadência, diante do avanço da democracia e do processo de estandardização do vestuário.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Outra personagem paradigmática é Ana&lt;/span&gt;, mulher torturada pela solidão e pelo medo de entregar-se ao amor, incapaz de transgredir as regras e viver um romance proibido. Mulher ensimesmada, atormentada pelo pecado, completamente voltada para o universo familiar. Transforma-se numa espécie de guardiã dos costumes, adotando postura hipócrita e dissimulada. A frustração reflete-se em suas vestes, um indefectível vestido preto, desbotado, austero. Seus sapatos, velhos e surrados, mostram o total alheamento às tendências da moda. É uma pessoa descontextualizada, estranha à sua época. Adota uma postura conservadora de defesa das tradições aristocráticas e se mostra refratária a toda tentativa de transformação do &lt;em&gt;modus vivendi&lt;/em&gt; da família. Por isso vê a moda como uma ameaça ao frágil equilíbrio daquele modelo ultrapassado, que insistia em sobreviver num mundo em constantes transformações.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Nina representa a chegada da modernidade naquele ambiente esclerosado e decadente&lt;/span&gt;. Sua indumentária alegre, colorida e sensual, contrastava com o clima severo que dominava a mansão dos Meneses. A indumentária era um convite à subversão da ordem familiar. O gosto por vestidos decotados, leves, vaporosos era uma forma de desafiar a monocromia dos salões senhoriais – o último bastião de uma estrutura social prestes a desmoronar. No fundo a personagem tentava mostrar ser possível romper com o passado e enfrentar os desafios que o novo século impunha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Mas as resistências às mudanças de paradigma estavam tão arraigadas&lt;/span&gt; entre os Meneses, que Nina terminou afogada pelo preconceito, pela intolerância e pelo imobilismo. Sua presença não foi capaz de mudar os velhs hábitos. Os chapéus coloridos, os decotes, os acessórios vistosos, as capas, tudo evocava o frescor de um novo mundo que se descortinava. Mas era inútil. Assim como a modernidade fora afastada para sempre dos aposentos senhoriais , Nina também sucumbiu a uma doença que destruiu os seus sonhos, degradou a alma e apodreceu lentamente o corpo. A sua morte também foi o último passo para a decadência e a ruína da família.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Por fim, a imagem da decadência é representada por um obeso barão&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Flácido,&lt;/span&gt; completamente dominado pela gula desmedida, uma verdadeira representação da ociosidade em detrimento do trabalho e do progresso da nação. Um simbolismo ao agonizante baronato rural, completamente incapaz de conduzir o Brasil a caminho da modernidade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Mais do que uma crítica literária&lt;/span&gt;, &lt;em&gt;Do Traje ao Ultraje&lt;/em&gt; é uma obra de grande densidade científica, que nos faz refletir sobre importante período da História do Brasil. O texto é límpido, de fácil compreensão, dispensando a leitura da &lt;em&gt;Crônica da&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Casa Assassinada&lt;/em&gt;. As teses defendidas pela autora encontram eco em grandes sociólogos franceses como Baudrillaard e Fromilhage. A obra é fruto de profunda pesquisa realizada na Universidade de Grenoble, onde a autora obteve o Doutoramento em Letras.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O vestuário é a armadura do homem&lt;/span&gt;. Oscar Wilde afirmava, com fina ironia, que “a moda é o que vestimos. Démodé é o que vestem os outros”. Mas uma coisa é certa: ela pode revelar os nossos segredos mais profundos, o jardim secreto de nossas almas. É o que diz o verso do cancioneiro popular Zeca Baleiro: "quando o homem inventou a roda, logo Deus inventou o freio. Um dia um feio inventou a moda, e toda a roda amou o feio". Tenho certeza que &lt;em&gt;Du Vêtu au Dévetu&lt;/em&gt; ocupará espaço privilegiado na literatura brasileira, como referência obrigatória para todos que desejarem desvendar a essência da natureza humana a partir de símbolos e arquétipos de estilos de vida. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8168890764533945218?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8168890764533945218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8168890764533945218' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8168890764533945218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8168890764533945218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/09/do-traje-ao-ultraje-decomposicao-de-um.html' title='DO TRAJE AO ULTRAJE: A DECOMPOSIÇÃO DE UM ESTILO DE VIDA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Squ3A-9Ys1I/AAAAAAAAAMk/Fway_yQ1ef4/s72-c/imagem+cesmac.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-1947340675351339138</id><published>2009-09-05T13:01:00.014-03:00</published><updated>2009-09-10T10:35:53.573-03:00</updated><title type='text'>CHALITA-BERARD: A EXPOSIÇÃO DO ANO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqjknMInZdI/AAAAAAAAAMU/e2PlA6C5E1g/s1600-h/chalita2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379801116817450450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqjknMInZdI/AAAAAAAAAMU/e2PlA6C5E1g/s320/chalita2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqKYB7WVOJI/AAAAAAAAALk/JWjoVwnhVtw/s1600-h/fora.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqKXmWY0xtI/AAAAAAAAALc/9QQTjeZ_QHE/s1600-h/dentro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378027590134318802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 114px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqKXmWY0xtI/AAAAAAAAALc/9QQTjeZ_QHE/s320/dentro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;A ALIANÇA FRANCESA DE MACEIÓ apresenta a exposição CHALITA-BERARD, que reunirá as principais obras de dois ícones da pintura: Pierre Chalita e Daniel Berard. São cerca de 40 quadros pintados entre os séculos XIX e XX, reunidos pela primeira vez em Alagoas. A exposição integra as Comemorações do ANO DA FRANÇA e estará aberta para o público entre 23 de setembro a 22 de novembro, na Fundação Chalita, bairro de Jaraguá. A entrada é gratuita&lt;span style="color:#000099;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt; Compartilho com vocês a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;APRESENTAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que redigi para o evento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Durante o Segundo Reinado&lt;/span&gt;, D. Pedro II engaja-se no projeto de fortalecimento da identidade nacional, estimulando historiadores, pintores e músicos a retratar o país em toda sua diversidade cultural. Entre iniciativas oficiais, está o Prêmio Viagem, instituído pelo Imperador para financiar o pensionato no exterior de artistas talentosos durante o período de três anos. A idéia era dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela Missão Francesa de 1816 na construção do sentimento de brasilidade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Daniel Bérard foi um dos bolsistas&lt;/span&gt; escolhidos para estudar na Europa, ao lado de pintores como Almeida Júnior e Vitor Meireles. Nascido em 1846, o jovem Bérard muda-se para a França em 1873, onde estuda em Avignon, Marseille e Paris. Com a pensão de 300 francos, destaca-se como aluno aplicadíssimo e vocacionado, que participa ativamente de diversas exposições em importantes cidades européias. De volta ao Brasil, envolve-se em vários projetos culturais e exerce o magistério na cátedra de desenho. Em 1896, expõe no Salão Nacional de Belas Artes, obtendo o reconhecimento do público e da crítica especializada. Sua pintura ficou marcada pelo simbolismo alegórico e pela habilidade de retratista.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Pierre Chalita nasceu em 1930&lt;/span&gt; e pinta desde a adolescência. Aos 28 anos de idade muda-se para Paris, onde estuda na Escola Superior de Belas Artes e exerce o ofício de pintor. De volta ao Brasil, assume o cargo de professor de pintura e técnica de composição artística da UFPE e UFAL. Participa da exposição Surrealistas Brasileiros e expõe suas telas em mostras individuais e coletivas no exterior (Madri, Roma, Viena, Barcelona e Paris). Detentor de estilo próprio e inconfundível, Chalita não se filia a nenhum movimento artístico. As referências estéticas e psicológicas que o acompanham buscam captar a condição humana em um mundo cheio de contradições e perplexidades.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;CHALITA-BÉRARD é o encontro &lt;/span&gt;entre dois grandes artistas que se destacam pela originalidade e simbolismo de suas obras. A exposição reúne os quadros mais representativos, pintados sob a influência de grandes mestres da pintura européia como Henri Lehmann, Gustave Jacques e Chapelain-Mydi. São gerações que se entrecruzam numa mostra histórica e inusitada, coroando as comemorações do Ano da França no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;br /&gt;Diretor da Aliança Francesa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-1947340675351339138?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/1947340675351339138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=1947340675351339138' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1947340675351339138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1947340675351339138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/09/chalita-berard-exposicao-do-ano.html' title='CHALITA-BERARD: A EXPOSIÇÃO DO ANO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqjknMInZdI/AAAAAAAAAMU/e2PlA6C5E1g/s72-c/chalita2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4571597100680702355</id><published>2009-09-04T08:45:00.008-03:00</published><updated>2009-09-05T16:19:52.802-03:00</updated><title type='text'>A TESTEMUNHA NA HISTÓRIA E NO DIREITO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqEKX2EQ3JI/AAAAAAAAALM/_mferse58Nk/s1600-h/8527400987%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377590834823748754" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 137px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqEKX2EQ3JI/AAAAAAAAALM/_mferse58Nk/s200/8527400987%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;Acontecerá, no próximo dia 30 de setembro, no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, o lançamento do livro A TESTEMUNHA NA HISTÓRIA E NO DIREITO, de Jayme de Altavila. A primeira edição surgiu em 1967 e é a única obra do gênero publicada no país. A iniciativa da EDUFAL de reeditá-la e incluí-la na importante Coleção Nordestina é uma demonstração de comprometimento com a memória dos grandes autores do passado, que honraram Alagoas com clássicos da História, Sociologia e Direito. Tive a honra de ser escolhido para fazer sua &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;APRESENTAÇÃO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, cujo texto quero compartilhar com vocês.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reconstituição da verdade no processo judicial é um dos temas mais caros ao Direito. Sobre ele se debruçaram os filósofos e juristas mais renomados de todos os tempos. Sua importância é indiscutível, pois o procedimento justo e equitativo pressupõe o esclarecimento de fatos controversos, dos quais dependem a vida, a liberdade e o patrimônio dos envolvidos no litígio. Ainda hoje, com todos os avanços científicos e tecnológicos, a busca da verdade ainda é o maior desafio da jurisdição civil e penal de todos os países democráticos.&lt;br /&gt;Nos sistemas jurídicos contemporâneos, os principais meios de prova são: documental, pericial e testemunhal. A prova testemunhal é a mais problemática e a menos confiável. O magistrado deve ser prudente na análise dos depoimentos produzidos no processo para evitar que a mentira prevaleça sobre a verdade, conspurcando a sua percepção cognitiva dos fatos investigados. Além disso, ele tem de lidar com imprecisões, análises distorcidas, equívocos e, até mesmo, interesses espúrios.&lt;br /&gt;A História do Direito mostra que as civilizações tiveram grande preocupação com a testemunha. Por muitos séculos, este foi o principal meio de prova adotado nos processos judiciais. Manuscritos antigos e obras milenares como a Bíblia e o Código de Hamurabi são a prova de que todos os povos faziam uso desse recurso para buscar a verdade e defender as suas pretensões diante de soberanos, conselhos e tribunais.&lt;br /&gt;A &lt;em&gt;Testemunha na História e no Direito&lt;/em&gt; resgata o legado deixado pelo tempo e traça a linha evolutiva da prova nos principais sistemas jurídicos. O texto toma a Antiguidade como ponto de partida para analisar o papel da testemunha no Egito, Mesopotâmia, Israel, Índia, Grécia e Roma. Prossegue com o estudo do direito medieval, destacando a grande contribuição das ordenações portuguesas para o aprimoramento do direito processual. Também situa o tema no Direito Canônico, no Código Napoleônico e no Código de Bustamante. Por fim, disseca o regime de provas testemunhais adotado pela legislação brasileira, apontando os principais avanços e distorções.&lt;br /&gt;Embora tenha sido publicada em 1967, a obra ainda é fonte obrigatória de consulta para todos que pretendam compreender a peregrinação da humanidade em sua luta pela justiça como instrumento de combate ao arbítrio e ao despotismo, ainda tão presentes nas relações intersubjetivas. Com linguagem simples e objetiva, o texto conduz o leitor pelos tortuosos caminhos trilhados pelo direito até a concepção de métodos seguros de avaliação da prova testemunhal no processo.&lt;br /&gt;O autor, Jayme de Altavila, nasceu em 1895 e escreveu &lt;em&gt;Origem dos Direitos dos Povos&lt;/em&gt;, um clássico do gênero que é adotado em diversos cursos de Direito no país. Foi um dos fundadores da Faculdade de Direito de Alagoas, hoje integrada à Universidade Federal de Alagoas. Doutor em Direito, ocupou importantes cargos no Ministério Público e na magistratura federal. Teve destacada participação política, exercendo os mandatos de deputado estadual, deputado federal e prefeito de Maceió.&lt;br /&gt;A reedição de &lt;em&gt;A Testemunha na História e no Direito&lt;/em&gt; supre importante lacuna na literatura jurídica, assegurando a estudantes, advogados e integrantes de carreiras jurídicas o acesso ao pensamento dos grandes juristas que lutaram corajosamente para que a atividade judiciária se transformasse num vetor de pacificação social e de promoção dos direitos fundamentais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4571597100680702355?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4571597100680702355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4571597100680702355' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4571597100680702355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4571597100680702355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/09/testemunha-na-historia-e-no-direito.html' title='A TESTEMUNHA NA HISTÓRIA E NO DIREITO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SqEKX2EQ3JI/AAAAAAAAALM/_mferse58Nk/s72-c/8527400987%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-909898775961536453</id><published>2009-09-01T08:43:00.002-03:00</published><updated>2009-09-01T08:45:36.690-03:00</updated><title type='text'>BELEZA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, me assalta a pergunta e penso alto. “Existirá a beleza, em si mesma?” Então o amigo que se encontrava próximo, de peito estofado por helênica sabedoria, enigmático, fazendo cara de erudito do Readers Digest responde: “Depende!”. Este depende tinha o tamanho do Mistério da Aleluia.&lt;br /&gt;E eu, diante de tanta pompa e circunstância, encolho-me amarelado, e ouso fazer a arriscada e conseqüente pergunta: - “Depende do que?” - Após charmoso meneio de cabeça, - Só faltou dizer “Tick”, como indiano de novela - Meu interlocutor responde com uma tirinha de perguntas: “ Amigo, tudo é relativo? É ou não é?” E jogou no ar uma espessa baforada do legítimo Montecristo.&lt;br /&gt;Diante do górdio impasse, fiz cara de Gugu Literato e resolvi abandonar o socorro do erudito amigo e, por conta própria, passei a queimar meus preciosos neurônios na busca da quase impossível resposta.&lt;br /&gt;Ainda reverberando na cabeça, a escapista pergunta do erudito, fui ao Gugu, o inteligente, e lá digitei: - Relatividade – Resultado: 456.000 ocorrências, para relatividade. Tinha, Einstein, velocidade da luz, buraco negro, buraco de minhoca, fenda espacial, E=mc2. Confesso que fiquei um tanto quanto atarantado e fiz recomendações elogiosas à genitora do erudito amigo.&lt;br /&gt;Com medo de entrar em parafuso, aterrissei na secular questão, usando as ferramentas de pensamento a meu alcance. No entanto, não me saía da cabeça a questão: “Tudo é relativo”. Pensei: - Se tudo é relativo, a beleza também o é. Ora, tava ali o desenlace, tão claro, mas tão claro, que não me deixava enxergar. Pois é amigos, a clareza muita vezes nos ofusca. É por isso que o imortal Nelson Rodrigues nos falava do “Óbvio ululante”, e dizia: “Só os gênios conseguem enxergar o óbvio ululante".&lt;br /&gt;Pronto, a beleza é relativa, por isso o sapo morre de amores pela sapa, o urubu acha lindo seu filhote, encontramos casais que acreditamos não pertencer à mesma espécie, pessoas amando outras que parecem ter saído de um experimento genético vanguardista.&lt;br /&gt;No entanto, me assalta uma recaída de dúvida. – Será que não existe um mínimo de padrão de beleza? Diante de um Michelangelo alguém poderia dizer: A beleza é relativa, acho-o um lixo, horrível. Diante de uma Capela Sistina, insistir com tédio: “ Mais ou menos, na calçada da Praça da República existem centenas de pinturas mais belas “. Diante do Out Door da moça da Lancome o outro a dizer: “ Nada de mais, vi muito mais beleza numa Dercy, numa Zezé”.&lt;br /&gt;Garanto a vocês que, estivesse por perto, meu erudito amigo abandonaria sua ensaiada fleugma, esqueceria o “Tudo é relativo” e, com um taco de beisebol, partiria o coco de hereges observadores, numa versão pós moderna de “laranja Mecânica”.&lt;br /&gt;Por falar no erudito amigo, outro dia, andava eu já com pensamentos terrenos e esquecido da Einsteiniana discussão travada lá atrás, quando o encontro. Esbaforido, cabelos assanhado, pose desfeita e em estado de pluvial sudorese. Praticamente me arrastou pela gola e, sem nenhuma introdução, foi dizendo: “Não, não. Não é relativa! não é relativa! Agora eu sei, não é relativa !”. Assombrado e sem me lembrar do esquecido debate, pensei: - “ “Meu Deus, está tendo um surto de esquizofrenia “ – Me recompondo e procurando cuidadosamente interagir com o surtado, perguntei: - O que não é relativa ? O que ?”. E ele: “ A beleza amigo, a beleza, ela existe, é concreta, não há relatividade nela, o belo é belo e o feio é feio, eis a verdade indiscutível e imutável “. Como na piada de Camões, tardiamente me caiu a ficha, lembrei-me de nossa antiga discussão e da sua, então, olímpica posição em favor da relatividade da beleza.&lt;br /&gt;Naquele momento, senti que em vez de um surto de esquizofrenia, meu impostado amigo havia saído do seu surto de erudição e recobrado sua humilde condição humana.&lt;br /&gt;Intrigado, comecei a imaginar em que momento da sua etérea vida ele havia se recuperado de sua síndrome de Zeus. Teria se tornado Hare Krishna, Budista, taoista? Então, me sentindo mais próximo de um humano perguntei-lhe: - “ Amigo, como chegaste a esta segura e definitiva conclusão?”. E ele, ainda ofegante: - “Fazendo Pilates, a beleza faz Pilates!!”. Mais intrigado ainda pergunto: - Pilates...??? Como assim? “. Enfim, recuperando a calma, explica: - “Pois é amigo, descobri que a beleza existe e faz Pilates, ela está personificada em uma das minhas colegas de Pilates. Toda vez que a vejo bato na boca e, baixinho repito: - Nunca mais diga tal asneira. A beleza existe, ela está bem ali em nossa frente, e a boca me repreende. - Desculpe não fui eu, eu só falei, seus olhos é que chegaram a tal conclusão e me mandaram falar, pois não são eles que tudo vêem e tudo julgam? Eu apenas verbalizava o que eles viam ”.&lt;br /&gt;Eu, que um dia fui me socorrer daquela pose de obelisco, a partir dali, nunca mais discuti sobre a certeza ou a relatividade das coisas ou sentimentos, com especial destaque para a beleza, já que tudo é absolutamente relativo em determinado momento e, da mesma forma, é indubitavelmente concreto em outro. Assim; como foi, e é, a pendular certeza do erudito amigo. Tudo depende apenas do estado em que nossa alma se encontra ao ver as coisas, os fatos e as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes27/08/2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-909898775961536453?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/909898775961536453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=909898775961536453' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/909898775961536453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/909898775961536453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/09/beleza.html' title='BELEZA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-9121875512824603446</id><published>2009-08-20T23:47:00.002-03:00</published><updated>2009-08-20T23:57:34.848-03:00</updated><title type='text'>A VAIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/So4Msg8rX0I/AAAAAAAAALE/1h6yp1ensCQ/s1600-h/vaia%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372245364397793090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 130px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/So4Msg8rX0I/AAAAAAAAALE/1h6yp1ensCQ/s200/vaia%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caros amigos, tentarei hoje, descrever e dissecar aqui um personagem que não é de carne e osso, não está na galeria dos tipos humanos, não possui, sequer, personalidade juridica, este tipo artificial de personalidade inventada pelos jurisconsultos, que carece do subjetivismo da alma.&lt;br /&gt;Interessante….! - Até agora, não havia me ocorrido que a personalidade jurídica não tem nenhuma personalidade. Ora, se ela é fria, capitulada, descritiva e prevísivel, - como então chamá-la de personalidade? Que psicólogo se ocuparia em analisar uma personalidade juridica? Tudo ali, previsível, numerado em cláusulas, em capítulos. Cadê os conflitos, complexos, indecisões, culpas, remorsos. Nada, nada!!&lt;br /&gt;Certamente, é um desserviço à psicologia e aos longos estudos da personalidade, a criação da artificial personalidade juridica. Vejam como soa falso! - Personalidade Jurídica!! É o afirmar negando. É pura caricatura !&lt;br /&gt;Mas…, já ia me afastando. Nosso personagem já dava sinais de insatisfação e amuado protesto, traços marcantes de sua alma.&lt;br /&gt;Nosso personagem é universal, democrático não conhece estratos humanos ou sociais. É univesal. Em resumo, é biblíco.&lt;br /&gt;Não me xinguem nem se surpreendam se eu lhes disser que este personagem é a vaia.&lt;br /&gt;A vaia. - Sim meus amigos! A urrante, imemorial e troglodita vaia. Acredito que, depois do balançar negativo ou afirmativo de cabeça, surgiu a vaia, para se opor ao aprovador silêncio, para pautar o certo e o errado na conduta humana. A vaia é a multidão balançando a cabeça num gigantesco não.&lt;br /&gt;Em um país como o nosso, ainda portador de boa dose de complexo de lavadeira, a vaia tem servido como verdadeiro tratamento de choque na busca da auto estima.&lt;br /&gt;Vejam nossas seleções de futebol, invariavelmente, quando saem de nosso país vaiadas e achincalhadas, fazem uma brilhante campanha e sempre trazem a redentora taça. Qual foi a sessão coletiva de análise que o possiblitou? Digo sem medo dos esgares dos eruditos. Foi a vaia!! Nossas vaias, despachadas junto com bagagem da delegação.&lt;br /&gt;A vaia está para nossos Macunainas do futebol, como a capa vermelha está para o touro. O efeito é o mesmo, mexe com seus brios e lhes arranca cavernais reações de auto estima.&lt;br /&gt;Disse, lá atrás, que nosso personagem é bíblico e não blasfemei. Provo!&lt;br /&gt;Certamente, Davi só conseguiu desferir a certeira pedrada na testa do gigante Golias, após ter seus brios revolvidos por uma homérica e hebraica vaia.&lt;br /&gt;Não foi só o ressurgimento da cabeleira que fez Sansão derrubar o templo. Foram também, em boa dose, as bárbaras vaias dos Filisteus.&lt;br /&gt;Os gladiadores derrotados eram sacrificados após terem seus brios revolvidos e agitados por estrondosas vaias!!&lt;br /&gt;E, finalmente, a vaia que mudou para sempre a história da humanidade. Aquela que estamos acostumados a ver, com injetados e lacrimejantes olhos, nas encenações e filmes da Paixão de Cristo, aquela que, mais do que a bacia d’água e a toalhinha para enxugar as mãos, estimulou Pilatos a tomar sua infeliz decisão entre Jesus e Barrabás.&lt;br /&gt;Assim, pelo que tem de universal, pois necessita apenas de um troglodita UUUUUUUHHHH…..UUHHHHHH… - Gritado até pelo mais quadrúpede dos homens ! - A vaia, urrada na hora certa, teria sido decisiva para salvar até a Torre de Babel de seu frustrante fim. Pois tivesse sua internacional multidão de incomunicáveis operários e pedreiros, berrado um contínuo e babilônico Uuuuuuhhhh… Uuuuhhhhh…, nos ouvidos de seus engenheiros e mestres, estes certamente teriam seus brios revolvidos e, numa reação de elevada humildade, teriam pedido desculpas a Deus pela imperdoável soberba e ele, com certeza, daria um jeitinho para que terminassem a obra.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Charge extraída de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://rleite.wordpress.com/2007/07/"&gt;rleite.wordpress.com/2007/07/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-9121875512824603446?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/9121875512824603446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=9121875512824603446' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/9121875512824603446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/9121875512824603446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/vaia.html' title='A VAIA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/So4Msg8rX0I/AAAAAAAAALE/1h6yp1ensCQ/s72-c/vaia%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-188095209567496813</id><published>2009-08-18T14:41:00.048-03:00</published><updated>2009-08-20T23:45:52.276-03:00</updated><title type='text'>ENTREVISTA IMAGINÁRIA COM OSCAR WILDE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SotZnJhFgvI/AAAAAAAAAK8/7m4eg0LRhCg/s1600-h/oscar-wilde%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371485509673911026" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 138px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SotZnJhFgvI/AAAAAAAAAK8/7m4eg0LRhCg/s200/oscar-wilde%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Desembarco na Londres vitoriana sob o denso &lt;em&gt;fog&lt;/em&gt; que envolve a cidade. As ruas estreitas estão vaporosas, lúgubres e cobertas de neblina. Homens elegantes de fraque e cartola passam indiferentes pelas calçadas com suas bengalas de cabo em madrepérola. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Aquela noite fria era um convite ao mistério e à sedução. Nada melhor do que entrevistar um dos maiores gênios da literatura inglesa: Oscar Wilde. Nosso encontro imaginário estava marcado para um &lt;em&gt;pub&lt;/em&gt; perto do Convent Garden, frequentado por notórios &lt;em&gt;dandys&lt;/em&gt;, intelectuais atormentados e vedetes do teatro de revista. O assunto não poderia ser outro: &lt;em&gt;o futuro do casamento na sociedade moderna&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O autor de &lt;em&gt;O Retrato de Dorian Gray&lt;/em&gt; está sentado numa confortável poltrona de couro, bebe uma dose de gin com água tônica e observa atentamente as comédia humana que se desenrola ao seu redor. É um crítico impiedoso da sociedade londrina do século XIX. Fiz questão de preparar-lhe uma entrevista no modelo ping-pong:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;1. Pergunta - O homem pode ser feliz no casamento?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta - As mulheres estragam qualquer caso de amor com o seu desejo de perpetuá-lo eternamente. Que desgraça para o homem, o casamento! Ele o escraviza tanto quanto os cigarros, e custa muito mais. A base lógica do casamento é o recíproco mal-entendido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;2. Pergunta: Os homens sonham em encontrar o verdadeiro amor de suas vidas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Reposta: Os homens sempre desejam ser o primeiro amor de uma mulher; este é o efeito de sua insensata vaidade. As mulheres têm um instinto mais sutil. Elas desejam ser o último amor de um homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;3. Pergunta: O que faz a mulher quando sente que o amor do marido começa a esfriar?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: Quando a mulher percebe que já não é o objeto das atenções do marido, ou se esquece de qualquer elegância, ou ostenta chapéus extremamente elegantes, pagos pelo marido da outra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;4. Pergunta: Para viver um grande amor é preciso ter muito dinheiro para gastar com o objeto do desejo?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: Só há uma classe social que aprecia o dinheiro mais do que os ricos: os pobres. O pobre não pode pensar em outra coisa. Aí está a tristeza de ser pobre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;5. Pergunta: O que o senhor acha da fidelidade conjugal?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: A fidelidade é para a vida sentimental o que a coerência é para a vida do espírito: uma pura confissão de incapacidade. Eis o paradoxo: os jovens gostariam de ser fiéis e não podem sê-lo; os velhos gostariam deser infiéis e não conseguem; não há mais nada a dizer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;6. Pergunta: Quer dizer que a infidelidade é algo positivo na vida contemporânea?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: Os amantes fiéis só conhecem o lado trivial do amor; as tragédias do amor são privilégios dos amantes infiéis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;7.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; Pergunta: Como você escolhe os seus amigos?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: Escolho meus amigos pela beleza, os meus conhecidos pela respeitabilidade e meus inimigos pela inteligência. Para mim a beleza é o milagre dos milagres. Somente os seres superficiais não julgam pela aparência. O verdadeiro mistério do mundo é o visível e não o invisível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;8. Pergunta: Você tem medo da velhice?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: Para recuperarmos a juventude só precisamos repetir as nossas loucuras do passado. E mais: a tragédia da velhice consiste não no fato de sermos velhos, mas sim no fato de ainda nos sentirmos jovens. Nunca digam que esgotaram a vida. Quando um homem diz uma coisa dessas sabemos que foi a vida a esgotá-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;9. Pergunta: O que deve fazer um homem virtuoso para livrar-se das tentações femininas?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: Não há outro jeito de livrar-se de uma tentação a não ser sucumbindo a ela. Se você resistir, a sua alma adoecerá desejando aquelas coisas que lhe foram negadas. Podemos resistir a tudo exceto às tentações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;10. Pergunta: É melhor estar apaixonado ou casado?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: Deveríamos estar continuamente apaixonados. É por isso que nunca deveríamos nos casar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;11. Pergunta: O senhor costuma perguntar a idade das mulheres?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: Desconfiem da mulher que confessa sua verdadeira idade. Uma mulher que diz isso, poderá dizer qualquer coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;12. Pergunta: O senhor c&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;ompreende a alma feminina?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: As mulheres foram feitas para serem amadas, e não para serem compreendidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;13. Como conviver com a culpa? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: A vida é curta demais para que possamos carregar nas costas os sofrimentos dos outros. Cada um vive a sua vida e paga o seu preço. O que dói é que devemos pagar muitas vezes até mesmo por um só erro. De fato, pagamos as nossas culpas inúmeras vezes. No seu relacionamento com o homem o destino nunca fecha as contas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;14. O ciúme é um sentimento devastador para as mulheres?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: As mulheres feias sempre são ciumentas dos maridos; as bonitas, nunca! Não têm tempo para isso. Estão preocupadas demais com o ciúme dos maridos das outras. A dúvida e a desconfiança transformam afeição em paixão, dando origem àquelas lindas tragédias que tornam a vida linda de ser vivida. Houve uma época em que as mulheres percebiam essa verdade e os homens não, e foi então que as mulheres dominaram o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;15. Pergunta: O senhor tem medo de tornar-se obsoleto?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Resposta: O maior perigo de todos é sermos excessivamente modernos. Corremos o risco de ficarmos repetinamente fora de moda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota biográfica&lt;/strong&gt;: &lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Oscar Wilde nasceu na na cidade de Dublin em 1864. Muito jovem foi morar em Londres, onde despontou como um dos maiores escritores de língua inglesa. Fez grande sucesso como teatrólogo, contista, cronista e romancista. Proferiu conferências nos Estados Unidos sobre o dandismo, movimento estético do qual era o principal representante. Adepto da vida mundana e extravagante, escandalizou os salões londrinos pela postura libertina e irreverente. Sua fama começa a decair a partir do escandaloso romance com Lorde Alfred Douglas, que acabou lhe rendendo condenação a dois anos de trabalhos forçados. Morre em Paris completamente arruinado no ano de 1900. Está enterrado no famoso cemitério Père Lachaise, sendo visitado diariamente por legiões de fãs de todo o mundo&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Bibliografia: As respostas de Oscar Wilde foram extraídas do livro Aforismos. Clássicos Econômicos Newton, Rio de Janeiro, 1995.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-188095209567496813?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/188095209567496813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=188095209567496813' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/188095209567496813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/188095209567496813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/entrevista-com-oscar-wilde.html' title='ENTREVISTA IMAGINÁRIA COM OSCAR WILDE'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SotZnJhFgvI/AAAAAAAAAK8/7m4eg0LRhCg/s72-c/oscar-wilde%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4379189122327653041</id><published>2009-08-15T18:19:00.017-03:00</published><updated>2009-08-16T11:37:34.525-03:00</updated><title type='text'>O FURTO DO SIBITE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Socy45zm2dI/AAAAAAAAAK0/ahAB6-V7BYk/s1600-h/passarinho_cueca%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370317033833945554" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Socy45zm2dI/AAAAAAAAAK0/ahAB6-V7BYk/s200/passarinho_cueca%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Os textos jurídicos normalmente são herméticos e difíceis de serem compreendidos pelos leigos, isto é, por aqueles que não possuem diploma de bacharel em direito. Alguns gramáticos, em tom de chacota, costumam mencionar o surgimento de um novo idioma no Brasil: o juridiquez. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;O que eles não sabem é que a Justiça também é palco de episódios hilários, que devem ser resolvidos com muito equilíbrio, serenidade e bom-humor, sobretudo quando se está diante do princípio da insignificância. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;É o &lt;em&gt;Caso do Ladrão de Sibite&lt;/em&gt;, julgado recentemente no último mutirão do Judiciário alagoano. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Na minha infância, era comum ver nos sítios e capoeiras passarinhos como o canário da terra, o curió, o galo de campina, o papa-capim, o caboclinho, o pintasilgo. Os moleques sabiam imitar os cantos, fazendo uso de apitos artesanais vendidos nos mercados públicos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;O sibite e o guriatã eram considerados pássaros de 2a categoria. Ninguém queria trancafiá-los em gaiolas porque eram pequeninos, mirrados e sem valor comercial. Estavam na mesma dimensão do garrincha e do pardal, que podiam voar livremente sem serem incomodados. Ah, também tinha o bem-te-vi, que não era capturado por não se adaptar à vida em cativeiro. Se caíssem nas armadilhas, eram imediatamente libertados sem necessidade de &lt;em&gt;habeas corpus&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Os tempos mudaram. Os grandes sítios de Maceió transformaram-se em condomínios de luxo, os coqueirais e mangues deram lugar a imponentes edifícios, as árvores escassearam e os pássaros nobres desapareceram de nossa convivência. Mas o sibite sobreviveu e passou a dominar a cena ornitológica com o seu canto melodioso, o jeito arisco e desconfiado. A partir daí a sua liberdade está sob constante ameaça pelos alçapões dos passarinheiros, envolvidos com o comércio clandestino de aves nativas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Aqui de Guaxuma tenho o privilégio de receber a visita espontênea de simpáticos sibites todas as manhãs. Adoro vê-los construir os seus ninhos nas pitangueiras ou fazendo belíssimas piruetas na época do acasalamento. A contemplação me remete às lições da irmã São Paulo, do Colégio Sacramento, que via nesse ato uma bela lição de vida - uma evocação à paciência e ao método. E pedia para a gente repetir um conhecido ditado popular francês: &lt;em&gt;petit à petit l'oiseau fait son nid&lt;/em&gt;. Quer dizer, de graveto em graveto o passarinho constrói o seu ninho (cuja corruptela brasileira é de grão em grão a galinha enche o papo).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Pois bem. O que eu queria dizer é que, no mutirão, apareceu um processo-crime, envolvendo um descuidista pego com a boca na botija (leia-se em flagrante delito) quando tentava roubar a gaiola onde vivia um afinado sibite. Paradoxalmente o larápio foi preso e teve o mesmo destino do triste &lt;em&gt;conirostrum speciusum&lt;/em&gt;: ficou engaiolado na delegacia, esquecido pelas autoridades judiciárias. Sentiu na carne a tristeza e a melancolia do objeto de sua cobiça...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;É aí que entra o nosso espirituoso Isaac Sandes que, na condição de promotor de justiça, resolveu dar um final feliz à história. Segue o pronunciamento do zeloso membro do parquet:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;MM. Juiz,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de requerimento de Relaxamento de Prisão em Flagrante em favor de VALDEVINO PAPAGENO FALCÃO, preso desde as 15:00 h., do dia 05 de maio do corrente ano pela prática do crime de furto, conduta tipificada pelo artigo 155 do Código Penal.&lt;br /&gt;Pelo que se depreende dos autos, o indiciado perambulava em sua rotina de descuidista, quando teve sua atenção despertada pelo canto de um pássaro sibite que, na varanda de uma casa, se divertia ou se lamentava, uma vez que se encontrava na mesma situação em que atualmente se encontra o indiciado, ou seja, engaiolado.&lt;br /&gt;Entretanto, no meio do caminho tinha um muro, e não sabendo que pular muro era conduta tipificada por nosso legislador com o pomposo nome de “escalada”, bem como que, escalada era causa qualificadora do furto simples, contemplada no nosso Código Penal com o Inciso II, ao parágrafo 4o., do artigo 155. Nosso indiciado, atraído pelo canto do sibite, tal qual Ulisses o foi pelo canto das sereias, resolveu pular o referido muro para furtar o alegre pássaro. Ao ultrapassar o muro, verificou, ainda, que o carro que se encontrava na garagem estava com os vidros abertos e, no seu interior, havia um celular. Resolveu, portanto, adicionar o citado aparelho ao seu esforço de ladrão descuidista.&lt;br /&gt;Flagrado, pelos moradores, abandonou a gaiola com o principal alvo de sua cobiça, desfez a escalada que havia feito e saiu em desabalada carreira apenas com o celular no bolso. Na perseguição, se viu sem saída e resolveu jogar o celular no chão. Em seguida foi preso. Amargando até a presente data, o mesmo destino do alegre ou triste “sibite”.&lt;br /&gt;Considerando que, até a presente data, não houve qualquer ato instrutório, ou melhor, sequer foi oferecida a competente Denúncia; considerando também que, o tempo em que se encontra preso sem sumário de culpa, talvez ultrapasse até mesmo a pena que receberia em concreto. Ainda que tal período de prisão tenha sido mais que suficiente para o mesmo refletir sobre as agruras da falta de liberdade em que se encontrava o inocente sibite, somos pelo DEFERIMENTO do pedido de Relaxamento da Prisão em Flagrante, ora apresentado em benefício de VALDEVINO PAPAGENO FALCÃO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maceió, 20 de julho de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ISAAC SANDES DIAS&lt;br /&gt;Promotor de Justiça&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4379189122327653041?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4379189122327653041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4379189122327653041' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4379189122327653041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4379189122327653041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/o-furto-do-sibite.html' title='O FURTO DO SIBITE'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Socy45zm2dI/AAAAAAAAAK0/ahAB6-V7BYk/s72-c/passarinho_cueca%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4745425691699624421</id><published>2009-08-14T21:17:00.002-03:00</published><updated>2009-08-14T21:23:25.043-03:00</updated><title type='text'>CASA DA PALAVRA: 12 ANOS DE CULTURA E COMUNICAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Freqüento a Casa da Palavra desde a sua criação, há 12 anos. Já no primeiro dia senti que se tratava de um projeto minuciosamente concebido para a formação de líderes que têm na comunicação sua principal ferramenta de trabalho. As atividades da instituição não se restringem a cursos de oratória ou metodologia do ensino superior. As noções de retórica são apenas um pano de fundo para que os alunos possam ter o controle de suas vidas, enfrentando as mais diversas situações comunicativas: discursos, conversações, entrevistas, recepções, debates, aulas acadêmicas, reuniões de trabalho etc.&lt;br /&gt;O Presidente da Casa da Palavra, Dr. Ricardo Nogueira, domina a retórica com a mesma habilidade com que o espadachim movimenta o florete. É culto, poliglota, leitor compulsivo, intelectual sutil e bem-humorado, que faz do seu ofício uma profissão de fé. Seus cursos têm o objetivo de extrair dos alunos o melhor de sua essência, dando-lhes motivação para combater a timidez, a insegurança e o aterrorizante medo de falar em público.&lt;br /&gt;O mestre ensina que a comunicação de boa qualidade não é um dom inato, mas uma técnica que pode ser aprendida por qualquer pessoa, desde que tenha determinação, força de vontade e muita disciplina. Sua mensagem é simples, direta e encorajadora: “você é capaz de transformar-se em um expositor eficiente! Basta que estude com afinco as técnicas ensinadas e vença o medo paralisante de falar em público”.&lt;br /&gt;Na Antiga Grécia, o bom discurso tinha de reunir três requisitos básicos: agradar, comover e convencer. Ricardo Nogueira surpreende não só pela profundidade dos conhecimentos interdisciplinares, mas, sobretudo, pela forma original com que aborda temas complexos e controvertidos. Suas perorações mexem profundamente com as emoções humanas, extraindo risos espontâneos, choros furtivos, reflexões sobre a condição humana e encorajamento para enfrentar os desafios da vida.&lt;br /&gt;Várias gerações de alunos já passaram pelos cursos oferecidos pela Casa da Palavra. Ali tiveram a oportunidade de aprender a planejar um discurso, usar adequadamente a metodologia científica, aplicar regras de etiqueta nas relações profissionais etc. Entre os diplomados, encontram-se empresários, funcionários públicos, políticos, professores, alunos de graduação e pós-graduação, militares, entre outros profissionais interessados em aprimorar as técnicas de comunicação profissional e acadêmica.&lt;br /&gt;Na condição de professor, acompanhei centenas de estudantes de Direito à Casa da Palavra para discutir a importância da oratória jurídica na vida profissional. Sempre insisti, em sala de aula, que a palavra é a principal arma do advogado. Palavra escrita e falada. No mundo jurídico, a produção do discurso é determinante para assegurar a proteção à vida, à liberdade ou ao patrimônio. As aulas magistrais ministradas por Ricardo Nogueira sobre o tema ofereceram valiosas ferramentas para construir uma exposição objetiva, clara e argumentativa, preparando os futuros juristas para enfrentar os grandes embates a serem travados nos tribunais e salas de audiência.&lt;br /&gt;Em várias ocasiões, tive a honra de assistir as conferências de Ricardo Nogueira. Percebi sua preocupação de adequar o discurso aos diversos públicos sem perder a densidade. O mestre não abre mão do bom-humor, dos aforismos e das histórias pitorescas, ingredientes essenciais a uma boa preleção. Incorpora à elocução ferramentas como a informática, a internet, projeção de imagens, vídeos, execução de peças musicais – o que o torna um orador criativo e comprometido com os avanços tecnológicos da sociedade pós-moderna.&lt;br /&gt;A Casa da Palavra não foi criada para ser uma simples escola de oratória como tantas que existem por aí. Mas um templo do saber onde se cultua a língua portuguesa, a dignidade da pessoa humana, a ética, a polidez, a auto-estima e, sobretudo, a comunicação interpessoal em toda sua plenitude. É formada por uma equipe de abnegados funcionários, entre os quais destaco o cerimonialista Tony Admond, que tem atraído elogios por sua gentileza, eficiência e competência administrativa.&lt;br /&gt;Comemorar os 12 anos da Casa da Palavra significa celebrar a consolidação de um projeto acadêmico que enriquece a cultura alagoana e enche de orgulho aqueles que, como eu, partilham o sonho de Ricardo Nogueira de promover a civilidade através da comunicação entre os povos, explorando todas as dimensões do diálogo, do discurso e da solidariedade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4745425691699624421?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4745425691699624421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4745425691699624421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4745425691699624421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4745425691699624421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/12-anos-da-casa-da-palavra.html' title='CASA DA PALAVRA: 12 ANOS DE CULTURA E COMUNICAÇÃO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-2022482702004901230</id><published>2009-08-09T20:29:00.015-03:00</published><updated>2009-08-10T16:33:40.840-03:00</updated><title type='text'>HISTÓRIAS QUE COLHI NAS RUAS - EPISÓDIO III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;A MALDIÇÃO DO IMPERADOR&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alagoas vive a maior crise de auto-estima de sua história. Ostentamos vergonhosos índices de corrupção, violência e analfabetismo. E parece que nos orgulhamos disso. O povo, sofrido e privado das mais elementares políticas públicas, continua votando em candidatos comprometidos com o atraso, com o coronelismo e com o enriquecimento ilícito.&lt;br /&gt;Onde está a bravura dos caetés? A coragem de Zumbi dos Palmares? O médico Luiz Nogueira, um dos mais lúcidos intelectuais alagoanos, afirma que para defender Alagoas temos de bater à porta dos cemitérios. É paradoxal que sejamos obrigados a incomodar os nossos mortos ilustres para resgatar a honra perdida. Como é triste assistir às patuscadas dos políticos, que protagonizam episódios pastelões, que só acirram à impressão negativa que a nação tem de Alagoas!&lt;br /&gt;Nas rodas de botequim, nos senadinhos de aposentados, nas caminhadas na praia, em todo lugar não faltam palpiteiros que se arriscam nas mais exóticas explicações sociológicas para as tragédias que se abatem sobre o nosso torrão.&lt;br /&gt;Certo dia, conversava com uma brilhante professora da UFAL, sobre essas questões. Autora de vários livros e voz respeitadíssima na academia, ela olhou para mim e pontificou:&lt;br /&gt;– É a praga de D. Pedro II. E repetiu: – ainda não conseguimos nos libertar da maldição do Imperador!&lt;br /&gt;Ainda pasmo, balbuciei: – Como é a história? A senhora está falando sério? Ela olhou para mim com condescendência, expondo as vísceras de minha ignorância histórica.&lt;br /&gt;– Você não sabe?&lt;br /&gt;– Não, respondi envergonhado.&lt;br /&gt;– Tudo começou na visita que D. Pedro II fez a Alagoas. Um verdadeiro desastre! Quando desembarcou em Maceió, o vento nordeste atacou toda a comitiva real, que teve de entrar na cidade de costas, as roupas cheias de areia da praia e os cabelos desgrenhados. A incursão ao interior foi ainda mais catastrófica: os visitantes foram atacados por mosquitos, abelhas e indigestão.&lt;br /&gt;&amp;shy;Ela bebeu um copo d’água, tossiu e continuou em tom professoral:&lt;br /&gt;– Muitos anos depois, o velho imperador desenvolveu afeição paternal por Marechal Deodoro, monarquista convicto, a quem confiou os cargos mais importantes da Corte. Advinha quem proclamou a república? Sem se importar com minha perplexidade, arrematou:&lt;br /&gt;– Pois é, Deodoro da Fonseca, o &lt;em&gt;enfant gâté&lt;/em&gt;, determinou ao seu protetor que deixasse o Brasil em 24 horas, acompanhado de toda a sua família. Cortou-lhe até a pensão a que tinha direito. Sabe o nome da fragata que os conduziu para o exílio? Nem me deixou responder: – Alagoas! Foi aí que o Imperador, trêmulo de raiva e de decepção com a corja de traidores rogou a praga: “nessa terra nada pode prosperar”.&lt;br /&gt;Depois dessa peroração eloqüente, a professora despediu-se de mim com uma tapinha no ombro, deixando-me imerso em elucubrações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O diálogo surrealista foi extremamente revelador da origem das nossas desgraças. Para que herméticas explicações sociológicas? A resposta está na cara: a maldição do Imperador é a grande responsável pela infestação de gabirus, taturanas e sanguessugas em Alagoas - pragas imunes a qualquer tipo de inseticida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A saída é procurar um boa encruzilhada, convocar os pais de santo com seus atabaques e galinhas pretas para ver se retira esse feitiço de amarração.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-2022482702004901230?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/2022482702004901230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=2022482702004901230' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2022482702004901230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2022482702004901230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/historias-que-colhi-nas-ruas-episodio.html' title='HISTÓRIAS QUE COLHI NAS RUAS - EPISÓDIO III'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-169957808501253115</id><published>2009-08-08T09:17:00.009-03:00</published><updated>2009-08-09T19:09:50.626-03:00</updated><title type='text'>MENTES EMBACIADAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Sn4N-sdLOdI/AAAAAAAAAKk/twpaIJU9sSk/s1600-h/DSC02880_3_4%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabido de todos que nosso cérebro é o mais completo, gigantesco e eficiente computador jamais criado.&lt;br /&gt;Sabemos também ser ele executor do mais complexo sistema operacional até agora conhecido: o comportamento humano. Complexidade advinda do fato de ser autogerenciado e autodeterminado.&lt;br /&gt;Difere dos sistemas operacionais instalados nos cérebros dos demais animais, os quais agem e executam rotinas comportamentais simples e naturais, guiadas por uma plataforma rígida e pré-estabelecida à qual chamamos de instinto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nosso sistema operacional comportamental, envolve grande complexidade e constante aperfeiçoamento cuidando para que nossa conduta não marche no grupo de forças rotineiras e instintivas que a natureza estabeleceu como regra para as demais criaturas.&lt;br /&gt;Do alto de nossa presunção e soberba, tentamos incutir, em nós mesmos, a precária verdade de que o usufruto de tal discernimento nos torna superiores. Esquecemos que a natureza, ao longo dos seus treze bilhões de anos de aperfeiçoamento, não comete erros nem irá tolerar tal rebeldia. Jamais permitirá ela que, entre os milhões de espécies, a nossa, com a sua dita autodeterminação, seja o flautim a desafinar na sua imensa orquestra.&lt;br /&gt;Então, de posse dessa sua singularidade e arrogância, a espécie humana, autodenominada de &lt;em&gt;homo sapiens&lt;/em&gt;, cometeu um dia o que considero ter sido o verdadeiro pecado original. O extermínio da única espécie de animais, igualmente inteligentes, que habitava o planeta junto com ela.&lt;br /&gt;Assim, em determinado momento do mais recuado tempo, ao matar o último homem de Neandertal, nossa espécie, dita espécie inteligente, se viu única e solitária em todo planeta ou, quem sabe, no universo, perdendo o contraponto até então existente naquela que acabava de sucumbir.&lt;br /&gt;Desde então, julgando-se o senhor do universo, vem tentando modificar a natureza e impor aos seus semelhantes as mais diversas regras de condutas que, por sua vez, sempre estarão em choque com as condutas ditadas pelo sistema operacional natural que teima em existir no âmago de nosso cérebro.&lt;br /&gt;Diante disto, a natureza, com sua força descomunal, ciente de que o homem não passa, apenas, de mais uma mísera espécie, descartável a qualquer momento por desnecessária, está sempre a exigir o que lhe foi roubado. O comando de sua criatura !!&lt;br /&gt;É um verdadeiro cabo de força! Numa extremidade, nossa pequena espécie e seu autodeterminismo, noutra, a natureza com suas imensuráveis forças, trilhando seu curso natural.&lt;br /&gt;Das profundezas de nosso cérebro o instinto natural manda que façamos sexo sem regras, sem amarras e sem convenções. Enquanto nosso superficial e recente córtex nos empurra para uma prática sexual, certinha, cheia de regras, maneirismos, condutas ditas éticas e etiquetas. Até discutimos a relação no pós coito.&lt;br /&gt;É, o cérebro reptiliano mandando que matemos nossa fome da maneira mais animal e eficiente possível. Enchendo nossas bocas e barrigas como se predadores espreitassem nossa comida. Que soltemos barulhentos arrotos para que o ar expelido nos dê mais espaço no estômago. Detonando poderosos puns no repasto para que nossos intestinos apressem a expulsão da refeição passada em benefício da recém ingerida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, por outro lado, nosso novo e dito civilizado sistema operacional, nos impondo maneiras finas de sentar à mesa, ditando métodos do usos de talheres, ordem de uso das peças, etc. Até nos ensinando que devemos sempre sair da mesa com um pouco de fome e que, nela, não devemos permitir qualquer manifestação originária dos nossos primitivos instintos.&lt;br /&gt;É a natureza mandando que durmamos sempre que estivermos saciados de comida e sexo, pois assim agem todos os demais animais, até que tais necessidades instintivas retornem. Enquanto, por sua vez, nosso civilizado sistema sempre a nos empurrar para a faina diária, impondo que acumulemos mais comida do que necessitamos, nos mandando fazer sexo não para o bem da espécie, mas para mostrarmos desempenho, performance e poder.&lt;br /&gt;É o impulso natural e instintivo dizendo que só devemos possuir o que pudermos carregar, e, por seu lado, nossa dita razão e autodeterminação nos empurrando para uma inconseqüente acumulação de metais, jóias, papel moeda e bujingangas tão inúteis, quanto foram os espelhinhos do escambo dos descobridores para nossos indígenas.&lt;br /&gt;É a vontade primeva de nossos neurônios martelando lá no fundo para que andemos nus e integrados à natureza, enfrentando em feroz luta, as impostas e antinaturais regras, que pregam: “O corpo nu, sem os inúteis badulaques, é indigno, é imoral" .&lt;br /&gt;É o gene egoísta que quer, à custa da irreprimível força natural, se replicar em conjunção com a fêmea eleita e receptiva que passa na frente do macho, ou vice-versa. Em eterna luta contra o cabedal de regras e leis que dizem que ele só deverá se replicar apenas com aquela fêmea que for conveniente para a ordem econômica, ou para a satisfação social e moral do grupo.&lt;br /&gt;Talvez, nessa luta desigual, nesse penoso carregar do insuportável fardo de síndico do universo, para o qual o homem se autoelegeu, resida a origem secreta de todas as nossas neuras, de todas as nossas paranóias.&lt;br /&gt;Em síntese, é o resultado de todos estes conflitos que faz o nosso Sistema Operacional, “dito inteligente", rodar lentamente e apresentar freqüentes panes, pois que atingido pelos mais diversos Bugs, provocados pelos constantes conflitos com o natural e instintivo programa que, teimosamente, é executado em paralelo nas profundezas de nossos cérebros. Tais conflitos, vez por outra, nos deixam confusos, indecisos travados. Por qual dos dois Sistemas Operacionais nossa conduta deverá se pautar? Atendemos ao poderoso e natural sistema da natureza, ou ao recente e precário sistema artificial gerado em nosso córtex cerebral? Eis a verdade.&lt;br /&gt;Daí, o surgimento entre nós, presunçosos e pobres seres, de comportamentos e condutas que, sem saber, classificamos como absolutamente inexplicáveis, rotulando-as de neurose, loucura ou monstruosidade. Finalmente, atordoados, nos entregamos a gurus ou corremos para o consultório do psicanalista, sem saber que este, da mesma forma, encontra-se lá com seus próprios conflitos e inexplicáveis “Bugs" e aproveitará nossa visita para procurar respostas para ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes&lt;br /&gt;05/07/2009.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-169957808501253115?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/169957808501253115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=169957808501253115' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/169957808501253115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/169957808501253115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/mentes-embaciadas-e-sabido-de-todos-que.html' title='MENTES EMBACIADAS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-7076242578064658831</id><published>2009-08-07T14:22:00.007-03:00</published><updated>2009-08-08T14:27:39.496-03:00</updated><title type='text'>MURRO EM PONTA DE FACA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um ditado popular que detesto: “não se deve dar murro em ponta de faca”.&lt;br /&gt;Muitas pessoas se jactam em defender essa visão derrotista como verdade absoluta. No fundo, querem mesmo é justificar sua postura resignada e passiva diante dos desafios da vida.&lt;br /&gt;A humanidade está dividida em duas categorias: os céticos e os sonhadores.&lt;br /&gt;Os céticos acreditam na imutabilidade das coisas, na inutilidade das ideologias, na irrelevância dos sonhos. Detestam correr riscos. Estão mais preocupados em preservar as suas zonas de conforto do que em se arriscar a perder os espaços já conquistados. São mariposas sociais, que gravitam em torno de quem tem o poder. Mas não se enganem: quando a luz apagar, batem asas e, rapidinho, procuram outro ponto luminoso.&lt;br /&gt;Os sonhadores são guiados por uma luz interior fortíssima que os faz acreditar nas utopias, nas transformações sociais, na possibilidade de ser feliz. Não se deixam vencer pelo pessimismo, pelo desencanto ou pela apatia. Estão à frente de seu tempo e, muitas vezes, são incompreendidos, marginalizados ou ridicularizados pelos "idiotas da objetividade", para usar a expressão de Nelson Rodrigues.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o que seria de nós se Ícaro fosse um cético? Se Thomas Edison se conformasse com a escuridão? Imaginem se os irmãos Lumière tivessem desistido de captar as imagens em tempo real! E se Pasteur pensasse que os germes eram invencíveis? Mas havia entre eles uma coisa em comum: coragem de ensanguentar as mãos nas facas da ignorância e do obscurantismo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-7076242578064658831?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/7076242578064658831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=7076242578064658831' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7076242578064658831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7076242578064658831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/murro-em-ponta-de-faca.html' title='MURRO EM PONTA DE FACA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-7751168249920292240</id><published>2009-08-04T17:52:00.018-03:00</published><updated>2009-08-05T22:20:47.087-03:00</updated><title type='text'>HISTÓRIAS QUE COLHI NAS RUAS - EPISÓDIO II</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnjmJwWzu4I/AAAAAAAAAKU/yebKMBsqbwk/s1600-h/papa%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366292011285724034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 179px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnjmJwWzu4I/AAAAAAAAAKU/yebKMBsqbwk/s200/papa%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;O HOMEM QUE CORTOU A CABEÇA DO PAPA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGESARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem vai a Roma quer ver o Papa. Maria Laura queria mais. Muito mais. Não se satisfaria em contemplar o Sumo Pontífice como uma simples anônima, perdida entre os peregrinos que lotavam a Praça São Pedro sob o sol a pino daquela manhã de verão. Pretendia vê-lo de perto, se possível tocar-lhe a túnica.&lt;br /&gt;Estava envolvida nesses pensamentos, quando se depara com uma freirinha de hábitos simples e olhar suave. Conversa vai, conversa vem, descobre que a religiosa trabalhava no Vaticano e gozava certo prestígio junto ao cerimonial. Confessou-lhe ardentemente o desejo de estar perto de Bento XVI, de receber a sua santa benção.&lt;br /&gt;A freirinha comoveu-se. Raramente vira tamanha determinação, tamanho ardor católico. Piscou os olhos e pediu-lhe que esperasse um pouco. Iria interceder por ela. A passos lentos, entrou em uma das dependências do Vaticano, voltando momentos depois com dois convites para a cerimônia de ordenação de bispos de várias nacionalidades, que aconteceria em poucas horas.&lt;br /&gt;Guardou os ingressos como quem protege um bilhete premiado da megasena. Já se imaginava no Brasil contando a proeza para suas amigas. Voltou ao hotel, recarregou a bateria da máquina fotográfica, apagou da memória todas as fotos turísticas, escolheu a roupa que iria usar na ocasião e deitou-se um pouco para relaxar. Nada podia falhar.&lt;br /&gt;Foi uma das primeiras a chegar e conseguiu um lugar privilegiado: a passarela coberta por um luxuoso tapete vermelho. Não havia dúvidas: o Papa passaria por ali antes da pregação. Na hora prevista, Bento XVI aparece seguido por um séquito de cardeais. Ela entrega a câmera ao marido e lhe pede que não economize fotos. Quanto mais, melhor – enfatizou.&lt;br /&gt;Sob os aplausos dos fiéis, o Papa cruzou a passarela, portando uma vistosa batina branca, láctea, engomadíssima. Estacou diante de Maria Laura, olhou para ela e fez o sinal da cruz. Contrita, ela olhou para câmera enquanto marido tirava várias fotos. Bento XVI dirigiu-se o palanque, onde o aguardava uma imponente poltrona e as páginas do sermão que seria lido em poucos instantes.&lt;br /&gt;Sem conter a curiosidade, Maria Laura pede para conferir as fotos. Olha a câmera e fica lívida. Esboça uma expressão de espanto e de decepção. De fato ela saíra nas fotos. Mas onde deveria estar a imagem de Sua Santidade, o que se via era um fundo branco e as mãos alvíssimas do Pontífice. Nada mais.&lt;br /&gt;– E o Papa, aonde você enfiou o Papa? Perguntava colérica, ainda sem acreditar no que aconteceu.&lt;br /&gt;– Está aí, atrás de você... Balbuciou o marido, sem saber bem o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;&amp;shy;– Veja com os seus próprios olhos. Apenas um pano branco. Eu quero ver o Papa, me mostra o Papa!&lt;br /&gt;– É mesmo...&lt;br /&gt;– Você decepou a cabeça do Papa!&lt;br /&gt;–Estragou tudo! Estragou tudo, repetia aos prantos.&lt;br /&gt;&amp;shy;A verdade é que o marido manipulara mal o zoom da câmera e simplesmente não conseguira capturar a foto do Sumo Pontífice, abençoando sua esposa. Diante do irreversível, não perdeu o élan. Apresentou a idéia salvadora:&lt;br /&gt;– Ele vai voltar pela passarela. Não se preocupe que dessa vez não erro o alvo.&lt;br /&gt;Terminada a cerimônia, um oficial da Guarda Suíça anunciou que, por razões de segurança, o Papa sairia por uma porta contígua ao altar. A solenidade terminou sem que o marido pudesse redimir-se do erro cometido. Mas a criatividade do brasileiro não tem limites:&lt;br /&gt;– Fique tranqüila, querida. Quando chegarmos ao Brasil, capturarei a cabeça do Papa na internet e colo na foto. Faço uma montagem. Ninguém vai notar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora destroçado pela falha técnica, manteve a fleuma até o fim da viagem e não tocou mais no assunto.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-7751168249920292240?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/7751168249920292240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=7751168249920292240' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7751168249920292240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7751168249920292240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/historias-que-ouvi-na-rua-episodio-ii.html' title='HISTÓRIAS QUE COLHI NAS RUAS - EPISÓDIO II'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnjmJwWzu4I/AAAAAAAAAKU/yebKMBsqbwk/s72-c/papa%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-3110808672969239371</id><published>2009-08-03T22:34:00.002-03:00</published><updated>2009-08-03T22:38:50.660-03:00</updated><title type='text'>FREVINHO IRREVERENTE</title><content type='html'>Ajoelhou,&lt;br /&gt;Tem que rezar!&lt;br /&gt;Agora é tarde&lt;br /&gt;Não adianta reclamar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! que coisa boa...&lt;br /&gt;Tudo é carnaval!&lt;br /&gt;Você é a chapeuzinho&lt;br /&gt;E eu sou o lobo mau!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-3110808672969239371?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/3110808672969239371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=3110808672969239371' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3110808672969239371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3110808672969239371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/frevinho-irreverente.html' title='FREVINHO IRREVERENTE'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-5123558687243399716</id><published>2009-08-02T21:52:00.018-03:00</published><updated>2009-08-04T22:44:51.946-03:00</updated><title type='text'>HISTÓRIAS QUE COLHI NAS RUAS - EPISÓDIO I</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnY-c00WaHI/AAAAAAAAAKE/Pv8z05tiFc4/s1600-h/Golpe+do+ba%C3%BA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365544670993999986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 127px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnY-c00WaHI/AAAAAAAAAKE/Pv8z05tiFc4/s200/Golpe+do+ba%C3%BA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;O GOLPE DO BAÚ&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olavo era um solteirão convicto. Daqueles que farejam uma enrascada a quilômetros de distância. Ao longo da vida fugira de todas as armadilhas para resgatá-lo do cômodo celibato. As moças casadoiras até que insistiram. Mas ele se mostrava inflexível às tentações carnais e ao sonho de constituir família. Chegou aos 65 anos da maneira com que havia sonhado: uma excelente aposentadoria, saúde de ferro e sem as cotidianas preocupações domésticas.&lt;br /&gt;Encontrávamos com certa frequencia no &lt;em&gt;Hiper Bompreço&lt;/em&gt;. Quase sempre ele estava na cafeteria, discutindo alegremente com os seus companheiros de “senadinho”, vocábulo aqui usado para descrever os grupos de aposentados que se reúnem diariamente em lugares estratégicos – bancas de revistas ou shoppings centers – para relembrar o passado, falar da vida alheia ou comentar as notícias do dia.&lt;br /&gt;Adorava cortejar vendedoras das lojas e lanchonetes, sem jamais se deixar seduzir pelos encantos femininos ou assumir compromisso mais duradouro. Diante da mais leve ameaça de romper com sua solteirice, já pulava fora sem dar maiores explicações. Em nossas conversas, e foram muitas, ele descrevia deliciosamente os estratagemas utilizados para se safar dos compromissos matrimoniais, velados ou escancarados.&lt;br /&gt;Certo dia encontro o Olavo um pouco acabrunhado, como quem está prestes a tomar uma importante decisão. Ele palitava os dentes e tinha um olhar perdido. Seu café estava frio e intocado. Perguntei o que tinha ocorrido. Ele não se fez de rogado. Pigarreou, aproximou-se do meu rosto e sussurrou:&lt;br /&gt;– Rapaz, estou apaixonado! Agora sim, encontrei o amor da minha vida. Valeu a pena esperar tanto tempo. Ela é linda: 25 anos, evangélica, extremamente recatada. Fidelíssima! Moça do interior... Não cansa de dizer que me ama, que viverá sempre ao meu lado. É benzinho para cá, amorzinho para lá... Você precisa ver!&lt;br /&gt;Parabenizei-o calorosamente e desejei muitas felicidades para o casal. Ele prometeu que me enviaria o convite de casamento.&lt;br /&gt;Meses depois encontro o Olavo, muito alegre e sorridente ao lado dos correligionários de senado. Abro os braços e pergunto:&lt;br /&gt;– Cadê o convite? Esqueceu dos amigos ou não quer gastar dinheiro com a festança?&lt;br /&gt;Ele me pegou pelo braço, levou-se a um canto e respondeu:&lt;br /&gt;– Que casamento, George? Eu ia caindo numa esparrela. Saí a tempo. Seu eu não fosse arisco como um sibite estaria hoje nas mãos daquela vigarista.&lt;br /&gt;– Mas você não tinha me dito que finalmente descobrira o verdadeiro amor? Que sua noiva era um poço de virtudes?&lt;br /&gt;– Você não sabe o que aconteceu... Depois de várias semanas de felicidade, decidi ir à Taquarana conhecer a família da moça. Chegamos à casa de uma irmã, que me olhou com desdém, deixando bem claro o desprezo que sentia por mim. Conversamos um pouco na sala e a anfitriã fazia questão de me ignorar. Sob o pretexto de coar um café, a dona da casa chamou-a para conversar na cozinha. Meio desconfiado, levantei-me do sofá e, pé ante pé, encostei o ouvido na parede para escutar o que elas tramavam.&lt;br /&gt;Olhou fixamente para mim, com os olhos injetados de sangue, a boca levemente trêmula de emoção:&lt;br /&gt;- A megera perguntou à minha bela noivinha (senti um toque de ironia em sua voz) por que ela, tão bonita e jovem, havia arrumado um velho como eu, que mal se segurava em pé. Sabe o que ela respondeu? “você fez tudo certinho e hoje é uma pobretona. O que adiantou casar por amor? Eu sou mais esperta. Darei o golpe do baú. O coroa tem uma aposentadoria de 18 mil reais! Sabe o que é isso? Terei dois filhos com ele, depois lhe dou um belo chute na bunda e, ainda por cima, embolsarei uma gorda pensão alimentícia para o resto da vida!"&lt;br /&gt;– E o que você fez após essa trágica descoberta? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Nada. Dei meia volta, abri a porta sem fazer barulho e ganhei o mundo. Entrei no carro e parti sem olhar para trás. Nunca mais encontrei aquela dissimulada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda emocionado abraçou-me calororamente e disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Depois dessa, quem falar em casamento na minha frente vira inimigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E voltou à sessão do "senadinho" mais solteiro do que nunca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Foto: &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ncSSGv4MaLQ/SP"&gt;http://3.bp.blogspot.com/_ncSSGv4MaLQ/SP&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-5123558687243399716?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/5123558687243399716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=5123558687243399716' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5123558687243399716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5123558687243399716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/08/conversas-que-ouvi-na-rua-episodio-i.html' title='HISTÓRIAS QUE COLHI NAS RUAS - EPISÓDIO I'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnY-c00WaHI/AAAAAAAAAKE/Pv8z05tiFc4/s72-c/Golpe+do+ba%C3%BA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8588640579508249093</id><published>2009-07-31T08:56:00.004-03:00</published><updated>2009-07-31T19:13:42.815-03:00</updated><title type='text'>O PALAVRÃO TERAPÊUTICO</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364745593351197138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 191px; CURSOR: hand; HEIGHT: 103px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnNnsYoKUdI/AAAAAAAAAJ0/wSg8L0Yqmnc/s200/Palavr%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aos domingos, sempre me entrego ao prazer de não assistir o “Fantástico”. Prazer que comecei a descobrir quando notei que tal programa era para a grande maioria, a “ Patriótica Neosaldina ”, enquanto, para mim, era a enxaqueca da segunda feira.&lt;br /&gt;Portanto, não mais assisto o “Fantástico”. Entretanto, em um dos últimos domingos, enquanto lia meus e-mails, minha orelha e meu olho que estavam voltados para a televisão, foram covardemente invadidos por aquela musiquinha e a fatal chamada: “ O papel do palavrão na cura dos machucados”, ou algo assim.&lt;br /&gt;Coincidência ou não, antes já havia submetido, aquele até então não global tema, a elevada consideração de meus amigos no almoço das sextas. Disse-lhes que sempre achei que o palavrão tinha o condão de aliviar dores, de desafogar mágoas, de ser o nosso barato e ordinário psicólogo sempre à mão, ou melhor, sempre à boca.&lt;br /&gt;Os politicamente corretos, até no relaxado almoço das sextas, rosnaram contra. Por outra, aqueles que nos ditos almoços, relaxam até os esfíncteres, de pronto concordaram com a inusitada tese curativa. As duas correntes, politicamente corretos de um lado e incorrigíveis relaxados do outro, já davam, a qualquer isento observador, uma antevisão do escore . Mas, como sabemos, nos almoços das sextas não existem isentos. Todos à mesa, numa sexta-feira, assumem suas paixões e as defendem, se possível com facadas e garfadas. - Até que a pacificadora comida chegue!&lt;br /&gt;Caso a ser estudado. O incêndio das paixões nos almoços das sextas-feiras. – Tem sua origem num atávico ritual dos bandos que se reuniam em torno da ancestral fogueira ? - Ou no tempero apimentado que a fome vai jogando na inocente discussão ? - Digam vocês !!&lt;br /&gt;Fato é que a comida demorava. Estávamos todos já arrotando fome e tomados da hipoglicêmica tremedeira. A discussão se avolumava. Já havia contendedores com caras encrispadas. Espumas epilépticas formavam balõezinhos no canto da boca de alguns. Outros, já utilizavam os ditos palavrões para, sem sentir, escoar sua ira.&lt;br /&gt;Quando, aproveitando um vácuo respiratório dos cansados e esfomeados Freuds e Jungs, tive a maldade de lançar a herética intervenção.&lt;br /&gt;Gritei...! - “Calma amigos!!! - Para encerrar a discussão e como tema para reflexão, proponho a seguinte questão:&lt;br /&gt;- Imagine cada um de vocês que, estando Sua Santidade o Papa, não digo o atual, mas qualquer Papa, de Pedro ao mais recente, andando pelos santos corredores do Vaticano a mancar com um dos pés enfiado em uma improvisada sandália de pescador, pois o inchaço de um latejante panariço transformou o dedão do seu pé em um pulsante macete de bombo. Até uma corrente de ar faz doer a santa mancada. Quando, de repente, aquele quase invisível degrauzinho à sua frente o faz dar violenta topada no latejante dedão. Respondam: - Sem paixões e sem pudores - Com que palavras Sua Santidade contemplaria tal ocorrência, enquanto, rodando num pé só, segura e ampara a pulsante e dolorida chaga ?&lt;br /&gt;Na hora, eu e minha genitora, recebemos os mais “elogiosos” encômios dos crentes ali presentes. Foram eles dos mais comezinhos e chulos a herege e anticristo. Imagine, colocar sua santidade no meio de tão inusitada e profana cena. Enquanto os outros, não tendo coragem de verbalizar sua defesa diante daqueles esgares assassinos, apenas sorriam marotamente e diziam: Calma amigos. Calma. Não pensem no santo, imaginem o homem, pensem no mortal e falível homem que há nele. O santo é apenas a ênfase da cena.&lt;br /&gt;Quando a situação estava se tornando quase um festim diabólico, soou a corneta da cavalaria. Era a comida chegando. Fui, assim, poupado de, ali mesmo, me converter no próprio almoço, e tornar-me gravura de Staden.&lt;br /&gt;Neste momento, a salvo, aguardo o próximo almoço das sextas para, antes da má conselheira fome, colher os já refletidos votos e as isentas respostas.&lt;br /&gt;Isaac Sandes&lt;br /&gt;28/07/09 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto: &lt;a href="http://super.abril.com.br/imagem/249_Palavrao.jpg"&gt;http://super.abril.com.br/imagem/249_Palavrao.jpg&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8588640579508249093?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8588640579508249093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8588640579508249093' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8588640579508249093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8588640579508249093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/07/o-palavrao-terapeutico.html' title='O PALAVRÃO TERAPÊUTICO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnNnsYoKUdI/AAAAAAAAAJ0/wSg8L0Yqmnc/s72-c/Palavr%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-2125675160876387566</id><published>2009-07-27T23:01:00.052-03:00</published><updated>2009-07-31T19:11:54.965-03:00</updated><title type='text'>FLORIANÓPOLIS E A CRISE DE IDENTIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnNqtIGwB-I/AAAAAAAAAJ8/kaXNBb_rCck/s1600-h/Floriano+Peixoto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364748904630847458" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnNqtIGwB-I/AAAAAAAAAJ8/kaXNBb_rCck/s200/Floriano+Peixoto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há pessoas que se sentem tão incomodadas com seus nomes de batismo que ficam loucas para se livrar deles o mais rápido possível. O problema é que a legislação brasileira só autoriza a modificação do prenome quando há erro de grafia ou exposição ao ridículo. Os cartórios de registro estão cheios de averbações bizarras como &lt;em&gt;Manoel Sola de Sá Pato&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Dosolina Piroca&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Joaquim Pinto Molhadinho&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Otávio Bunda Seca&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;José Xixi&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Vivelinda Cabrita&lt;/em&gt;. Sem falar em prenomes como &lt;em&gt;Venério&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Bucetildes&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Waldisnney&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Libertino&lt;/em&gt; e por aí vai. A lista é tão grande quanto à criatividade do nosso povo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou convencido de que a empatia entre nome e usuário é um dos elementos mais importantes para a auto-estima. Como promotor de justiça atuei em muitas ações de retificação envolvendo homens e mulheres insatisfeitos com seus prenomes. Lembro-me da alegria de Lúcio, um travesti de Marechal Deodoro que se submeteu à cirurgia de mudança de sexo numa clínica marroquina e passou a chamar-se Lucileide. E da tristeza de Stephanie, que simplesmente detestava ser chamada assim, embora fosse xará de uma das mais belas e sedutoras princesas de Mônaco. O indeferimento do juiz condenou-a a suportar enternamente o companheiro indesejável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava pensando nessas coisas quando desembarquei em Florianópolis para participar de uma banca examinadora no doutorado da UFSC. Já havia notado um certo desconforto dos moradores em considerar o Marechal Floriano Peixoto um ícone da cidade. No principal museu não há qualquer homenagem ao ilustre alagoano, tampouco exaltação dos seus feitos na Guerra do Paraguai ou à frente da Presidência da República. As placas nas ruas, as estampas das camisetas, os textos publicitários, os jornais, em tudo se percebe claramente a preferência pelo vocábulo Floripa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual a razão de tanta resistência? Realmente, o sufixo &lt;em&gt;polis&lt;/em&gt; unido ao nome próprio denota apropriação, posse, controle. &lt;em&gt;Cidade de Floriano&lt;/em&gt;, talvez soe presunçoso. Mas não é essa a razão. Senão os moradores de Petrópolis, Tiradentes e João Pessoa teriam a mesma reação. Após perfunctórias investigações, uma perguntinha aqui outra ali, descobri que o velho marechal não é uma figura muito popular por essas bandas. Não pelo fato de ser alagoano, mas pelas atrocidades que lhe são atribuídas. Os mais exaltados o chamam de sanguinário e tirano. Alguns chegam mesmo a propor a mudança de nome da cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Santa Catarina foi palco da Revolução Federalista, movimento político encabeçado por setores conservadores da aristocracia rural, interessados em manter privilégios herdados da monarquia. A revolta começou em 1893 e tinha natureza separatista. Redundou na criação do Estado de Santa Catarina - país livre e independente do restante do Brasil. Os golpistas eram extremamente violentos e disseminavam o terror entre a população. Coube a Floriano Peixoto a difícil tarefa de consolidar a república recém-criada, mesmo que, para isso, tivesse de enfrentar os dissabores de uma guerra fraticida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Designou o coronel Moreira Cesar para sufocar a revolta e restabelecer a ordem constitucional. Depois de algumas batalhas, as tropas legalistas romperam o cerco e se instalaram na ilha de Nossa Senhora do Desterro. Foi aí que começou o &lt;em&gt;ajuste de contas&lt;/em&gt;, com a execução sumária dos líderes revoltosos, entre eles grandes proprietários de terra, políticos, militares e banqueiros. O &lt;em&gt;Corta Cabeças&lt;/em&gt;, como ficou conhecido o coronel, foi o responsável pelo fuzilamento de mais de 300 pessoas sem clemência ou julgamento por um tribunal. A atuação do sanguinário militar em terras catarinenses desgastou a imagem de Floriano Peixoto, que passou a ser estigmatizado como um cruel ditador. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afinal, quem é esse emblemático personagem da História do Brasil? Eu tinha meus 5 ou 6 anos de idade quando meus pais compraram um pequeno lote na praia de Ipioca. Os filhos puseram roupa nova para conhecer a nova "propriedade", com direito a retrato e tudo. Foi um grande acontecimento familiar. Lembro-me perfeitamente quando o meu pai apontou para o alto do morro e disse: "Ali nasceu Floriano Peixoto, o segundo presidente do Brasil". Sempre que posso visito o local, um mirante de onde se tem uma vista paradisíaca do mar e de seus extensos coqueirais, ainda não devastados pela especulação imobiliária. Do marechal, resta apenas uma modesta placa indicativa do acontecimento natalício. Nada mais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Floriano Peixoto nasceu em uma família muito pobre e foi criado por seu padrinho, um modesto fazendeiro alagoano. Logo cedo mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi brilhante aluno da Escola Militar. Teve notável participação na Guerra do Paraguai, tomando parte de missões arriscadas que exigiam muita disciplina e coragem pessoal. Com a renúncia de Deodoro da Fonseca, assumiu a presidência da república e foi obrigado a enfrentar vários levantes nas Forças Armadas contra o governo. Agiu com energia e saiu vitorioso. Morreu aos 52 anos de idade, de complicações digestivas adquiridas nos campos de batalha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade é que o Marechal de Ferro foi um dos grandes responsáveis pela unidade nacional num momento em que o Brasil estava ameaçado de se esfacelar em várias repúblicas, seguindo o legado espanhol na América do Sul. Os seus métodos de ação foram controvertidos e, muitas vezes, violentos. Mas ninguém pode negar que a força de seu patriotismo foi decisiva para proteger o país das elites retrógradas, muito mais interessadas na manutenção dos seus privilégios do que em construir uma pátria para todos os brasileiros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Retorno à Terra dos Marechais sem nenhuma crise de identidade e cada vez mais orgulhoso de ter nascido alagoano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/raul_lisboa/1847108262/"&gt;http://www.flickr.com/photos/raul_lisboa/1847108262/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-2125675160876387566?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/2125675160876387566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=2125675160876387566' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2125675160876387566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2125675160876387566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/07/ha-pessoas-que-se-sentem-tao.html' title='FLORIANÓPOLIS E A CRISE DE IDENTIDADE'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SnNqtIGwB-I/AAAAAAAAAJ8/kaXNBb_rCck/s72-c/Floriano+Peixoto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8672359448644480144</id><published>2009-07-25T18:47:00.024-03:00</published><updated>2009-07-30T09:20:07.218-03:00</updated><title type='text'>FATOS E EVENTOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aprendi com Pontes de Miranda que a vida é uma sucessão de fatos e eventos que se desenvolvem na dimensão tempo-espaço. Essa definição tem tudo a ver com um aquariano que insiste em ser utópico e está sempre envolvido com novos projetos, muitos dos quais jamais serão realizados. Alguns dizem que sou desligado, esquecido, dispersivo, sonhador. Será? O que pode parecer insensato para uns, é super normal para outros. O que detesto mesmo é a rotina inflexível, a monotonia da repetição, a previsibilidade de atitudes. Além do mais há uma certa coerência no caos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você pode estar no epicentro dos acontecimentos ou simplesmente ser testemunha deles. Pode escolher entre ser protagonista ou coadjuvante de sua própria vida. A decisão é sua. Quando Rousseau fugiu do internato, livrou-se do autoritarismo e de toda opressão que imperava naquele ambiente inóspito. Ao tomar a decisão, não tinha dinheiro, abrigo ou qualquer perspectiva de estabilidade. Era apenas um adolescente ousado. Mesmo assim sentiu o coração pleno de felicidade. Descobrira o mais precioso de todos os direitos: a liberdade. Mais tarde descreveu em suas &lt;em&gt;Confissões&lt;/em&gt;  o prazer que sentira naquele momento, com uma bela frase: "&lt;em&gt;Pour la première fois dans ma vie j'étais libre e maître de moi même&lt;/em&gt;" (pela primeira vez em minha vida eu era livre e senhor de mim mesmo). Demais, não? E pensar que tantas pessoas vivem sob o jugo financeiro ou emocional de outras, sem jamais sentir o sabor da liberdade...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho bem legal quando várias coisas acontecem ao mesmo tempo. A gente sente a vida pulsar, sai do marasmo, da mesmice, da estagnação. A vida é movimento, ação, múltiplos interesses. Muitos acreditam que, quando um rio caudaloso se divide em vários afluentes, perde a força e pode, até mesmo, transformar-se num prosáico regato. Quando se trata da condução da locomotiva da vida, quanto mais caminhos trilharmos mais fortes ficaremos, tanto física como espiritualmente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os esotéricos juram de pés juntos que estamos na Era de Aquário. Se é verdade, todos devem absorver por osmose algumas características desse signo. Imaginem um mundo povoado apenas por aquarianos, estranhos seres que vivem no futuro e tentam tocar as nuvens com a ponta dos dedos! Garanto que algumas coisas até seriam boas: não teríamos inveja, não guardaríamos rancores, não alimentaríamos ódio no coração, saberíamos perdoar. Construiríamos uma nova civilização, um mundo harmônico, pleno de amor com compreensão. Vou parar por aqui para não parecer promessa de político em campanha eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andei ausente do blog. Confesso que fui atropelado pelos fatos que se sucederam nos últimos dias numa velocidade alucinante. E a dimensão tempo foi tão curta... Tanta coisa aconteceu – a finalização de um livro a ser lançado na bienal, a candidatura ao Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, a viagem a Florianópolis para participar de banca examinadora na UFSC, o curso para magistrados e servidores da Justiça Federal, a organização do Ano da França no Brasil... Sem contar os dilemas existenciais, que roubam o tempo e consomem muita energia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ufa! Foi demais para um aquariano comum, que tem aversão a jornadas de trabalho muito longas. Ainda bem que tenho o Isaac Sandes, amigo que também é um implacável retratista de personagens incomuns, bizarros, folclóricos que povoam o nosso cotidiano. Tenho certeza que os leitores deram boas gargalhadas dos seus deliciosos textos de fina ironia e muito bom humor. Afinal, quem não conhece um valorizador? Ou um canalha? Ou uma foquinha? Na minha ausência Isaac não deixou a peteca cair e manteve o blog animado e interessante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agradeço os 1200 acessos e prometo que os próximos dias serão bem divertidos, com muita conversa jogada fora e (es)histórias para contar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;George&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8672359448644480144?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8672359448644480144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8672359448644480144' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8672359448644480144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8672359448644480144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/07/qu-venham-os-fatos.html' title='FATOS E EVENTOS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-7232309961800342835</id><published>2009-07-18T22:05:00.003-03:00</published><updated>2009-07-18T22:07:51.345-03:00</updated><title type='text'>MISTÉRIO...! MUITO MISTÉRIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem mais mistérios entre o céu e a terra do que pode suspeitar nossa vã filosofia. Já vaticinava o bardo !!&lt;br /&gt;Todos estão cansados de saber que existem mais mistérios entre homem e mulher, entre um irmão e outro, entre dois amigos, dos que os tais mistérios que possam existir entre o céu e a terra, ou melhor: que possa suspeitar nossa pobre filosofia. É nessa linha que canta o Ministrel: “Mistério sempre há de pintar por ai”.&lt;br /&gt;Entretanto, existem, mesmo, certos mistérios que colocam em xeque todo conhecimento da humanidade.&lt;br /&gt;Pesquisas com neutrinos, aceleradores de partículas, sondagens intergaláticas com potentes radiotelescópios, nanotecnologia, pesquisas com céulas troncos, mapeamento do genoma, todos esses campos do avançado conhecimento humano, envolvem, cada a um, a seu modo, mistérios….! Muitos mistérios!!!&lt;br /&gt;O mistério vem acompanhando a raça humana desde seus primórdios. Fica fácil imaginar o que ela se tornaria sem essa força motriz que estimula a curiosidade e, finalmente, a pesquisa.&lt;br /&gt;Cá de minha vã – ou melhor, de minha minivan filosofia - arrisco a afirmar que o mistério e a curiosidade foram as molas mestras que impulsionaram a inteligênca humana em seus primórdios.&lt;br /&gt;Afinal, todas religiões surgiram em razão de mistérios inescrutáveis pelo pobre homem. Da mesma forma, sempre fizeram questão de preservar tais mistérios e usá-los como combustível de sua existência e manutenção.&lt;br /&gt;Nosso Direito, em particular, sempre utilizou uma boa dose de mistério em seus ritos e liturgia, com finalidade de impressionar o leigo e, até hoje, recorre ao morto e sepultado latim nesse desiderato. Quem nunca ouviu um introspecto e impertigado causídico disparar: “fumus boni juris..” etc.&lt;br /&gt;Mas…! O grande e indecifrável mistério que vem perseguindo a humanidade desde os meados do sec. XX, reside num objeto simples e que faz parte do cotidiano de todos nós, seja você o maior mandatário do planeta, ou o mais humilde assistente provisório de um sub-carimbador interino.&lt;br /&gt;Não se espantem nem me taxem de ridículo, ao lhes revelar que o gigantesco mistério que embatuca a humaniade é protagonizado por algo que todos nós conhecemos de perto, mantemos sempre junto ao nosso corpo e, quando dele precisamos e não o encontramos, somos tomados de uma frustração que beira as raias do pânico. Esbravejamos em nossas casas, perdemos a fleuma, a compustura e passamos a acusar, inconsequentemente, nossos amigos ou familiares próximos como responsáveis diretos pela quase tragédia.&lt;br /&gt;Não ria se eu lhe revelar que o misterioso objeto do qual estou falando é uma inocente caneta Bic.&lt;br /&gt;E que, o grande mistério, é o seu inesperado, inexplicável e recorrente desaparecimento de nossos bolsos, de nossas pastas ou dos nossos locais de trabalho.&lt;br /&gt;Você já notou como milhares de canetas Bic, somem diariamente da vista da humanidade, sem que ninguém jamais suspeite seu paradeiro ou a forma como desapareceu?&lt;br /&gt;Você já parou pra pensar que, sendo a população do planeta em torno de seis bilhões de almas e, tendo cada uma, durante sua vida, visto desaparecer diante de seus olhos, pelo menos, meia centena de canetas Bic’s, o quanto é gigantesco o tal mistério que se segue ao sumiço ?&lt;br /&gt;Já parou pra calcular que tal desaparecimento importa na evaporação inexplicáel de aproximados trezentos bilhões dos misteriosos objetos ?&lt;br /&gt;Você mesmo! Me responda: Quantas canetas Bic já viu desaparecer ?&lt;br /&gt;Pela quantidade de tais objetos perdidos, seria de supor que, em determinado momento, alguém acidentalmente haveria de encontrar lugares onde estariam depositadas e adormecidas montanhas delas. Mas não ! Não! Nunca se teve notícia de qualquer descoberta desses esquecidos e gigantescos depósitos onde teriam supostamente que estar, os milhões de Bics que diariamente somem misteriosamente.&lt;br /&gt;Os mais zen ou místicos que mexem com ufolugia querem mesmo crer que as canetas Bic, são seres extraterrestres transfigurados naquela forma, os quais, uma vez cumprida sua missão entre nós, misteriosamente retornam ao seu local de orígem, incógnito nas profundezas do universo. Nos deixando aqui pasmos e atarantados com seu repentino sumiço.&lt;br /&gt;Acrescente-se a tal mistério o que, talvez seja o mistério maior: Antes de se desmaterializar diante de nós, toda caneta Bic vê primeiro desaparecer sua tampinha, para, tempos depois, ela mesma sumir. Tal episódio prévio - Talvez em razão das mordidas que lhes damos - nos faz suspeitar que as tampinhas ao sumirem, desencadeiam o irrefreável fenômeno da desmaterialização da canetas, pois mesmo se as amarrarmos após perderem suas tampinhas, elas, invariavelmente, irão sumir.&lt;br /&gt;Portanto, eis o mistério dos mistérios. A você, que insiste em não acreditar no que estou dizendo: Lanço um repto!&lt;br /&gt;Quem nunca viu, inexplicavelmente, sumir diante de seus olhos, pelo menos uma dezena de canetas Bic, que atire a primeira tampinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes - 30/05/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-7232309961800342835?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/7232309961800342835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=7232309961800342835' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7232309961800342835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7232309961800342835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/07/misterio-muito-misterio.html' title='MISTÉRIO...! MUITO MISTÉRIO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-497150850204842312</id><published>2009-07-02T13:32:00.002-03:00</published><updated>2009-07-02T13:36:19.586-03:00</updated><title type='text'>TIRADAS DE MEU PAI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;De nome João Batista, estatura baixa, humor cortante, meu pai, como em todo interior em que cada um tem seu apelido, era carinhosamente chamado de “Seu Joãozinho”.&lt;br /&gt;Bastante espirituoso seus “Causos “e “ tiradas” divertiam a todos. Lembro muito bem que, nas constantes viagens que fazia com ele ao longo do São Francisco, a monotonia das longas calmarias sempre era amenizada por suas histórias e tiradas.&lt;br /&gt;Neste espaço, passarei a publicar algumas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A CACHORRA DE OSMIN&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Família Andorinha não era daquelas que o vigário local citaria como exemplo no sermão de domingo. Entre seus membros, Osmin era o que se poderia chamar de lídimo representante. Osmin reunia em si todos os abjetivos de seus parentes. Bebia, fumava, jogava, trapaceava, velhacava, era corneado, cafetinava etc. Sua principal companhia era uma vira lata magra e sarnenta que nem nome tinha. Perto dela, Baleia era uma lady.&lt;br /&gt;Certo dia, querendo testar o humor de Seu Joãozinho, o seu amigo Caruso sem maiores cercos lhe perguntou:&lt;br /&gt;- Joãozinho, da família Andorinha, quem você gostaria de ser ?&lt;br /&gt;E ele, sem pestanejar:&lt;br /&gt;- A cachorra de Osmin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes&lt;br /&gt;29/06/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-497150850204842312?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/497150850204842312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=497150850204842312' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/497150850204842312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/497150850204842312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/07/tiradas-de-meu-pai.html' title='TIRADAS DE MEU PAI'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8180804539831610630</id><published>2009-06-27T20:46:00.003-03:00</published><updated>2009-06-29T20:14:14.140-03:00</updated><title type='text'>CRIADORES E CRIATURAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;ISAAC SANDES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem criou quem? Deus ao homem ou o homem a Deus?&lt;br /&gt;O recente e triste episódio da morte de Michael Jackson nos joga na cara a enigmática e, até considerada, herética pergunta.&lt;br /&gt;Lá atrás, em uma quadra perdida de sua existência, quando se tornou consciente de sua finitude, o homem passou a criar deuses. Quer seja Tupã, Javé ou Maomé.&lt;br /&gt;E, nessa sua saga sobre a face de planeta, nunca deixou de viver sem um deus para dividir com ele o carregar do pesado fardo que consiste na consciência de si mesmo, na ciência da própria morte e na brevidade de sua vida.&lt;br /&gt;Assim, para cada fato ou evento em que não encontrasse explicação adequada à sua pobre lógica, ele ia criando um deus ou um ídolo como espécie de conforto e projeção de si mesmo, bastando para isso apenas um agente catalisador do processo, encontrado na figura de um líder tribal ou de alguém interessado na detenção de parcela de poder.&lt;br /&gt;Tal não tem sido diferente com os ídolos populares. A mídia, com seus poderosos instrumentos, se encarrega de criar astros e nós, por nosso lado, nos encarregamos de chancelar a criação de um deus.&lt;br /&gt;É de se obeservar que, quando de épocas em que não existia o poder avassalador da mídia , também não existiam os deuses e ídolos advindos do mundo artístico e esportivo.&lt;br /&gt;A genialidade de Mozart, de Bach, Leonardo da Vinci, de Michelangelo e tantos outros, passou por aqueles que viveram sua época, sem qualquer endeusamento ou idolatria. Ao contrário, alguns deles morreram no mais completo ostracismo e mesmo miséria financeira.&lt;br /&gt;Por quê? Porque naqueles tempos não existindo a poderosa mídia essa tarefa estava afeta apenas a um setor que dominava a cena política e social. A então poderosa igreja. Era ela quem criava os ídolos e deuses de então. Levando a humanidade a uma catarse que ia das peregrinações a Jerusalém até as santas cruzadas.&lt;br /&gt;Hoje, mudado apenas o centro do poder criador, temos, da mesma forma, legiões que se deslocam até Graceland e certamente se deslocarão em adoração até Neverland.&lt;br /&gt;Interessante e paradoxal é que, para criarmos nossos deuses, temos que primeiro matar um homem, a exemplo do pobre Michael. Dando-se, em tese, o contrário com a suposta criação do homem que, para existir tem apenas que nascer. Ou será que, do outro lado, algum deus teve que morrer para que um homem nascesse ? Fato é que, com isto, está respondida a segunda parte de nossa pergunta, sem dúvida, o homem cria deuses. Agora, se deus cria homens, essa é uma pergunta que só poderia ser definitivamente respondida por quem acabou de ultrapassar os portais das conhecidas dimensões, ou seja, o nosso querido e recém criado Michael.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8180804539831610630?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8180804539831610630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8180804539831610630' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8180804539831610630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8180804539831610630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/06/criadores-e-criaturas.html' title='CRIADORES E CRIATURAS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-9006491340182988177</id><published>2009-06-18T15:48:00.002-03:00</published><updated>2009-06-18T16:17:44.289-03:00</updated><title type='text'>COISAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;ISAAC SANDES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós, uns mais, outros menos, temos coisas.&lt;br /&gt;As coisas nos acompanham ao longo de nossas vidas. Passam a habitar insistentemente nossos lares, nosso cotidiano. Finalmente, todos os recantos de nossas vidas. Entranham-se nela, como sempre houvessem existido um para o outro.&lt;br /&gt;Para nós, parece inconcebível um mundo sem coisas. Consistem elas, na imensa quantidade de objetos que carregamos.&lt;br /&gt;Não estou me referindo a coisas e objetos indispensáveis à nossa sobrevivência como espécie. Essas tais, vão, desde a pedra lascada que deu origem à lança e flecha rudimentares, até o arado, a roda e os demais objetos que deram impulso à humanidade.&lt;br /&gt;As coisas de que falo são aquelas que identificaram a raça humana como uma raça de juntadores ou acumuladores. Juntadores e acumuladores de coisas que, em circunstâncias excepcionais, se mostram totalmente inúteis e desnecessárias.&lt;br /&gt;Para demonstrar quais seriam essas inúteis coisas, começo por uma circunstância comum a quase todos nós. Uma mudança de casa. Fato, sem dúvida, ocorrido pelo menos uma vez na existência de cada um de nós. Quando construimos uma nova casa, fatalmente chegará o dia em que teremos que fazer as malas e habitar o novo espaço.&lt;br /&gt;Então, na ânsia do novo, nos mudamos apenas com os objetos pessoais estritamente necessários ao cotidiano. Assim, nos estabelecemos na nova morada e, durante muito tempo, ali vivemos sem darmos pela falta de uma imensa quantidade de tranqueiras que deixamos para trás na apressada mudança. Até que, lentamente, vemos nossa morada novamente se encher, mais e mais, das mais diversas e inúteis coisas.&lt;br /&gt;A espartana vida de um monge budista ou franciscano é a mais forte evidência da desnecessidade da maioria das coisas que nos sufocam e nos cercam no dia-a-dia.&lt;br /&gt;Imaginemos uma repentina evacuação de uma cidade prestes a ser atingida por um iminente cataclisma. Então veremos com que quantidade de coisas cada um irá partir na salvadora debandada. E, em contraponto, veremos a imensa massa de coisas que ficará para trás, as quais, frente à premente necessidade prática, foram, imediatamente, eleitas como inúteis. Diante de tal realidade, veremos quão desnecessárias são as muitas coisas que julgavámos indispensáveis na vida. Cada um, quando colocado frente a uma extrema emergência, irá levar consigo apenas o estritamente necessário à sua sobrevivência.&lt;br /&gt;Tivesse Einstein, antes, pesquisado a teoria da relatividade logo ali, na evidência encerrada na simplicidade das coisas, estaria a resposta para tudo e, não terminaria ele, com os cabelos de quem viu fantasmas, nem com a língua de gravata circense.&lt;br /&gt;Pois, em nada, a relatividade é mais evidente do que perante as coisas. Tudo depende apenas das circunstâncias.&lt;br /&gt;Então, vamos relativizar: Para aquele que encontra-se perdido em um deserto, o que é mais importante ? Um poço de petróleo que encontre à flor da terra, ou um pequeno lago de água límpida e fresca?&lt;br /&gt;Para o infeliz que, no meio de uma multidão, é acometido de repentina e incontrolável diárreia. O que lhe será mais importante? A cara roupa que enverga, ou um simplório penico com um providencial biombo onde possa se aliviar entre impagáveis suspiros, para, em seguida, clamar mais por uma amarrotada folha de papel de embrulho, do que por seu vistoso rolex.&lt;br /&gt;Ao solitário e ilhado náufrago, será mais importante um fardo de dinheiro trazido pela maré, ou uma simples caixa de fósforos que lhe dará o domínio do fogo. Será mais importante aquele notebook que conseguiu salvar à custa de muito sacrifício, ou um feixe de lenha seca para cozinhar sua primeira refeição?&lt;br /&gt;Exemplo da irrefutável relatividade das coisas, nos foi dado pelos recentes episódios históricos envolvendo o ditador Saddan Hussein: Em sua fuga das tropas ocupacionistas, abandonou seus ornamentados palácios. Meteu-se em um sujo buraco no chão, acompanhado de pouquíssimas coisas, entre elas um simplório ventilador que, ao final, foi seu delator.&lt;br /&gt;Acredito que estes poucos exemplos, bem definem a relatividade das coisas.&lt;br /&gt;Se, como nas fábulas, voltássemos ao tempo em que os bichos falavam, o que não diriam eles de nós, quando nos vissem atravancados de objetos totalmente desnecessários para a vida em comunhão com a natureza.&lt;br /&gt;Certamente ririam muito ao saber que nos tornamos escravos das coisas que inventamos.&lt;br /&gt;O que diriam de alguém que cobriria seu corpo com uma cueca ou calcinha; por cima destes ainda colocaria uma longa calça ou vestido; cobriria seu tronco com uma camisa; em seguida um colete; e, ainda cobrindo tudo, um paletó. Finalmente, daria um nó no pescoço com uma uma faixa de pano a que chamaria de gravata, sem falar nos inúmeros bolsos que, invariavelmente, estariam sempre cheios de outras inutilidades.&lt;br /&gt;Como iriam entender que alguém conseguisse viver assim? E, ainda, trafegar diariamente com uma pesada pasta cheia de inutilidades em uma das mãos, um aparelho celular na outra, um relógio no pulso e um cigarro entre os dedos?&lt;br /&gt;Então, qual é a razão desse fetiche que consiste em juntar coisas inúteis, tão cultivado pela humanidade,ao longo de sua existência ?&lt;br /&gt;Para decifrar tal enígma, talvez precisemos apenas de um divã, uma grande sala repleta de livros, quadros e diplomas pendurados na parede, uma espaçosa poltrona, um birô atravancado de quinquilharias, um caderno, um lápis, um apontador, um abajur de luz suave e um grande e fumegante charuto em uma das mãos. Ufa…!!! É Freud!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes&lt;br /&gt;12/06/2009.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-9006491340182988177?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/9006491340182988177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=9006491340182988177' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/9006491340182988177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/9006491340182988177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/06/coisas.html' title='COISAS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-2880140662568496808</id><published>2009-06-12T21:18:00.011-03:00</published><updated>2009-06-28T10:31:46.323-03:00</updated><title type='text'>AINDA SOBRE OS DOUTORADOS FANTASMAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há meses denunciei neste blog o canto da sereia de algumas instituições universitárias da América do Sul que oferecem ao público brasileiro cursos de doutorado na Argentina, Uruguai e Paraguai com uma série de facilidades incompatíveis com a pós-graduação (inexistência de processo seletivo, desnecessidade de mestrado, dispensa de lingua estrangeira, trabalhos domiciliares, aulas de fim-de-semana etc.). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tais faculdades estão mais preocupadas com lucro gerado pela distribuição indiscriminada de diplomas de doutorado do que com a qualidade de ensino ou a formação científica de seus alunos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na condição de Coordenador do Mestrado em Direito da UFAL conheço bem as exigências de órgãos como a CAPES e CNPQ para o reconhecimento de cursos brasileiros. Senti que era meu dever alertar as pessoas de boa-fé para que não caíssem na esparrela de investir o seu dinheiro em algo que não teria o menor valor no Brasil. Meus conselhos também se destinavam àqueles que estavam apenas interessados no diploma e no lustro que o título de doutor dá ao profissional que o ostenta, sobretudo quando é da área jurídica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns leitores ficaram revoltados com o grito de alerta. Pensavam ser um posicionamento preconceituoso em relação aos países vizinhos. Houve os que preferiram acreditar que se tratava de uma visão elitista de quem quer restringir o acesso à pós-graduação a uns poucos felizardos. Mas a maioria entendeu que era um ato de solidariedade de quem detesta ver pessoas sendo enganadas pelos mercadores de ilusão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que existem muitos cursos sérios na América do Sul. Mas nenhum deles está interessado em atrair alunos com promessas fantasiosas e facilidades inaceitáveis. Ao contrário, possuem o mesmo nível de exigência que os cursos similares brasileiros. Por isso serão sempre reconhecidos no país, pois detêm a marca da excelência e da seriedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certo juiz federal do Paraná prolatou uma sentença que acendeu a esperança de centenas de brasileiros matriculados em doutorados dessas obscuras instituições. O magistrado determinou à UFPR o reconhecimento automático do diploma de um aluno formado na &lt;em&gt;Universidad Social del Museo Argentino&lt;/em&gt;, sem levar em consideração as condições em que o curso foi ministrado nem as exigências feitas pelos tratados internacionais. Um absurdo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a alegria durou pouco. O Tribunal Regional Federal da 4a Região acaba de anular a sentença, impedindo o registro pretendido. Resultado: o diploma pode até enfeitar a parede do escritório do "doutor", mas não terá nenhuma validade no Brasil, sobretudo para a pesquisa e o ensino. Leiam a notícia divulgada pela Corte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Considerado inválido diploma de doutorado obtido na Argentina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por maioria, julgou procedente o recurso da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e considerou inválido diploma de doutor em ciências empresariais obtido na Universidad Del Museo Social Argentino. A decisão foi publica nesta no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 4ª Região.A UFPR apelou após a Justiça de primeiro grau ter determinado que o diploma da autora da ação fosse registrado e admitido. A sentença de primeiro grau entendeu que o Acordo Internacional de Admissão de Títulos e Graus Universitários para o Exercício das Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do Mercosul (CONEAU) seria o suficiente para considerar a validade do diploma no Brasil.Após analisar o recurso, o relator do acórdão na corte, desembargadora federal Maria Lúcia Luz Leiria, deu razão à universidade, que alega não estar o curso da autora credenciado ao CONEAU. Ela citou, ainda, o fato de que o curso realizado pela autora não é reconhecido nem no seu país de origem, pois, no verso do diploma consta a frase: “o presente documento de pós-graduação não o capacita para exercício profissional algum dentro do território da República Argentina”.O CONEAU é um acordo para admissão de títulos e graus universitários segundo o qual Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai se comprometem a admitir, de forma automática, os títulos de graduação e pós-graduação em atividades de docência e pesquisa nas instituições de ensino superior obtidos nos respectivos países.AC 2008.70.00.009800-1/TRF Fonte: TRF 4 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-2880140662568496808?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/2880140662568496808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=2880140662568496808' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2880140662568496808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2880140662568496808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/06/ainda-sobre-os-doutorados-fantasmas.html' title='AINDA SOBRE OS DOUTORADOS FANTASMAS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-7828327263713598280</id><published>2009-06-11T09:35:00.002-03:00</published><updated>2009-06-11T09:54:59.206-03:00</updated><title type='text'>HAI KAIS</title><content type='html'>&lt;span style="color:#000099;"&gt;Ahan…Ahan… !&lt;br /&gt;depressa passam os anos!&lt;br /&gt;Suspirou o tobogan.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Sorria comensal, sorria !!&lt;br /&gt;No reverso das coisas,&lt;br /&gt;Tu serias o boi da churrascaria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;- Corrupto, ladrão ! Brada o autofalante.&lt;br /&gt;- Ingrato, injusto.&lt;br /&gt;- Queixa-se o autopagante.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-7828327263713598280?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/7828327263713598280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=7828327263713598280' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7828327263713598280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/7828327263713598280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/06/hai-kais.html' title='HAI KAIS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-1718258736456503915</id><published>2009-06-06T16:44:00.057-03:00</published><updated>2009-06-15T20:15:15.233-03:00</updated><title type='text'>DIA DO MEIO AMBIENTE: NÃO PLANTE UMA ÁRVORE, DENUNCIE A OMISSÃO DAS AUTORIDADES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira, 5 de junho de 2009. Alagoas prepara-se para comemorar o Dia do Meio Ambiente. Os principais jornais estampam imagens do governador e do prefeito de Maceió fazendo exatamente a mesma coisa: plantando mudas de árvores sob a mira de fotógrafos e câmeras de televisão. A falta de criatividade traz consigo o entediante sentimento de &lt;em&gt;déjà vu&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de indiferença e alienação política, plantar uma árvore é um feito tão revolucionário quanto a derrubada da Bastilha ou a tomada da Sierra Maestra. Se você quiser ser politicamente correto, já sabe o que fazer: passe no IBAMA, pegue uma mudinha, chame um bando de fotógrafos, cave um buraquinho no chão com ar solene e contrito. Coloque-a na vala e, com as mãos nuas, tape tudo. Pronto! Seguramente você vai ocupar um generoso espaço nos meios de comunicação local. Com sorte poderá até mesmo ser comparado a Chico Mendes, Burle Marx ou Lutzemberg, verdadeiros ícones do ecologismo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento ambientalista passa por uma crise sem precedentes. As vozes mais respeitadas são ignoradas ou abafadas pela mídia. Os militantes mais aguerridos são estigmatizados como ecochatos, jurássicos ou bichos-grilo. Tudo fazem para desacreditar aqueles que lutam brava e intransigentemente para que as leis ambientais sejam respeitadas no país. Por outro lado, ONGs controladas por espertalhões e carreiristas recebem generosos recursos públicos para fazer de conta que estão ajudando a construir um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Isso sem falar nos partidos políticos que faturam alto com a retórica ecológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da década de 90, fui nomeado para o Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público. Trabalhar com direito ambiental era algo exótico e completamente estranho aos embates jurídicos. Ao lado dos promotores de justiça Uayrandir Tenório e Sandra Malta, protagonizei a primeira grande ação ambiental de Alagoas. Recebi a denúncia do então presidente do Sindicato dos Químicos de Alagoas, Tácito Yuri, de que operários da ALCLOR tinham ingerido água retirada dos poços da empresa e, horas depois, foram internados com fortes dores e sintomas de intoxicação. Imediatamente iniciamos as investigações e descobrimos que um dos tanques que armazenava resíduos líquidos de organoclorados rompera-se, causando grande poluição no lençol freático do tabuleiro de Marechal Deodoro, podendo atingir a nascente do rio dos remédios e, conseqüentemente, a Lagoa Mundaú. Bastou uma breve análise laboratorial para que soubéssemos que o produto era cancerígeno e poderia ser letal em um simples copo d’água ou em um delicioso prato de sururu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população entrou em pânico e, por um bom tempo, deixou de consumir os frutos da lagoa. Agimos com rigor. Todas as denúncias foram apuradas. Enfrentamos seguranças armados quando decidimos entrar à força no local do crime ambiental. Em outra ocasião, quase fui às vias de fato com o presidente da empresa quando tentou desrespeitar a promotora Sandra Prata que tomava o seu depoimento no inquérito civil. Resistimos bravamente às fortíssimas ingerências políticas para nos retirar das investigações. Fomos até o fim e apresentamos os culpados à justiça. A empresa foi obrigada a fechar as suas portas e recebeu uma pesada condenação: cerca de 3 milhões de dólares para despoluir o lençol freático com o usando tecnologia de última geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Caso ALCLOR foi um marco para a luta ambiental em Alagoas. A partir dele a sociedade civil sentiu-se encorajada a denunciar as grandes empresas que, até então, tinham salvo conduto para poluir. Nosso pequeno grupo também atuou em casos de desmatamento, loteamentos clandestinos, queimadas, poluição dos rios e privatização de áreas públicas. Rompemos com a concepção elitista de que a pobreza produz poluição e demonstramos que ela é produto do descaso dos governos com a execução de políticas públicas em áreas vitais como saneamento, habitação e ocupação do solo urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados quase 20 anos vejo que pouca coisa mudou. Os problemas crônicos ficaram mais crônicos, sem qualquer perspectiva de solução. Vejam por exemplo o riacho Salgadinho. Um esgoto a céu aberto que corta a cidade de Maceió, passa na porta do Ministério Público e deságua em uma de suas principais praias, deixando atrás de si uma fedentina insuportável. A língua negra tem afugentado turistas e causado grandes prejuízos ao turismo local. Milhares de reais do Governo Federal foram desviados sem que ninguém fosse punido. Não custa nada lembrar o apoteótico banho da prefeita Kátia Born na foz do riacho, numa eloquente demonstração de desrespeito pela opinião pública. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E há outros casos paradigmáticos, como as fraudes na execução da macrodrenagem do Tabuleiro do Martins, o lixão de Maceió, a urbanização da orla lagunar. Agora mesmo os moradores da região norte estão em polvorosa com as licenças concedidas pela Prefeitura de Maceió para a construção de espigões de trinta andares à beira-mar, numa área desprovida de saneamento e urbanização. Além de pagar o IPTU mais caro da cidade, os habitantes são vítimas do total abandono por uma razão muito simples: ousaram contestar a decisão do prefeito de instalar um aterro sanitário a 300 metros da praia! Uma heresia imperdoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os criminosos ambientais agem impunemente em Alagoas. Existe um verdadeiro manto de proteção estatal aos grandes empresários. Há 4 anos, o promotor Maurício Pitta denunciou criminalmente um poderoso usineiro por crime de desmatamento de considerável área da mata atlântica. O réu não foi sequer citado por não ser jamais encontrado em seu domicílio, embora seja visto diariamente circulando, lépido e fagueiro, nos restaurantes mais badalados da cidade sem ser importunado pelos diligentes oficiais de justiça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dia do meio ambiente foi marcado por dois episódios bem ilustrativos do péssimo nível do debate ecológico que se trava em nosso país. No plano político, empresários e ruralistas se uniram para pedir a cabeça do ministro Carlos Minc, acusado de atravancar o desenvolvimento brasileiro ao exigir o cumprimento da lei. Os detratores entendem que ele deveria fechar os olhos para a grilagem de terras públicas - talvez ocupar o seu tempo plantando mudinhas por aí. O outro foi a bizarra campanha da SOS Mata Atlântica para economizar a água doce do planeta: fazer xixi durante banho de chuveiro. Abolir a descarga seria a fórmula mágica para acabar com o problema da escassez. Falta inventar mais alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemorar o dia do meio ambiente significa romper com as soluções simplistas de nossos governantes e começar a enfrentar os grandes problemas que afetam a qualidade de vida da população. Ao invés de plantar uma mudinha ou sair com um saquinho plástico limpando a praia, devemos exercer corajosamente a cidadania sem nos deixar enganar pela propaganda oficial que procura reduzir a questão ecológica a atitudes simbólicas com o claro objetivo de encobrir o monstro da poluição que emerge do setor industrial. Que tal aproveitar a ocasião para denunciar a omissão do poder público?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-1718258736456503915?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/1718258736456503915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=1718258736456503915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1718258736456503915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/1718258736456503915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/06/dia-do-meio-ambiente-nao-plante-uma.html' title='DIA DO MEIO AMBIENTE: NÃO PLANTE UMA ÁRVORE, DENUNCIE A OMISSÃO DAS AUTORIDADES'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-6087515949359934070</id><published>2009-06-06T13:57:00.002-03:00</published><updated>2009-06-06T22:58:11.927-03:00</updated><title type='text'>ELÉTRONS HUMANOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;ISAAC SANDES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estudou um pouco de física não tem a menor dificuldade em entender a estrutura do átomo.&lt;br /&gt;Prótons, nêutrons e elétrons são os componentes principais de todo e qualquer átomo.&lt;br /&gt;Unidos, e formando o núcleo, estão os prótons e os nêutrons. Enquanto numa eterna e continua dança orbital, tal qual a dança das mariposas, encontram-se os elétrons.&lt;br /&gt;Desnecessário explicar que os prótons tem carga positiva, os nêutrons, como o nome já diz , são neutros, enquanto os elétrons tem carga negativa.&lt;br /&gt;O núcleo ganha sua força e status por aglutinar as forças positivas e a neutras em si, ou seja, deixam aos negativos elétrons o cruel destino de orbitarem indefinidamente numa dança quase escrava, dando-lhes apenas a necessária quantidade de neutrons para que não escapem causando desequilíbrio.&lt;br /&gt;Tal arranjo, como fundamental na natureza, encontra seu similar na nossa sociedade como modelo de conduta de seus membros.&lt;br /&gt;Temos aqueles que, como os prótons, são positivos e ocupam posições de liderança no contexto politico, econômico e social da humanidade, aqueles que, tais quais os neutrons, se anulam e não possuem vontade própria e, finalmente, aqueles que, tais quais os elétrons, são negativos e tendem a causar instabilidades se não neutralizados com oferendas balanceadoras.&lt;br /&gt;Impressionante como os elétrons humanos guardam semelhança com seus similares atômicos, principalmente na esfera e no cotejo do poder.&lt;br /&gt;Todos nós conhecemos aqueles elétrons humanos que nunca deixam de orbitar o núcleo do poder. Por que ? Porque com suas instabilidades e capacidades para o negativo, sempre estão a exigir daquele, a quantidade certa e corespondente de vantagens para que, não se desgarrem, e provoquem o desequilibrio da frágil equação.&lt;br /&gt;Então, como nos verdadeiros átomos, tais elétrons humanos, uma vez lhes concedidas as quantidades certas de atrativos, perdem a capacidade e a força para causar possíveis desequilíbrios e instabilidades.&lt;br /&gt;Assim, seja qual for o núcleo de poder, viverão eles, sempre em sua frívola órbita, tal qual mariposas em torno de um bulbo de lâmpada acesa.&lt;br /&gt;Interessante nos elétrons humanos, como não poderia deixar de ser, por sua natureza falível, é que, em determinadas circunstâncias eles poderão repentinamente mudar e inverter os polos de suas forças. De um negativo constante, para um repentino e artificial positivo e, de novo, voltando para seu natural estado de ser negativo.&lt;br /&gt;Tal fenômeno, acredito, impossível até na física quântica , ocorre quando os elétrons humanos se deparam com um ser que, na cadeia de comando, está em patamar inferior ao seu. Então, numa metamorfose quase monstruosa, aqueles, que até então, exerciam um papel submisso e servil, transformam-se em verdadeiros tiranetes, exercendo insuspeita arrogância e soberba sobre sua vítima, para, em seguida, ao voltarem a sentir as forças atrativas do poder, do qual são eternos tributários, retornarem à sua servil e escrava dança orbital.&lt;br /&gt;Se pararmos para observar com atenção, não nos será difícil identificar um elétron humano girando nas proximidades com suas aviltantes e negativas cargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes&lt;br /&gt;26/05/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-6087515949359934070?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/6087515949359934070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=6087515949359934070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6087515949359934070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6087515949359934070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/06/eletrons-humanos.html' title='ELÉTRONS HUMANOS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4141879356238652036</id><published>2009-06-01T14:17:00.010-03:00</published><updated>2009-06-01T14:30:51.100-03:00</updated><title type='text'>ALGUMAS HISTÓRIAS OU ESTÓRIAS (?) SOBRE CARLOTA JOAQUINA -  PARTE 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;NILO SÉRGIO PINHEIRO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Conselheiro Perpétuo da Casa do Penedo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Advogado e historiador&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma mulher até começo do século XIX, nem mesmo uma prostituta estabelecida em um bordel de alta classe, teve a ousadia de superar dona Carlota Joaquina na arte do relacionamento sexual excessivo. Durante a sua permanência no Brasil ela escandalizou o Rio de Janeiro de uma maneira pavorosa e exagerada para os pobres padrões da época. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sexo era a sua primeira necessidade. E o que era pior, poderia ter sempre os homens que desejasse. A sua compulsão tinha um exagero que ninguém na época podia explicar ou mesmo compreender. Para ela sexo era de uma importância tão crucial que ficava doente quando não tinha alguém para aplacar a fúria de seu apetite descomunal. Isso ela transferiu sem dúvida para o seu primogênito, Dom Pedro I. Não se importava com a quantidade de homens que poderia ter, mas a virilidade de alguém que pudesse contentar a sua tenebrosa ânsia sexual. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando se via obrigada a manter relações com alguns homens que escolhia a dedo, procurava sempre saber qual deles realmente tinha o poder de fazê-la chegar ao extremo prazer. Ninfomaníaca, tinha orgasmos sucessivos e apavorantes, chegando mesmo a morder violentamente seus parceiros, tirando sangue com suas dentadas bastante doloridas. Certa vez, no Rio, mordeu tanto um escravo diferenciado que este morreu dias depois de septicemia. Por causa disso procurou controlar os seus excessos convulsivos, tornando-se menos agressiva, ganhando sobremaneira com isso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando chegou ao Rio, em 1808, dona Carlota se surpreendeu enormemente com os homens brasileiros, incluindo os escravos e libertos. Desesperada durante toda viagem transatlântica, a rainha portuguesa, de origem espanhola, amaldiçoava Dom João VI por ter aceitado a imposição da Inglaterra que queria a qualquer custo, que eles viessem para o Brasil. Ela queria mesmo era ter ido para Londres onde poderia estabelecer suas orgias com os anglos saxônicos. Não que Dom João VI não quisesse ir também para a Inglaterra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O quinto dos infernos, como era conhecido o Brasil em Portugal, “era uma terra selvagem e sem a menor possibilidade que ali pudesse viver uma vida igual a das cortes européias”. Carlota Joaquina estava tão revoltada que até pensou em suicídio. Durante toda a viagem, ela teve que se submeter a contragosto a uma quarentena de abstinência sexual, já que o espaço superlotado do navio não dava para dar as suas escapulidas rotineiras. Havia muito tempo que ela não mantinha relações sexuais com Dom João, que, bastante amargurado com a constante infidelidade da mulher, praticamente deixou de procurá-la. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlota sempre achou que seu marido não era homem para aplacar a sua fúria sexual. E dom João não era mesmo. A verdade nisso tudo é que a maior parte dos filhos oficiais de ambos não era de Dom João VI. Filho dos dois, e coisa comprovada, era Dom Pedro I, que, moreno, era o único parecido com o rei. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após a longa e tenebrosa travessia – com toda tipo de desagradáveis situações -, eis que a comitiva chega ao Rio de Janeiro. Carlota e dom João se estabeleceram na quinta da Boa Vista indo os demais acompanhantes se alojarem nos variados sobrados onde os antigos donos foram obrigados a deixá-los por imposição real. Dois dias após a chegada, Carlota quis conhecer as redondezas da cidade, indo também conhecer as exuberantes matas tropicais. Conta que nesse mesmo dia, ela teria começado no Brasil a sua carreira como devoradora de homens. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por onde passou escolhia alguns homens que achava interessante, obrigando-os a acompanhar a comitiva imperial. Num determinado local, à beira da hoje lagoa Rodrigo de Freitas, ela mandou armar um alpendre. E sob o sigilo de morte para a sua guarda pessoal ela começou a provar a sexualidade do homem brasileiro. Papou seis em menos de duas horas. O último a ser devorado, um mulato de nome Luiz Ernesto Prazeres, era um garanhão ainda donzelo, mas que fez dona Carlota gritar de prazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4141879356238652036?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4141879356238652036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4141879356238652036' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4141879356238652036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4141879356238652036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/06/algumas-historias-ou-estorias-sobre.html' title='ALGUMAS HISTÓRIAS OU ESTÓRIAS (?) SOBRE CARLOTA JOAQUINA -  PARTE 1'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-327392344039462379</id><published>2009-05-26T23:07:00.009-03:00</published><updated>2009-05-28T17:40:09.982-03:00</updated><title type='text'>A RADIOLA DA CAFETINA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;ISAAC SANDES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;“Quem tripas comeu e com viúva casou, sempre há de se lembrar do que por lá andou".&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sábio provérbio português serve muito bem a quem queira evocar reminiscências de suas raizes.&lt;br /&gt;Mergulharei agora, a uma profundidade de aproximadamente 40 anos, para resgatar de minha infância, pendores e gostos que, engastados nas profundas minas do tempo, vez por outra afloram como auríferos veios.&lt;br /&gt;Quem de nós, vez em quando, não se delicia nesta solitária e vivificadora garimpagem de memórias ?&lt;br /&gt;Relembrar, é viajar no tempo sem as dispendiosas e futuristas máquinas da literatura ficcionista.&lt;br /&gt;É uma viagem franca e baratinha. Verdade que, vez por outra, nossa nave viageira teima em passar perto, ou mesmo atingir lembranças que fazemos questão de desviar e trancar à sete chaves no mais profundo sótão da memória. Mas, se bem conduzirmos nossa barata nave, poderemos usufruir das mais doces, mais ternas e gratificantes lembranças.&lt;br /&gt;Neste momento, minha fantasiosa máquina do tempo se dirige, em profundo vôo, para tentar descobrir ou suspeitar de onde surgiu, ou, onde se amalgamou meu gosto pela música.&lt;br /&gt;Minha primeira parada é no doce e afinado cantar de minha mãe, que enfrentava a faina diária com as armas da música, interpretando magistralmente as mais diversas cantigas do cancioneiro popular.&lt;br /&gt;Próxima estação. A casa vizinha onde o carroceiro Cartolinha, em suas horas vagas, dedilhava competentemente um violão e eu, como seu moleque preferido, durante horas e horas, o acompanhava naquelas fugas de seu duro dia-a-dia.&lt;br /&gt;Já mais adiante, me vejo peruando a roda de choro, formada por João de Santa, Paulo dos Meirús, Adail Arruela e Luiz de Bão na percussão.&lt;br /&gt;Nesse grupo, a figura de Adail Arruela se destacava, tanto pela competência musical, quanto pela orígem de seu apelido. "Arruela" (uma referência indireta à sola de que as arruelas eram feitas naquele tempo).&lt;br /&gt;Contam os mais antigos que Adail ganhou esse apelido após pitoresco episódio havido em uma farra. Seguinte: dizem que Adail apesar de exímio violonista, era dado a uma certa enrolação. De poucas posses, aproveitava as farras para fazer, dos suculentos tira-gostos ali servidos, o seu gratuito restaurante. Tanto assim, que não havia tira-gosto que bastasse para o voraz Adail. Após ter comido todo o tira-gosto, Adail se enfadava e sempre arranjava um jeito de, lá por altas horas, quando sabia tudo fechado, arrebentar as cordas de seu violão e, de barriga cheia, rumar pra casa para um reparador sono.&lt;br /&gt;Como na esbórnia a malandragem é de todos. Os colegas de farra de Adail logo identificaram sua manha e lhe preparam o troco.&lt;br /&gt;Combinaram nova farra, convidaram Adail sob promessas dos mais variados e apetitosos tira-gostos e lhe aprontaram a armadilha.&lt;br /&gt;Colocaram vários pedaços de sola no molho por alguns dias, lhes adicionaram quase uma caravela de temperos e especiarias, então, fritaram os bifes de sola e os envolveram em irresistível farofa acebolada.&lt;br /&gt;Ao sentir as emanações do redentor prato, Adail quase estraga seu violão, agora com a baba quase epiléptica que lhe escorria pelos cantos da boca.&lt;br /&gt;Iniciada a farra, Adail lançou-se sobre o prato de tira-gosto, que não sabia ser de sola, com voracidade de uma hiena. Mastiga…, mastiga, e nada de car cabo dos insuspeitos bifes. Dessa vez, a farra viu o nascer do dia sem que as cordas do violão de Adail se quebrassem. Finalmente, a ficha de Adail só veio cair quando um gaiato, sem se conter, começou, em referência à sola, a chama-lo de Arruela. Então o tempo fechou, os exaustos farristas, levaram um bom tempo para conter a fúria de Adail. Daquele dia em diante, quem o chamasse de Arruela, corria o risco de levar alguns pontos na cabeça provocados por um braço de violão.&lt;br /&gt;Sem dúvida, outro ponto musical que me emprenhou de influências musicais, ficava na casa de Dedé de Burdão, velha irascível e quase intragável, mas que se tornava uma seda quando recebia, em visita, sua filha, uma notória cafetina.&lt;br /&gt;Diziam os mais velhos que, na juventude, aquela alquebrada cafetina havia sido uma morena de curvas mais perigosas do que as da estrada de Santos. Tal fartura e formosura nas artes do amor e que tais, passaram a servir ao coletivo, tornando-a uma das mais requisitadas e bem sucedidas do milenar ramo.&lt;br /&gt;Mas, alcançada pela dureza e crueldade do senhor tempo, aos poucos, foi perdendo seus encantos e passando a ocupar o posto que as mais inteligentes ocupam quando chegam ao ocaso na carreira: o de cafetina.&lt;br /&gt;Ungida na nova plataforma sexual, estabeleceu-se como a mais requisitada casa da Rua Chico Nunes, baixo meretrício de Palmeira dos Indios. E, tendo amealhado razoáveis recursos, vez por outra, tal qual uma Chica da Silva sem Arraial, em Feliniana caravana, visitava sua mãe, Dona Dedé.&lt;br /&gt;Essa visita era quase um evento em nossa pequena cidade, porque a cafetina chegava com um verdadeiro entourage, abalando os dias calmos da Rua de Cima, onde se estabelecia. Na sua troupe, tínhamos invariavelmente, um cafetão da hora, uma nova putinha em estágio probatório, um ou dois viados que cuidavam da cozinha ou da arrumação da casa, um magro leão de chácara e seus sobrinhos que ajudavam na administração do negócio.&lt;br /&gt;Por outro lado, eu, um inocente garoto de nove ou dez anos, não conseguindo ver, no momento histórico, que a peça mais importante daquele profano cortejo era, na verdade, a putinha estagiária, dirigia toda minha atenção e alegria para uma enorme radiola de madeira que, dia e noite, tocava os mais recente sucessos de Moreira da Silva, Nelson Gonçalves e Altemar Dutra, vez por outra, acompanhada pela bela voz da dona.&lt;br /&gt;Ali, de pé em frente a uma das janelas da humilde casa que não tinha nem eira nem beira, passava horas e horas ouvindo, num momento, o som da grande radiola da cafetina, noutro, a voz de sua dona, que, acompanhada em segunda voz por seu cafetão, demonstrava os pendores artísticos que a tinham alçado ao atual status.&lt;br /&gt;Inocentemente, imaginando ser aquela desenvolta mulher uma empresária de grande sucesso eu, ali naquela janela, trocando, vez por outra, o pé cansado da demora, ia torcendo para que o seu sucesso nunca declinasse, pois se tal acontecesse eu definitivamente perderia o inenarrável prazer de escutar a radiola da cafetina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;COMENTÁRIOS SOBRE A CRÔNICA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Luiza Amália&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;Acadêmica de Direito e correspondente do blog nos Estados Unidos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ler essa crônica também me trouxe recordações. Dos anos de minha infância em que vivi em Palmeira dos Índios, quando ouvia Sandrinha, a empregada de minha avó falar: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-“Zé não dormiu em casa essa noite , dona Lenira. Tenho medo de ter perdido esse menino pra Cafurna”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outras vezes vociferava: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- “Zé me inventou de aparecer com uma namoradinha de Cafurna”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Zé era o filho de Sandrinha, e a Cafurna, até pouco tempo, era um mistério para mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais tarde descobri que a Cafurna é o bairro de Palmeira onde se situa a Rua Chico Nunes, rua histórica onde funcionava o grande cabaré da cidade (que, pelo que me parece agora, era de propriedade da cafetina da radiola). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns moradores mais antigos, como as finadas Sandrinha e vovó Lenira, associavam o nome do bairro da Cafurna a tudo que era mundano, a tudo que fugia dos padrões provincianos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-327392344039462379?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/327392344039462379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=327392344039462379' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/327392344039462379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/327392344039462379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/05/radiola-da-cafetina-quem-tripas-comeu-e.html' title='A RADIOLA DA CAFETINA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8541101727318054703</id><published>2009-05-07T22:47:00.006-03:00</published><updated>2009-05-10T19:51:40.955-03:00</updated><title type='text'>O CANALHA</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334331551931451490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 85px; CURSOR: hand; HEIGHT: 99px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SgdaSLMISGI/AAAAAAAAAIA/l4at6jC3f4c/s200/DSC02880_3_4.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;ISAAC SANDES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Na galeria de tipos humanos, o canalha certamente tem seu lugar de destaque.&lt;br /&gt;Não confunda o canalha com o mau caráter. O mau caráter é um tipo asqueroso; covarde; traiçoeiro e sem o menor glamour. Identificado, o mau caráter é prontamente escorraçado de qualquer meio, sem que tenha, em seu favor, manifestação embrionária de defesa. Nem que seja de um bom samaritano.&lt;br /&gt;Enquanto o verdadeiro e caricato canalha…!!! Esse não !&lt;br /&gt;O autêntico e secular canalha é dotado de um glamour e um charme que faz com que, seus atos, mesmo condenáveis à primeira vista, sejam, após prudente distanciamento, reavaliados com um certo “quê" de romantismo canastrão.&lt;br /&gt;Os contumazes frequentadores dos outrora românticos bordéis, sabem do que estou falando. Lá, os verdadeiros canalhas sempre foram os seres mais destacados e paparicados pelas literais animadoras da torcida.&lt;br /&gt;O canalha de bordel, se sentia num à vontade difícil de descrever por um escrito puritano. Ele desfilava no puteiro como se fosse um sargento linha dura passando em revista um pelotão de borrrados recrutas. Olhar altivo, queixo levantado, peito estufado num passo de ganso. Parecia um Duce.&lt;br /&gt;Lá ele sempre foi alvo dos mais elevados encômios e destinatário de respeito reverencial. Até dos mais antigos frequentadores. O canalha dominante do bordel era o pavor dos semi-desvirginados adolescentes que, saídos do seu rito de passagem, vagueavam, ainda, inseguros e temerosos em território que era todo do canalha.&lt;br /&gt;O canalha do qual estou falando é aquele que empresta um colorido especial ao monótono tecido social.&lt;br /&gt;Quem viveu a infância num cidadezinha de interior, sabe que o canalha local é aquele que fornece o combustível para as rodas de fofocas que se formam à noite nas pracinhas, bem como fornece matéria prima para o linguarudo barbeiro.&lt;br /&gt;Qual cidade de interior não possui os seus canalhas de estimação ?&lt;br /&gt;São eles representados pelas mais diversas subespécies:&lt;br /&gt;É o velhaco contumaz; o dono da venda que todos sabem ser o mais descarado ladrão, no preço e no peso; o agiota que posa de moço bom, frequentando e participando de todos os eventos da paróquia; é aquele corno desentendido, que faz questão de contar as qualidades empreendedoras da esposa; o camelô trambiqueiro vendendo óleo de peixe-boi nas feiras; o padre que, na baixa, come a recatada beata; o vizinho que, respeitosamente, vive chifrando seu mais estimado cumpadre; o mentiroso folclórico; a velha e vigarista macumbeira que promete resolver qualquer problema de amor não correspondido, afastar olhos cobiçosos e promover a cura daquele irrecuperável broxa.&lt;br /&gt;Enfim! Tais tipos, são Pedros Malazartes materializados diante de nossos olhos.&lt;br /&gt;Todos nós sabemos quanto carregam de canalhice no seu DNA, mas se extirpados do contexto social, o nosso cotidiano se tornará tão insosso quanto uma refeição de hospital.&lt;br /&gt;O canalha é um ser autêntico, é o homem em estado bruto . É um representante da humanidade sem os arreios éticos e morais. Se a embriaguês é a mão que levanta o manto e revela o canalha que existe por baixo de cada envernizado cidadão, como bem expôs nosso cronista. Ao canalha tal recurso é desnecessário, pois ele é o que é em si mesmo.&lt;br /&gt;Toda inteligente e sábia comunidade, sabe amar respeitar e conviver pacificamente com seus canalhas. Sabe que, na maioria das vezes, os males causados pelos canalhas são de pequeno potencial ofensivo e que tais atos, tolerados, renderão ao coletivo vasto material que alimentará as futuras lendas, desencadeará discussões e análises que irão beirar verdadeiras teses freudianas.&lt;br /&gt;De tal importância se reveste o canalha que cada nação tem o seu como um mascote.&lt;br /&gt;O nosso é o Pedro Malazarte; os americanos o tem na figura do Tio Sam; a Itália tem o seu amado Casanova; na Espanha Dom Giovanni e Robin Hood na Inglaterra. As crianças o idolatram nas figuras do canastrão Pica-Pau e do maldoso Jerry.&lt;br /&gt;Uma roda de Jogo é um ambiente que transpira e cheira à canalhice.&lt;br /&gt;Nosso Bem-Amado, Odorico Paraguaçu!! Existiu ou existirá canalha mais charmoso, mais brilhante e mais identificado com um pedacinho de cada um de nós ?&lt;br /&gt;O impagável Vadinho de Dona Flor ! Lorde Cigano de By By Brasil, Seu Quequé, o caixeiro viajante de Rabo de Saia. São apenas alguns exemplos dos grandes e amáveis canalhas que povoam nosso cotidiano artístico.&lt;br /&gt;Na arte da conquista e nos jogos do amor, o canalha é imbatível.&lt;br /&gt;Tente competir com um, e verá o resultado !&lt;br /&gt;Mostre à abatida vítima de um canalha qual é sua verdadeira face e amealhará um definitivo inimigo.&lt;br /&gt;Tais características e particularidades fazem com que, ao verdadeiro canalha - por mais combatido que seja pelos falsos moralistas - sempre irá restar o incondicional apoio da maioria, pois sem ele, ela perderá algo que existe e que nunca deixará de existir sob as suas históricas camadas de verniz, a sua própria canalhice. Afinal, já vaticinava o imortal Nelson Rodrigues : “a virtude pode ser muito bonita, mas exala um tédio homicida".&lt;br /&gt;Isaac Sandes - 03/05/09.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8541101727318054703?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8541101727318054703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8541101727318054703' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8541101727318054703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8541101727318054703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/05/o-canalha.html' title='O CANALHA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SgdaSLMISGI/AAAAAAAAAIA/l4at6jC3f4c/s72-c/DSC02880_3_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4536286176046284229</id><published>2009-05-07T12:36:00.009-03:00</published><updated>2009-05-09T18:22:34.741-03:00</updated><title type='text'>O CAOS DO SISTEMA PENITENCIÁRIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SgOSxfSCUAI/AAAAAAAAAH4/kWl7CwNv3wA/s1600-h/d7e2f41dbb4e2da74185453024f22e779c49c682-destaque%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333267762645192706" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 152px; CURSOR: hand; HEIGHT: 105px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SgOSxfSCUAI/AAAAAAAAAH4/kWl7CwNv3wA/s200/d7e2f41dbb4e2da74185453024f22e779c49c682-destaque%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;COARACY FONSECA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O sistema penitenciário brasileiro será sempre um grande fracasso, uma fábrica de criminosos brutais. Não só pela ausência de políticas públicas efetivas, mas, sobretudo, pela apoucada ou nenhuma qualificação dos agentes que atuam em seu interior, nos subterrâneos, onde tudo acontece.   Os honestos e competentes, não raras vezes, são castrados ou esmagados pela máquina de opressão.&lt;br /&gt;Além de comprovada formação moral, irrepreensível conduta ética, o profissional que atua no sistema deve ter sua vida esquadrinhada, examinada com minúcias, dissecada com arte de cirurgião. O problema brasileiro não é de recursos materiais, mas de recursos humanos. Com poucos recursos e um bom caráter é possível fazer muito.&lt;br /&gt;Nenhuma política carcerária funcionará a contento se os agentes encarregados de sua execução e velamento tiverem ligações com criminosos, como co-autores em delitos ou na qualidade de informantes, crime ainda mais grave, por partir de um agente do Estado, portador de dados e informações privilegiadas.&lt;br /&gt;Os gestores públicos têm grande responsabilidade por suas indicações, pois se um bandido – cuja fama o precede - é indicado para coordenar o sistema penitenciário pelo Poder Executivo, por exemplo, ou o administrador comunga com seus propósitos ou é um inábil, incapaz de gerir, inclusive, a própria vida. A situação não é distinta no que diz respeito ao Ministério Público e ao Poder Judiciário do nosso país, principalmente quando o acesso aos cargos não ocorre pelo modo de provimento normal, promoção ou remoção.   &lt;br /&gt;Nesse contexto, o homem talentoso e vencedor, admirável pela sua capacidade estratégica e de organização, deve ter redobrada cautela, para não misturar-se com bandidos. Sob pena amesquinhar-se, destruir a sua trajetória, a sua história de luta, o seu patrimônio moral. Na vida, sempre há tempo para a correção dos erros, exceto quando a composição tornou-se homogênea e irremediável.                             &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li, certa vez, uma parábola que tocou profundo o meu coração e me fez meditar. Era mais ou menos assim: &lt;br /&gt;“Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:&lt;br /&gt;- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?&lt;br /&gt;Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:&lt;br /&gt;- Estou ouvindo um barulho de carroça.&lt;br /&gt;- Isso mesmo, disse meu pai, e uma carroça vazia.&lt;br /&gt;Perguntei ao meu pai:&lt;br /&gt;- Como saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?&lt;br /&gt;Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho.&lt;br /&gt;Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que ela faz.&lt;br /&gt;Tornei-me um adulto, e até hoje, quando vejo um indivíduo tentando intimidar, valendo-se da política do terror, da prepotência, ou de recursos baixos por trás das cortinas para atingir as pessoas, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo: “Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...”&lt;br /&gt;A inoperância do sistema penitenciário, por variegadas razões, dentre as quais a falha de caráter, ora abordada, leva a aparições cinematográficas; a apoteóticas performances de homens câmera e ação; a operações espalhafatosas e sem sentido (a não ser o da propaganda enganosa), que atestam o caos do sistema e a ausência de seriedade no trato da coisa pública. Após o espetáculo, fechadas as cortinas, os vermes retornam ao seu habitat!   &lt;br /&gt;Na condição de cidadão não posso deixar de refletir sobre os grandes problemas nacionais. Na qualidade de agente público tenho o dever de agir, e ser um homem do meu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maceió, 06 de maio de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coaracy Fonseca&lt;br /&gt;Promotor de Justiça&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4536286176046284229?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4536286176046284229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4536286176046284229' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4536286176046284229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4536286176046284229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/05/o-caos-do-sistema-penitenciario.html' title='O CAOS DO SISTEMA PENITENCIÁRIO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SgOSxfSCUAI/AAAAAAAAAH4/kWl7CwNv3wA/s72-c/d7e2f41dbb4e2da74185453024f22e779c49c682-destaque%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8727799629419410510</id><published>2009-05-02T20:14:00.054-03:00</published><updated>2009-06-07T16:30:31.331-03:00</updated><title type='text'>COMO TER SUCESSO NA VIDA SEM ABRIR O LIVRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chego ao VIII Congresso Nacional de Direito Público para o lançamento de Ética Ambiental, escrito por duas simpáticas professoras que tiveram a gentileza de me convidar para escrever a orelha do livro. Dirijo-me a um animado grupo de juristas brasileiros, ciceroneado pelo procurador da república Marcelo Toledo. A conversa gravitava em torno da variada gastronomia servida nos restaurantes de Maceió. Os visitantes pareciam mais interessados nos apetitosos pratos do Wanchaco, Carne do Sol do Picuí e Bodega do Sertão do que pelos complexos temas jurídicos debatidos no colóquio. E tinham razão.&lt;br /&gt;De repente alguém diz:&lt;br /&gt;– George, a orelha do livro está muito bem escrita. Parabéns!&lt;br /&gt;Uma das cabeças coroadas da doutrina pátria interrompe o bate-papo e objeta com empáfia:&lt;br /&gt;– Por que você não escreveu o prefácio? Tinha que escrever o prefácio!&lt;br /&gt;Encarei o interlocutor com olhar condescendente de quem sabe das coisas e respondi de forma incisiva:&lt;br /&gt;– A orelha é a parte mais lida do livro! A orelha é a parte mais lida de qualquer livro. De qualquer livro!, enfatizei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro jurista, igualmente coroado e ovacionado pela estudantada, concorda com a minha tese. Explica que passou anos escrevendo um livro profundo, de incontestável valor científico. Ninguém leu. Na terceira edição ainda era um autor inédito. Aí teve a luminosa idéia: inserir uma orelha na capa. Resultado: as vendas dobraram, dobraram não, triplicaram. A obra tornou-se um best-seller. Leitura obrigatória em todas as faculdades de direito do país. Perguntei-lhe se valeu a pena. Deu um longo trago em seu charuto cubano, ajeitou o suspensório de seda pura e disse em alto e bom som:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Para falar a verdade, continuo tão inédito como antes, talvez até mais. A diferença é que meus supostos leitores fingem que conhecem a obra e saem por aí citando as informações da orelha. E isso tem efeito multiplicador. Todo mundo compra e ninguém lê. Um sucesso!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembrei-me de um episódio curioso. Um amigo estava disposto a fazer carreira no serviço público. Passou no concurso e continuou estudando feito um louco. Fez mestrado, doutorado, línguas estrangeiras. Achou que seria promovido, que seriam reconhecidos os seus esforços para o engrandecimento da repartição pública. Nada. Os chefes ficaram ofendidíssimos com os seus conhecimentos. "Quem ele pensa que é? Quem ele pensa que é?", perguntavam enfurecidos, com babas de cães raivosos. O cargo terminou sendo ocupado por um espertalhão de poucas luzes e muita malandragem. Meu amigo decidiu mudar de vida. Rasgou Machado de Assis, Victor Hugo e Albert Camus. Pediu exoneração e passou a ler avidamente as orelhas de todos os livros que encontrava pela frente. Leu centenas delas. Hoje é presidente de uma conhecida multinacional. Um homem rico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro amigo foi convidado para fazer uma conferência num congresso de filosofia. Comprou dois livros de Nietzche, edições de bolso. Leu as orelhas e fez uma belíssima exposição, arrancando palmas até mesmo dos catedráticos. Depois foi visto no botequim da esquina aos beijos com uma belíssima aluna de ciências sociais, que não cansava de admirar sua vastíssima cultura. A cada trago de cachaça com mel, a beldade gritava embevecida: "Assim falou Zaratrusta! Assim falou Zaratrusta!". No dia seguinte os livros foram encontrados na lixeira do auditório, imaculados como uma vestal romana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis a verdade irrefutável: os empresários de sucesso, os oradores que arrastam multidões, os clérigos mais venerados, não são eruditos, mas sofisticados leitores de orelhas. O resto é conversa fiada.&lt;br /&gt;Outro dia eu exaltava os sermões do padre Antônio Vieira nos corredores do Forum de Maceió.&lt;br /&gt;– Que estilo, que brilhantismo, que domínio da língua portuguesa, dizia com entusiasmo.&lt;br /&gt;– Um saco, contestou a loira de fechar o trânsito. – Ninguém entende nada do que esse homem escreve. Balançou os cabelos oxigenados e alisados na chapinha japonesa: – Você precisa assistir a uma pregação do padre Fábio de Melo. Este sim, tem conteúdo. Lindo, maravilhoso!, acrescentou com olhos lúbricos de gata no cio.&lt;br /&gt;Na época eu desconhecia esse fenômeno da mídia católica. Atônito, perguntei:&lt;br /&gt;– Mas é padre mesmo, de batina, igreja e tudo? Ele canta ladainhas, hinos, essas coisas que todo padre faz?&lt;br /&gt;– É padre de televisão, professor! O senhor vive em que século? Batina, já era! Ele anda na moda, malhado, roupa de grife, relógio rolex, um charme. E tem mais: é um excelente cantor. No seu repertório há músicas sertanejas e até Fábio Júnior, não é o máximo? As meninas ficam loucas quando ele fala, apaixonadíssimas pelo fruto proibido. Deu uma paradinha, e continuou: - Ah, tem uma coisa, o padre detesta ser assediado pelas meninas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei pensando na atriz hollyoodiana que fazia topless em Ipanema e foi cercada pelos banhistas que gritavam "gostosa, gostosa!". Um escândalo. Ela ficou bravíssima, sentiu-se desrespeitada, vilipendiada em sua intimidade. Não admitia que adolescentes, velhinhos tarados, vendedores de biscoito polvilho e de chá mate apreciassem os seus fartos seios. Ninguém entendeu nada. Ora, se o padre se veste de garoto do Leblon, faz caras e bocas, exala sedução por todos os poros, por que detesta as declarações de amor das fãs apaixonadas pelo homem de carne e osso? Para mim esse é um mistério inescrutável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A essa altura o leitor pode pensar: - "é despeito". E é mesmo, confesso isso sem pudor ou medo da fogueira do inferno. Mas o que eu queria dizer é que os conhecimentos teológicos são secundários, meros adereços, ornamentos retóricos que não atraem o interesse da platéia. Pior, são poderosos soníferos para os fiéis, mais fortes que uma dose cavalar de Lexotan. A maioria gosta mesmo é do belo, do espalhafatoso, do sedutor. A parte mais esperada da pregação são sempre os conselhos auto-ajuda, do tipo: "tenha pressa em ser feliz", "seja o que é não o que as pessoas querem que você seja". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vivemos a era da superficialidade intelectual. Se quiser ter sucesso na vida, não perca tempo: comece a ler hoje mesmo as orelhas dos livros. Eu já comecei a fazer isso. Os resultados são surpreendentes. Os marxistas não lêem Marx, os kelsenianos não lêem Kelsen, os freudianos não lêem Freud, mas causam frisson por onde passam. O leitor de orelhas está apto para dar entrevistas, proferir discursos, escrever teses e, até mesmo, tornar-se guru espiritual de milionárias ociosas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É imprescindível ter uma vasta biblioteca, com livros impecavelmente arrumados. Uma boa biblioteca exerce grande fascínio sobre os incautos. Lembre-se que os livros jamais devem ser lidos. Senão estraga tudo. Eu tinha meus oito, nove anos, quando presenciei uma cena que ilustra essa assertiva. Meu pai tentava convencer um cliente a assinar o contrato de honorários. Perdeu muito tempo em detalhes técnicos, desnecessários. O cliente hesitava. Queria garantias de que ganharia a causa, de que seria absolvido pelo tribunal do júri. Foi aí que meu pai entendeu o espírito da coisa. Pediu-lhe que olhasse de alto a baixo a sua estante recheada de obras jurídicas, todas vermelhas de capa dura. O homem ficou impressionado, balançava a cabeça feito catenga. Meu pai bateu na testa várias vezes com a mão direita e disse: " - Está tudo aqui, na cachola! O senhor acha que com esse cabedal vou perder a sua causa?". Convenceu o cliente e meteu os honorários no bolso. Se ganhou a causa? Ah, essa é outra história... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto os eruditos são considerados chatos, pernósticos e entediantes, os leitores de orelha são simpáticos, descontraídos, aceitos em todas as rodas sociais. Eles são incapazes de perguntas embaraçosas sobre temas herméticos. Animam horas a fio um papo cabeça falando muito sem dizer nada. Comentam autores que nunca leram como se fossem vizinhos de casas geminadas ou coleguinhas de jardim de infância. Os seus vastos conhecimentos do nada roubam a cena e arrancam suspiros de admiração. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, atenção! Ler orelhas exige método e disciplina. É preciso saber de cor e salteado o título da obra, o nome do autor, o tema abordado e algumas frases de efeito. A ausência de um desses elementos é fatal. Você pode ser desmascarado, taxado de impostor, jogado à execração pública. Mas se você seguir as regras direitinho estará pronto para aproveitar as delícias que a vida lhe reserva. Boa sorte! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;Eis alguns dos comentários sobre o artigo:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;CARTA DE UMA CONFESSA LEITORA DE ORELHAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;LUIZA AMÁLIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Caro professor. Realmente essa sua impagável crônica me rendeu dores de cabeça de tanto rir! Estás cada vez mais cômico. Bem, quanto aos leitores de orelhas de livros, esta é uma crescente espécie de gente, na qual me incluo, diga-se de passagem. É tanta coisa para se fazer hoje em dia, tanto blog interessante pra se acompanhar, e-mails pra responder, que aqueles velhos-livros-novos continuam na cabeceira intocados. Não pela malandragem, mas mesmo pela abundância de opções de entretenimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para aqueles que querem lograr êxito com a fraude literária, indico um bom livro (adorei o que li na orelha, numa rápida passada na livraria para comprar uma revista sobre novelas) "&lt;em&gt;Comment parler des livres que l’on n’a pas lus&lt;/em&gt;" (Como falar de livros que não se leu). De fato não o li, mas como boa leitora de orelhas que sou (e das críticas literárias de jornais de circulação), sei que o autor é Pierre Bayard (que, pelo nome, é um francês que escreve livros!). Bem... quem não o quiser ler, que passe ao menos uma vista pela orelha!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;O LEITOR DE ORELHAS NA FILOSOFIA E NA LITERATURA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;COARACY FONSECA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Caro George,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ri bastante, o teu escrito é profundo e agradável. A questão é antiga. Sêneca, em seu belo “Sobre a Tranqüilidade da Alma”, perece-me que foi tomado por similar inspiração, ao afirmar: “Mesmo os gastos para os estudos, que são os mais bem empregados, são tanto mais racionais quanto mais moderados. Para que inumeráveis livros e bibliotecas de que o dono nunca lê por inteiro, com custo, apenas os índices?” O mestre estóico era um leitor voraz, mas um homem prático. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se a função do intelectual for apenas de ler e “produzir” idéias ele não deve angustiar-se. Um dia a mensagem impressa surtirá algum efeito, não se pode precisar o tempo e o espaço. Mas, se ele deseja transformar o mundo, há de tornar-se um homem de ação. Partir para o embate. Infelizmente, com os leitores de orelha de livro: os mercadores de ilusões. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou um leitor despretensioso, não busco idéias originais ou soluções que nunca foram pensadas, se é que existem. Mas, na adolescência, li uma obra do mestre Alceu Amoroso Lima, O Tristão de Ataíde, que me tocou profundamente, com o simples pensamento: "De que vale pôrum pouco de ordem no espírito; de que vale sofrer a influência do ambiente que muda - se não fazemos repercutir, fora de nós, no terreno da ação, aquilo que fomos preparar no fundo de nós mesmos ou que respiramos no ar que nos cerca? De que vale o homem mergulhar dentro de si mesmo ou absorver, como uma esponja, as águas que o cercam - se não é para trazer o seu esforço humano... à obra da reconstrução, ao trabalho de auxiliar os outros (In Espírito e Mundo, 1936). Um abraço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;CARTA DE UMA LEITORA DE LIVROS (ORELHA, PREFÁCIO, TEXTO COMPLETO)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;LUCIA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caro George,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certa vez ouvi um amigo na faculdade dizendo que fazia alguns trabalhos usando apenas o conteúdo das orelhas dos livros indicados, nesse momento me perguntei: Será que os professores são tão bobos assim?confesso que não ri com seu texto, pelo contrário, constatei uma realidade crescente: a de falsos gênios, falsos conhecedores das "coisas", falsos detentores do saber, e genuinos construtores do caos no mundo. Sim, porque se não detem o conhecimento serão facilmente manipulados por que o tem, claro que posso está errada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além disso, sem um profundo conhecimento das coisas como poderão sanar as proprias necessidades? Entenda-se necessidade no que se refere desde o entedimento do que se ler até a busca por alternativa para preservar a vida na terra. Acho que peguei pesado "né"?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Provavelmente meu amigo cresça na vida lendo orelhas, constatei isso no seu texto, detendo apenas um nada do que alguém se empenhou para escrever - o titulo - enquanto eu, leitora chata, do tipo que grifa todo o livro, fique aqui, desempregada, desconhecida, desiludida, desesperada por não poder contribuir para a melhoria do "mundo" com aquilo que empenhei tanto para apreender e apreender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você me abriu os olhos... Mas acho que é tarde demais, não me contentaria com uma orelha, sabendo que existe um monte de caracteres esperando por mim nas paginas de um livro qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amo Pe. Fábio de Mello, Gosto de Antonio Vieira...Creio também que a diferença nos discursos de ambos seja o resultado das leituras de orelhas feitas pela maioria dos leitores desde o Barroco até hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;rsrs&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ABRAÇOS&lt;br /&gt;5 de Maio de 2009 20:12 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8727799629419410510?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8727799629419410510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8727799629419410510' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8727799629419410510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8727799629419410510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/05/chego-ao-congresso-nacional-de-direito.html' title='COMO TER SUCESSO NA VIDA SEM ABRIR O LIVRO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-8100709800822745874</id><published>2009-05-02T19:58:00.010-03:00</published><updated>2009-05-05T17:54:20.480-03:00</updated><title type='text'>O VALORIZADOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Sf7Ef4xNqNI/AAAAAAAAAHw/ziQxlUF7WAE/s1600-h/DSC02880_3_4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331915060947036370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 93px; CURSOR: hand; HEIGHT: 101px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Sf7Ef4xNqNI/AAAAAAAAAHw/ziQxlUF7WAE/s200/DSC02880_3_4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;ISAAC SANDES&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você conhece algum ??&lt;br /&gt;- Não… !! Não estou falando de nenhum novo índice econômico. Não estou me referindo a nenhum inovador método de aferição de eficiência na empresa, repartição ou carreira.&lt;br /&gt;O valorizador é algo dotado de perfil extremamente particular no dia-a-dia das empresas, repartições públicas e carreiras de Estado.&lt;br /&gt;Talvez você já tenha se deparado com um valorizador e não lhe tenha dado a devida atenção.&lt;br /&gt;Talvez você já tenha sido até uma incauta vítima do valorizador sem, no entanto, se dar conta de tal. Tamanha é a astúcia e a sutileza do valorizador.&lt;br /&gt;O valorizador é um ser que poderia perfeitamente ser recrutado pelos serviços de inteligência das nações em guerra, pelo que tem de seguro em não repassar informações, nem deixar transparecer fraquezas.&lt;br /&gt;Apesar de ser um inseguro enrustido, quase um broxa social, o valorizador é perito na arte da dissimulação e da divulgação de uma imagem irretocável.&lt;br /&gt;Tamanho é o poder de dissimulação do valorizador que, nem nos maiores calores e lassidões da alcova o valorizador entrega seus própositos ou seus métodos de atuação.&lt;br /&gt;Até no leito de morte, cercado pelos familiares mais próximos, o valorizador não entrega sua prática de vida.&lt;br /&gt;Mesmo como encardido religioso; frequentador de todas as quermesses da sua paróquia; carregador de andor em todas as procissões; comungador diário ou membro fundador de uma ordem religiosa. Mesmo assim, o valorizador irá morrer e jamais revelará seus métodos e segredos. Nem mesmo ao vigário que irá lhe administrar a extrema unção.&lt;br /&gt;Se você ainda não conseguiu formar em sua mente o perfil de um valorizador, fornecerei alguns indícios do que possa ser um valorizador.&lt;br /&gt;Ao contrário do que se imagina, o valorizador não é um ente raro, daqueles que a humanidade só nos dá a cada milênio.&lt;br /&gt;Ele pode ser encontrado no nosso dia-a-dia. Seja na figura de um simples aspone do serviço público, seja na figura de um grande empresário, no papel de um alto funcionário, na pele de um magistrado ou de um Promotor. Não é raro se deparar com um valorizador.&lt;br /&gt;Você sempre encontrará o valorizador carregando um grande volume de livros, que jamais vai ler. Conduzindo uma enorme e lustrosa pasta que julga cheia de documentos importantes, mas que, na verdade, se, por acidente, ela se abrir diante de seus olhos, você se verá frustrado pela enorme quantidade de tranqueiras inúteis esparramadas diante deles. Saidos da acidentada pasta do valorizador teremos: Vários tipos de escova para cabelo, espelhinhos, toalhinhas, revistas pornôs, escova de dentes, frasquinhos de perfume, alguns cachetes de medicamentos e, como principal recheio, amarrotadas cópias de um ensebado processo - de deslinde quase impossível – no qual, o valorizador deposita infinita esperança de redenção financeira.&lt;br /&gt;Uma breve incursão histórico-sociológica sobre a origem do valorizador irá nos remeter aos mais imemoriais tempos.&lt;br /&gt;Desconfia-se que os doze trabalhos de Hércules foi uma grande performance de valorizador.&lt;br /&gt;Suspeita-se que o bíblico Sansão também foi um grande valorizador, pois o alarde criado em torno da quantidade de filisteus mortos por ele, não se coaduna com o flagrante que lhes deram seus inimigos. Desfalecido e indefeso na cama de uma notória prostituta, após intenso bacanal.&lt;br /&gt;Mas o caso de valorizador que se tornou mais célebre, quase um arquétipo da humanidade, é aquele do pastor guardador de ovelhas da conhecida fábula - que, para valorizar sua função, sempre dava avisos falsos de ataques de lobos, até que um dia foi comido por eles, pois ninguém mais acreditava em seus infundados alarmes.&lt;br /&gt;Daí o estigma que acompanha, até hoje, todo vigia, pois seguramente, entre as classes e categorias, é o vigia o maior valorizador. Experimente e faça um teste. Pergunte a qualquer vigia que passou a noite entre um cafezinho, um cigarro e um longo cochilo, como foi a rotina de seu trabalho e, ele, sem pestanjar, lhe dirá:&lt;br /&gt;- Olha Doutor foi uma noite de cão, tive que afugentar um ladrãozinho daqui, uns suspeitos que rondavam a casa dali, tive até que dar uns tiros pro alto. Se eu não fosse tão macho… Sei não!!!&lt;br /&gt;- Jamais admitirá que o único barulho ouvido durante a noite foi o do seu ronco.&lt;br /&gt;- É fatal.&lt;br /&gt;O valorizador, você sempre o encontrará esbaforido e soprando, como se, sobre sua cabeça, estivesse desabando o Processo de Nuremberg. Se for daqueles que usam gravata, você sempre o encontrará afrouxando o nó e fazendo cara de que já não mais aguenta tanto trabalho.&lt;br /&gt;Não adianta você convidar o valorizador para um almoço de amigos, uma cervejinha após o expediente, ou que tais, pois ele fatalmente irá lhe dizer que gostaria muito, mais que, ao contrário dos demais, está com um grande volume de serviços para concluir e que lamenta muito não usufruir de uma vidinha mansa como a sua.&lt;br /&gt;O valorizador chega sempre ao trabalho atrasado, mas procura uma maneira de entrar sem que ninguém o veja e, fatalmente, quando todos já estiverem saindo após a conclusão de suas tarefas, o valorizador ficará fazendo serão até “altas horas” e tentará convencer alguém a lhe fazer companhia.&lt;br /&gt;Ninguém consegue pegar um valorizador desprevenido, pois ele, religiosamente, instrui seus empregados e familiares para, automaticamente, responderem aos que ligam para sua casa à sua procura, com a monocórdia frase: “O Doutor tá no trabalho… é… saiu logo cedo”.&lt;br /&gt;Lá, no trabalho, o valorizador, ao contrário, instrui seus auxiliares para responderem: “O Dr. está por aqui, deve ter dado uma pequena saidinha”, ou, se não tiverem saida: “ O Dr. acabou de sair às pressas para uma reunião com o seu chefe. Que pena …! Se o senhor tivesse chegado mais cedo…!!!!&lt;br /&gt;O valorizador nunca passa recibo. Ele sempre sabe tudo. Não adianta você contar uma novidade interessante que fatalmente ele lhe dirá: “Ahhh… Eu já sabia !!!”.&lt;br /&gt;É um verdadeiro estelionatário intelectual. O valorizador.&lt;br /&gt;Qualquer idéia brilhante que lhe for apresentada por um subordinado, será, na próxima reunião do grupo ou diretoria, exposta e incorporada pelo valorizador como a sua mais nova e genuína descoberta.&lt;br /&gt;Tamanho é o hábito incorporado, que o valorizador chega a não ter tempo nem para a própria família. Qualquer tentativa de incursão de esposa e filhos em busca de lazer, tem logo a pronta e definitiva resposta: “O papai está cansado. O dia hoje foi daqueles… fica para a próxima vez ! “.&lt;br /&gt;A sovinice do valorizador só passa a ser suspeita, quando você, bisbilhotando quais são os integrantes mais frequentes de pacotes turísticos de grupos exóticos e diversos do seu, descobre que lá, está sempre o nome do valorizador.&lt;br /&gt;Tão ardiloso é o valorizador que suas viagens de lazer e turismo sempre são feitas em grupos nos quais você jamais suspeitaria encontrá-lo. Tais como: “Grupo de viagem da unha encravada: Agradecidos pelas graças alcançadas no Santuário de Fátima”. “ Peregrinação aos túmulos do ancestrais Cruzados: Partida da Côte d'Azur. Tour nas Ilhas Gregas . - Jerusalém via Estambul .&lt;br /&gt;“Grupo de viagem da confraria dos descendentes dos apunhaladores de César. Visita ao antigo Senado Romano, com esticada à Ilha de Capri.&lt;br /&gt;- Em todos eles, se encontrará o valorizador.&lt;br /&gt;Por tais ardis é que ninguém consegue dizer com segurança, onde se encontra, em tal momento da sua vida, o valorizador. Ele é capaz de, no final do expediente de hoje, deixar você profundamente comovido e ciente de que está tocando um grande e inadiável projeto e, amanhã, vestido de camisa e bermuda coloridas, chapéu australiano enfiado na cabeça, óculos escuros, reboco de protetor solar na cara, está sorrateiramente embarcando em um alegre Cruzeiro rumo ao Atol de Mururoa, como integrante do grupo que irá realizar profundas pesquisas sobre os Efeitos causados pela Radiação Atômica nos Cavalos Marinhos Alazãos daquele ecosistema.&lt;br /&gt;Novamente lhe pergunto:&lt;br /&gt;Você conhece algum ???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes&lt;br /&gt;23/04/2009&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-8100709800822745874?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/8100709800822745874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=8100709800822745874' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8100709800822745874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/8100709800822745874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/05/o-valorizador.html' title='O VALORIZADOR'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Sf7Ef4xNqNI/AAAAAAAAAHw/ziQxlUF7WAE/s72-c/DSC02880_3_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-6780266497803831778</id><published>2009-04-19T18:33:00.013-03:00</published><updated>2009-04-25T20:30:54.763-03:00</updated><title type='text'>URUBULINOS</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SeuZ8elbwWI/AAAAAAAAAGg/5SMJwG-cVRk/s1600-h/DSC02880_3_4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326520248577016162" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 102px; CURSOR: hand; HEIGHT: 121px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SeuZ8elbwWI/AAAAAAAAAGg/5SMJwG-cVRk/s200/DSC02880_3_4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;ISAAC SANDES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Hoje a prosa não será leve. Tratarei de algo que chega muito próximo ao que era conhecido pelos antigos como &lt;em&gt;causos de assombração&lt;/em&gt; .&lt;br /&gt;É certo que não são daquelas tenebrosas estórias, ouvidas de olhos arregalados e agarrados à barra da saia de nossas avós, as quais nos faziam dormir com o cobertor preso aos pés e à cabeça, obrigando-nos a aspirar, no correr da noite, aquilo que os eruditos chamam de ventosidades anais silenciosas; as populares bufas.&lt;br /&gt;Mas… ! Vamos ao assunto, pelo que tem de sério !!!&lt;br /&gt;Os amigos mais próximos não conseguem entender minha imensa ojeriza e rejeição a ritos, práticas ou quaisquer referências funerárias.&lt;br /&gt;Riem, como se eles também não fossem refratários a tais assuntos, e não compreendem a razão de minhas ferozes críticas e ácidos comentários a respeito da comercial e quase pirotécnica exposição de urnas funerárias nas &lt;em&gt;lojas&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;boutiques&lt;/em&gt; do ramo.&lt;br /&gt;Não imaginam quão sérios são meus impropérios em relação àqueles que fazem da morte e desgraça alheias o seu meio de vida e, indo além, rondam hospitais e casas de saúde como abutres rondam o moribundo animal caído na Savana, à espera de, no momento oportuno, enfiarem seus putrefatos bicos no ânus da infeliz vítima. Porque, num covarde oportunismo, sabem que ali estão as partes moles e fáceis de comer, sem sofrerem, do quase cadáver, a última e instintiva reação de defesa.&lt;br /&gt;Assim são e, assim agem os Urubulinos agentes funerários da atualidade. Se entrincheiram nos arredores dos hospitais e, numa macabra tocaia, apontam seus lânguidos olhares e inauspiciosos desejos em direção daqueles que ali ingressam para tratamento. Hipócrita seria, da parte deles, afirmar que dali, de seus postos de vigília, possam fazer qualquer voto de pronto restabelecimento para seus possíveis futuros clientes.&lt;br /&gt;Ornamentam suas casas de morte, como um shopping ornamenta suas vitrines para uma promoção de dia dos namorados. Dão-lhes títulos chamativos como &lt;em&gt;Funerária Céu Azul&lt;/em&gt; e, numa atitude que diria, até anti-bíblica, cometem a proeza de, numa negação do milagre em que Jesus livrou um mortal do alcance de seus algozes funerários, chegam a pomposamente ostentar em sua fachada o letreiro: &lt;em&gt;Funerária São Lázaro&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Esperam tais mercadores da morte que agora, como na antiguidade egípcia, os cidadãos acreditam tanto na vida pós morte a ponto de gastarem uma pequena fortuna na encomenda de um ritual de embalsamamento, na compra de um vistoso sarcófago, ou na construção de vistoso túmulo ?&lt;br /&gt;Nutrem eles vã esperança, em ver um dia, famílias entrarem alegremente nos seus estabelecimentos que têm cheiro de morte e, tomada de impulso consumista, escolher o modelo de caixão mais adequado ao perfil físico de cada um de seus membros ?&lt;br /&gt;Invadem nossos lares através da mídia para, num papel de verdadeiros desmancha-prazeres, sorumbaticamente anunciarem seu reclame: “Compre já seu jazigo com vista para o nascente, garanta agora o desfrute de uma digna e duradoura paz celestial… blá, blá, blá.”&lt;br /&gt;Cá do alto de minha cátedra de medroso-mor, voltada para a discussão do trevoso e arrepiante tema defuntista, creio que tais abordagens absurdas já não cabem, pois a humanidade, na medida que vai se libertando da outrora e certa crença na vida pós morte, vai, cada vez mais, se afastando de tais rituais e se desfazendo de tais apelos.&lt;br /&gt;Tanto assim que, como foi dito, longe vão-se os tempos em que os antigos egípcios se orgulhavam de comprar antecipadamente todos os equipamentos que lhes seriam úteis na acreditada próxima vida e conviviam com seu defunto, em preparativos, até por setenta dias.&lt;br /&gt;Os romanos faziam os túmulos de seus entes queridos nas dependências da própria casa e, alí, o varão da família ficava encarregado de manter sempre ativo o o fogo e o culto ao antepassado, na esperança de que aquele facilitasse os caminhos dos demais que estavam por ir.&lt;br /&gt;Mas cá, do meu mui afastado e cautelar posto de observação de tais assuntos, tenho notado que nos períodos em que a humanidade se afastou de tais cultos e credinces, os cemitérios foram sendo construídos, cada vez mais, em lugares distantes e inacessíveis aos vivos. Quem não conhece uma cidadezinha de interior em que o dito se localiza o mais distante possível e, de preferência, no alto de um morro escarpado. Como se, numa mensagem atávica, aqueles cidadãos estivessem querendo dizer: Os que aqui ficam jamais devem voltar para o nosso meio. Enquanto os que estão no nosso meio só devem vir pra cá, muito contra suas vontades e após a resistência de um cavaleiro cruzado.&lt;br /&gt;Quem não conhece a moderna pressa que, mesmo discretamente, as famílias de hoje têm em se ver livres dos seus mortos?&lt;br /&gt;Então, como costumo afirmar para aqueles amigos que ousam comigo discutir o sepulcral tema, não há notícia de cadáver insepulto a perecer sobre a terra, por haver, o próprio quando em vida, ou sua família, deixado de adquirir com antecedência um vistoso plano funerário daqueles inventados e oferecidos pelos Addams de plantão.&lt;br /&gt;Divertem-se meus amigos, quando defendo a criação de um serviço público que seria encarregado das exéquias de todo e qualquer cidadão, o qual por medida de higiene e espaço deveria ser em forma de crematório, onde todos seriam finalmente revertidos ao original pó.&lt;br /&gt;Então, gostaria de ver até onde iria a criatividade e inventividade dos ditos carcarás funerários, na busca por um substitutivo econômico que continuasse a explorar e abusar de seus semelhantes até em sua derradeira hora.&lt;br /&gt;Posso vislumbrar que agiriam mais ou menos assim:&lt;br /&gt;No meio da futurista sala de mídia, de repente, começa a se materializar a imagem holográfica da soturna figura. Vestes e cartola pretas, tez vampiresca de morto vivo, faz uma dracular mesura com sua capa forrada de cetim vermelho, dá uma funérea gargalhada e em voz tonitroante anuncia:&lt;br /&gt;“ Dê novo brilho às cinzas de seu ente querido, dispomos para pronta entrega, das mais belas e fantásticas cores de purpurina funerária…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes – 14/04/2009.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-6780266497803831778?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/6780266497803831778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=6780266497803831778' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6780266497803831778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/6780266497803831778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/04/urubulinos.html' title='URUBULINOS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SeuZ8elbwWI/AAAAAAAAAGg/5SMJwG-cVRk/s72-c/DSC02880_3_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-3223531220054067971</id><published>2009-04-19T11:50:00.010-03:00</published><updated>2009-04-20T09:56:45.031-03:00</updated><title type='text'>VALE A PENA ESTUDAR?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Semana passada, um grupo de colegas do Ministério Público conversava animadamente sobre a polêmica promoção por merecimento para o cargo de procurador de justiça, ainda sem data para chegar ao fim. Em dado momento, um dos interlocutores, com mais de 30 anos de casa e já avançado na idade, pede a palavra e afirma com a arrogância dos parvos:&lt;br /&gt;- Esse pessoal que tem mestrado, doutorado e especialização pensa que é melhor que os outros. Eu mesmo só votaria em quem dá duro no trabalho, que veste a camisa da instituição. Jamais nessa gente que só pensa em dar aulas nas faculdades.&lt;br /&gt;Embora eu seja um &lt;em&gt;habitué&lt;/em&gt; dos bate-papos nos cafezinhos, não estava presente para responder na lata a essa pérola da intolerância provinciana.&lt;br /&gt;Não é a primeira vez que tais assertivas chegam aos meus ouvidos pela boca de testemunhas indignadas com tamanha arrogância. Confesso que não tenho raiva dessas manifestações de raquitismo intelectual. Sei que é produto de mentes esclerosadas e corroídas pelas traças do atraso. Discutir com tais indivíduos é dar-lhes um valor que não possuem. É transformar simples grãos de areia em pedras preciosas. Além do mais, como dizia Oscar Wilde, devemos escolher nossos inimigos pela inteligência. E esse, definitivamente, não é o caso.&lt;br /&gt;O curioso é que o preconceito é dirigido a uma das categorias mais injustiçadas do país: os professores. Justamente àqueles que ganham menos, sofrem com as péssimas condições de trabalho e são vítimas do desaparelhamento da educação no Brasil. Sejamos francos. As dezenas de colegas que exercem o magistério o fazem por vocação e não com o objetivo de auferir lucros, já que o salário de docente é insignificante em relação aos subsídios de promotor ou procurador de justiça. A Constituição Federal assegura o direito de ensinar em instituições de ensino superior, sem que isso configure acumulação ilícita de cargos. Além disso, a atuação na sala de aula é uma das estratégias mais eficientes para estimular vocações e atrair jovens talentosos para a carreira no Ministério Público.&lt;br /&gt;Em 24 anos na instituição, jamais testemunhei um caso sequer de negligência ou desídia em razão de atividades no magistério. Ao contrário, os colegas professores são também profissionais exemplares. Ninguém é obrigado a ensinar em faculdades, fazer pós-graduação ou escrever artigos científicos. Conheço excelentes promotores de justiça que decidiram não trilhar esse caminho e são reconhecidos pela sociedade civil pelo excelente trabalho que desempenham. Mas é justo que os pós-graduados sejam execrados por terem estudado? Serão eles promotores de segunda categoria? Claro que não. Trata-se de discriminação tosca que deve ser rechaçada com veemência.&lt;br /&gt;Recentemente fui convidado pelo Diretor da Escola Superior do Ministério Público, Dr. Sérgio Jucá, para proferir uma palestra sobre questões polêmicas do mandado de segurança. Contava-se nos dedos das mãos o número de promotores de justiça presentes. Pensei cá com os meus botões: é o conferencista que não presta? O tema é desinteressante? A divulgação foi insuficiente? Aí lembrei que acontecia a mesma coisa em outros eventos. Quase sempre foi preciso convocar servidores e estudantes de Direito para garantir o quorum necessário à realização dos seminários.&lt;br /&gt;Por que isso acontece? Simples. A participação em cursos organizados pela ESMPAL jamais foi parâmetro de avaliação de desempenho nas promoções por merecimento. Na magistratura estadual e federal, a aprovação em cursos oficiais, inclusive os promovidos pela Escola Nacional de Magistratura é condição &lt;em&gt;sine qua non&lt;/em&gt; para a promoção pretendida. Nunca vi um só juiz melindrado por tais exigências. Sem qualificação profissional o magistrado fica estagnado na carreira. E isso ninguém quer. Se a participação nos cursos da ESMPAL ficasse registrada nas nossas fichas funcionais para fins de promoção a situação seria diferente.&lt;br /&gt;A luta de Maurício Pitta tem sensibilizado a classe pela dimensão coletiva que encarna. As manifestações de solidariedade expressam a insatisfação com os critérios adotados atualmente nas promoções por merecimento. Todos estão acompanhando atentamente o desenrolar dos acontecimentos. Tenho certeza que os integrantes do CSMP, eleitos democraticamente pela classe em eleição disputadíssima, saberão apreciar as candidaturas com impessoalidade e equilíbrio, justificando suas escolhas através de votos fundamentados. O Ministério Público só tem a ganhar com isso. Agora é só esperar para ver.&lt;br /&gt;Forte abraço&lt;br /&gt;George Sarmento&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-3223531220054067971?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/3223531220054067971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=3223531220054067971' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3223531220054067971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/3223531220054067971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/04/vale-pena-estudar.html' title='VALE A PENA ESTUDAR?'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-9057720144025260714</id><published>2009-04-16T19:00:00.063-03:00</published><updated>2009-05-02T19:55:47.237-03:00</updated><title type='text'>EMBRIAGAR-SE DE VIDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/See_nXfqT7I/AAAAAAAAAGY/8AI4MT3c7pg/s1600-h/images[4].jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325435767431516082" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 117px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/See_nXfqT7I/AAAAAAAAAGY/8AI4MT3c7pg/s200/images%5B4%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em crônica publicada neste blog, Coaracy Fonseca nos brindou com uma deliciosa reflexão sobre a arte de reunir amigos em torno de uma biritinha. Hábito simples, tão apreciado pelos brasileiros. Não há dúvida: sob os efeitos do álcool, somos mais espontâneos, relaxados e autênticos. Os mais afoitos confessam os amores malogrados, as paixões secretas e os desejos enrustidos. Perdem o medo do ridículo e não estão nem aí para a galhofa dos outros. Alguns ficam valentes, outros tristes, até mesmo apáticos. Há os tarados e falastrões. Sem falar daqueles que não bebem nada, acompanham tudo e saem contando as besteiras que fizemos no dia anterior só para nos matar de vergonha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o importante mesmo é embriagar-se de vida. Não importa o vício. O fundamental é estarmos profunda e irremediavelmente apaixonados pelo que fazemos, pelas pessoas que nos cercam, pelos caminhos que trilhamos. Como é triste conversar com os pessimistas! A sua amargura enodoa a alma, mina as forças vitais e pode nos afundar na mais abissal depressão. Já os otimistas são verdadeiramente inspiradores: enchem nossa vida de alegria, música, poesia e amor. As chamas de sua personalidade nos fazem perseguir os sonhos e lutar pelo impossível, certos de que sairemos vitoriosos de todas as batalhas. Não é à toa que o vocábulo entusiasmo significa "Deus dentro de nós". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vocês já notaram que a maioria das pessoas despreza o presente? Algumas vivem no passado, remoendo culpas. Outras no futuro, sempre à espera de algo que possa torná-las felizes. Eis o paradoxo: ou estão mergulhadas nas trevas do remorso, ou nas atemorizantes teias da angustia. E tome Lexotan para suportar tanta pressão. Se pensarmos bem, o presente é tudo que temos. É a realidade crua, concreta e inexorável. E temos de enfrentá-la apaixonadamente, sugando com avidez a seiva da vida sem nos importar com os riscos dessa maravilhosa aventura no Planeta Terra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O passado é o bom conselheiro que nos ensina a arte de aprender com os próprios erros. O futuro é o imponderável, um enigma que pode nos reservar muitas surpresas. Para que nos preocuparmos com eles? Coragem! Shakespeare dizia que não é digno de beber o mel aquele que se afasta da colméia temendo as picadelas das abelhas. No século XIX, o poeta francês Charles Baudelaire - o pai do simbolismo - expressou essa verdade ao escrever o famoso poema &lt;em&gt;Embriague-se&lt;/em&gt;. O autor de &lt;em&gt;Les Fleurs du Mal&lt;/em&gt; sabia que a vida é uma dádiva que só pode ser usufruída pelos ébrios contumazes. Eternos embriagados, não só de álcool, mas, sobretudo, pela insaciável paixão por tudo que faz pulsar de emoção e nos arrebata do torpor da entediante rotina. Se você for avesso a um pilequinho, não tem problema. Tome um porre de alegria, otimismo e entusiasmo. Sua vida ganhará um novo colorido. Não custa nada tentar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em tempo: Remexendo em meus alfarrábios encontrei uma antiga e despretenciosa tradução que fiz do poema &lt;em&gt;Embriague-se&lt;/em&gt; como tarefa escolar na Aliança Francesa. Espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Forte Abraço!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;George Sarmento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;EMBRIAGUE-SE &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Charles Baudelaire&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tradução: George Sarmento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso estar sempre embriagado.&lt;br /&gt;Isto é tudo.&lt;br /&gt;É a única questão.&lt;br /&gt;Para não sentir&lt;br /&gt;O pesado fardo do tempo&lt;br /&gt;Que te verga os ombros&lt;br /&gt;E pende o teu corpo sobre a terra.&lt;br /&gt;É preciso embriagar-se sem trégua.&lt;br /&gt;Mas de quê?&lt;br /&gt;De vinho, de poesia ou de virtude, à sua escolha.&lt;br /&gt;Mas embriague-se.&lt;br /&gt;E se, de vez em quando,&lt;br /&gt;Nos degraus de um palácio,&lt;br /&gt;Na relva verde da estrada,&lt;br /&gt;Na solidão morna de seu quarto,&lt;br /&gt;Você se acordar&lt;br /&gt;E a embriaguês tiver diminuído ou desaparecido,&lt;br /&gt;Pergunte ao vento,&lt;br /&gt;À onda,&lt;br /&gt;Ao passarinho,&lt;br /&gt;Ao relógio,&lt;br /&gt;A tudo o que foge,&lt;br /&gt;A tudo que geme,&lt;br /&gt;A tudo que rola,&lt;br /&gt;A tudo que canta,&lt;br /&gt;A tudo que fala,&lt;br /&gt;Pergunte que horas são.&lt;br /&gt;E o vento,&lt;br /&gt;A onda,&lt;br /&gt;A estrela,&lt;br /&gt;O pássaro,&lt;br /&gt;O relógio&lt;br /&gt;Te responderão:&lt;br /&gt;É hora de se embriagar!&lt;br /&gt;Para não ser escravo martirizado do tempo,&lt;br /&gt;Embriague-se.&lt;br /&gt;Embriague-se sem parar!&lt;br /&gt;De vinho, de poesia ou de virtude, à sua escolha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-9057720144025260714?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/9057720144025260714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=9057720144025260714' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/9057720144025260714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/9057720144025260714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/04/embriagar-se-de-vida.html' title='EMBRIAGAR-SE DE VIDA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/See_nXfqT7I/AAAAAAAAAGY/8AI4MT3c7pg/s72-c/images%5B4%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-5870929051535272155</id><published>2009-04-11T07:51:00.010-03:00</published><updated>2009-04-15T19:13:27.334-03:00</updated><title type='text'>CICLÓPIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;ISAAC SANDES&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ciclópia era uma pequenina cidade estado que dispunha, até certo ponto, de uma privilegiada posição política econômica e geográfica no contexto geral da grande pátria denominada Hipnópolis.&lt;br /&gt;À duras penas, conquistara um certo grau de democracia que causava alguma inveja à suas irmãs e vizinhas populações. Democracia esta que seus habitantes envergavam com certo ar de altivez e superioridade. Afinal de contas poucas pequenas cidades haviam conquistado, em toda a continental Hipnópolis, tal aperfeiçoamento em suas instituições, poucas tinham, como Ciclópia, tantas eleições para tantos cargos e posições. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como seus ancestrais fundadores, os moradores de Ciclópia nunca deixaram de cultuar o antigo hábito de dividir sua comunidade em castas; a dos antigos e a dos modernos. Na maioria das vezes, nos debates políticos os antigos eram jocosamente chamados de ultrapassados e engessados nas teias do tempo, por aqueles modernos mais afoitos, em contrapartida, os antigos, às vezes, colavam nos modernos rótulos de imaturos e inexperientes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A grande dificuldade para os governantes de Ciclópia, nos últimos séculos, passou a ser, não de ordem material, mas sim administrar o ego de seus concidadãos, pois, paradoxalmente, tais egos estavam sendo afetados por um mal totalmente inusitado que estava corroendo as bases das suas, outrora, pacíficas e construtivas amizades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Explica-se. Não que o exercício da democracia fosse danoso aos ciclopienses. Ao contrário. O exercício da democracia fez com que os ciclopienses se tornassem conhecidos como os mais engajados cidadãos da imensa nação de Hipnópolis . &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então como explicar-se o aparecimento de tão exdrúxula síndrome que estava corroendo as entranhas da comunidade ciclopiense.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após intensa e demorada pesquisa o grupo de estudos, composto por psicólogos que foram nomeados para tal, apresentou a toda comunidade, o mecanismo da cruel mecânica que engendrava e disparava a inusitada síndrome entre os cidadãos de Ciclópia.&lt;br /&gt;Após várias sessões de análise a que submeteram os mais diversos grupos de Ciclopienses, os estudiosos da psique humana concluíram que tais cidadãos eram portadores de uma raríssima e nunca antes catalogada síndrome: A síndrome da urna recorrente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em seus exaustivos estudos e pesquisas, o grupo de trabalho descobriu que, no exercício febril da democracia, os ciclopienses estavam passando pelo estresse das eleições até três vezes em um único ano. E que, em razão do amplo geral e irrestrito debate democrático, várias feridas que calavam fundo na ética na moral e na vida pessoal de cada um dos cidadãos, eram abertas por ocasião de cada certame. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pior, verificou-se mais, a recorrência e proximidade dos pleitos que, quase se atropelavam naquela comunidade, não permitiam que nenhuma ferida anterior cicatrizasse e já, em seguida, novas cutiladas que punham a carne já exposta em estado lastimável e a alma de cada um em verdadeiro estado de guerra. Tantas eram as agressões mútuas provocadas pela recorrência das urnas que, como numa mesa de comensais, se cada um adivinhasse o pensamento do outro, aquele encontro terminaria como um encontro de canibais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dentre as descobertas feitas pelo grupo de estudos, que culminaram no diagnóstico da síndrome da urna recorrente, uma chamou a atenção pelo que continha de inusitada e insidiosa. Descobriu-se que no último pleito, um dos candidatos tendo concluído um curso intensivo de aprendiz de feiticeiro com o mundialmente conhecido Bruxo Gargamel, numa espécie de exibicionismo para o seu amado mestre, por ocasião da elaboração de seu TCC, criou e distribuiu entre seus acólitos e eleitores, um espelho mágico que tinha o perverso poder de distorcer a imagem de suas personalidades. Ao se confrontarem com o dito espelho, medíocres se enxergavam capazes, iníquos se viam como indispensáveis, infiéis como escudeiros, traidores como leais e chacais se viam como verdadeiros cordeiros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passado o pleito, o encanto e o espelho se quebraram e todos retomaram suas verdadeiras personas, fato que, por sua agudeza, disparou o gatilho biológico de algo que já vinha se desenvolvendo há bastante tempo no interior de cada um dos cidadãos ciclopienses: A síndrome da urna recorrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Sandes&lt;br /&gt;Maceió. 10/04/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-5870929051535272155?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/5870929051535272155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=5870929051535272155' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5870929051535272155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5870929051535272155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/04/ciclopia.html' title='CICLÓPIA'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-561402475510507859</id><published>2009-04-09T17:49:00.006-03:00</published><updated>2009-04-20T16:05:42.851-03:00</updated><title type='text'>A DIVINA EMBRIAGUEZ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;COARACY FONSECA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um provérbio escocês que diz: “desconfie do homem que não bebe”. É bem verdade que a Escócia produz um dos melhores destilados do mundo, do qual sou um moderado apreciador, porém, a máxima vai além da conotação jocosa, e desafia certa especulação filosófica, de mesa de bar. Não irei falar sobre os grandes malefícios que o álcool tem causado à saúde pública, a exigir vigilância permanente das autoridades e das famílias, pois tudo em excesso, mesmo o remédio, transmuda-se em veneno. O comedimento deve plasmar a conduta humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exagero à parte, quem não bebe, de fato, vive na sombra, encastela-se numa arrogante racionalidade, e não permite nem a si, nem ao outro, perscrutar as entranhas do seu ser, os recônditos da alma, onde, muito amiúde, habitam fantasmas, demônios e também a energia criadora da beleza, que faz bem. O que seria deste mundo sem as belas-artes, além da música e da poesia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chamada mente racional é apenas um equipamento, utilíssimo, diga-se de passagem, para a sobrevivência na selva que, pelo seu próprio engenho, transformou-se em pedra. Porém, como pintou, com tinta de ouro, o gênio de Victor Hugo, após alguns goles de vinho: “A realidade é a alma. O verdadeiro homem é o que está debaixo do homem”. A criatura humana, se pudéssemos vê-la como realmente é, ao revés de homem ou mulher, mostrar-se-ia um pássaro de cantar mavioso, uma águia, um colibri, uma flor, um corcel ou um chacal sedento de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A embriaguez é o reencontro com o mundo ancestral, o mundo dos instintos, sem qualificações éticas; o mundo dos sentidos, sem a craveira do senso moral. Por isso, antes de chamar alguém de amigo, ou de permitir-lhe a entrada no lar, leve-o a um templo de Baco – sem está ao volante, é claro –, embriague-se e embriague-o, como nos rituais da antiguidade e, certamente, emergirá do fundo d’alma a natureza animal do conviva, já montado na ema, a desvelar o seu verdadeiro ser, “o homem que está por debaixo do homem”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso, escreveu Dostoiévski, em clássico universal: “Entre os russos, em todas as partes se acolhe o bêbado com certa simpatia; no presídio quase lhes prestavam homenagem. Havia qualquer coisa de aristocrático na bebedeira dos presidiários. Assim que se embebedava, o preso começava logo a exigir música. Havia no presídio um polaco desertor, muito repugnante, mas que tocava violino, possuindo um que era mesmo seu e representava toda a sua fortuna”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito meditar, inferi que a embriaguez não pode ser banalizada, por ser divina, e como não ando a cata de novas amizades, passei a respeitá-la como um genuíno ritual, por isso, só me embriago em templos seletos, com amigos verdadeiros, cujos instintos e sentidos já foram aprovados no teste do vinho, e não deixo jamais, ao alfim da festa, empós vários brindes – as libações modernas – de dançar ao som de Zorba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, desconfie sempre do homem que não bebe, porém, jamais deixe de ter com ele relações fraternas, afinal, somos seres civilizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coaracy Fonseca&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-561402475510507859?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/561402475510507859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=561402475510507859' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/561402475510507859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/561402475510507859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/04/divina-embriagueza.html' title='A DIVINA EMBRIAGUEZ'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4822556980250701067</id><published>2009-04-05T17:52:00.011-03:00</published><updated>2009-04-16T10:49:02.700-03:00</updated><title type='text'>OS ESCRAVOS MODERNOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;O que é ser livre? Neste artigo, o colega Coaracy Fonseca analisa as raízes da servidão e nos mostra que a liberdade de expressão é um poderoso instrumento de combate à tirania do espírito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;COARACY FONSECA &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;‘Todos nós descendemos de escravos, ou quase escravos. Nossas autobiografias, caso retrocedessem o suficiente, começariam por explicar de que forma nossos ancestrais chegaram a ser mais ou menos escravizados, e até que grau nós nos libertamos dessa herança”. Com esta frase, Theodore Zeldin, eminente historiador de Oxford, inicia o seu agudo estudo de caso, encartado em livro, sobre os reflexos inconscientes da escravidão no mundo moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaca o autor, que no passado os serem humanos tornavam-se escravos por três motivos: a) o medo, não queriam morrer, por maiores sofrimentos que lhes causasse a vida; b) voluntariamente, mesmo esmagados pela depressão, para escaparem às responsabilidades; b) o terceiro tipo de escravo foi o ancestral do ambicioso executivo e burocrata de hoje. Homens livres se recusavam a trabalhar para outros, por isso, se recusavam a ser escravos do imperador, que inaugurou, então, o serviço civil que utilizava escravos. Os impérios otomano e chinês foram, afirma o autor, frequentemente mantidos por escravos comuns, que ascendiam aos mais altos postos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil exorcizar os fantasmas do passado, encarcerados em nosso inconsciente. Ser livre significa romper, dentre outras, a barreira do medo, tomar para si as responsabilidades e encarar o trabalho como uma dimensão da própria humanidade e, deste modo, buscar sempre a valorização - que não se confunde com o exibicionismo - não raras vezes, revelador da baixa auto-estima-, e ter a cidadania, sobretudo, respeitada pelo gestor da organização. É ter consciência de que o “chefe” não é o imperador, mas um outro trabalhador com funções definidas, além das quais resvala no arbítrio e abuso de poder, num verdadeiro assédio moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inúmeras corporações são prenhes de escravos modernos. O medo da perseguição, manifesta ou velada, do corte de vantagens pecuniárias ou da atribuição de mais trabalho, transformam alguns indivíduos em elementos servis, complacentes, em verdadeiros cordeiros apascentados pelo filho de Posidão, o ciclope Polifemo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa é da memória genética, dizem os doutos. O medo transforma indivíduos, inclusive, em bobos da corte, bajuladores – escravos da mais alta periculosidade -, e espiões do grande rei. Quanto aos bajuladores, Pierre Maréchaux legou-se interessante abordagem: ”ele trabalha, tal como oculista astuto, na esfera dos espelhos deformantes e no mundo dos reflexos falsos. Um rei que cantarola se torna um Apolo, um potentado que se embriaga é feito deus das vinhas, um príncipe na palestra tem tudo de um Hércules”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, de minha parte, procuro ser vigilante aos impulsos ancestrais, e escapar da armadilha tão bem exposta por Theodore Zeldin, na seguinte passagem: “A inveja cegava-os para o sofrimento comum. Nas fazendas americanas era possível encontrar escravos africanos chicoteando outros escravos africanos. Em outras palavras, uma vez estabelecida uma instituição, mesmo os que dela padecem encontram maneiras, por mais sutis, de explorá-la, e assim ajudam-na a sobreviver”. Demais disso, não me sai da cabeça a frase de Publilius, um escravo sírio: “O cúmulo da miséria consiste em depender da vontade de outrem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva o Império das Leis e da Consciência! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4822556980250701067?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4822556980250701067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4822556980250701067' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4822556980250701067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4822556980250701067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/04/os-escravos-modernos.html' title='OS ESCRAVOS MODERNOS'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-4294409493177453785</id><published>2009-03-22T23:02:00.029-03:00</published><updated>2009-04-20T09:53:29.750-03:00</updated><title type='text'>ROTEIRO SENTIMENTAL DA CIDADE DE PENEDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SccAbD7VGBI/AAAAAAAAAFg/1YlPvSJzXnk/s1600-h/PENEDO+2009+048.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316218350044780562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SccAbD7VGBI/AAAAAAAAAFg/1YlPvSJzXnk/s200/PENEDO+2009+048.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; &lt;span style="color:#000099;"&gt;GEORGE SARMENTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da varanda do hotel contemplo a placidez do Velho Chico. O vento quente, seco, voraz, afogueia o espírito e atiça a fome. Um bando de garças corta o verde-esmeralda, enquanto os barcos preguiçosamente singram as águas cálidas e silenciosas. Contemplo a bela paisagem através das torres da Igreja Nossa Senhora das Correntes, construída no século XVIII por uma família simpatizante da causa abolicionista, e que hoje é uma jóia do barroco colonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que rio democrático, o São Francisco! Acolhe a todos sem distinção – a imponente balsa da Empresa Fluvial Tupan que faz a travessia para Neópolis, em Sergipe; os barcos coloridos, que levam os passageiros para cidades ribeirinhas em troca de uns poucos reais; as prosaicas canoas de pesca, típicas da região, conduzidas por orgulhosos e destemidos remadores. Suas margens generosas abrigam delicadamente os casais apaixonados que se beijam sob o sol a pino, bêbados que fazem discursos inflamados contra inimigos imaginários, comerciantes anônimos que, aos gritos, tentam atrair os poucos clientes que se aventuram a sair de casa naquela hora do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meus devaneios, fico imaginando a chegada de Duarte Coelho, em 1522, para fundar uma povoação que lhe assegurasse os domínios de sua capitania hereditária contra os corsários franceses que infestavam a região em busca do precioso pau-brasil. Olho para frente e chego ao ano de 1637. Vejo os holandeses invadirem a vila, derrubarem as resistências militares e construírem um inexpugnável forte no alto do rochedo, de onde se tinha uma vista inebriante. Conta-se que Maurício de Nassau morou ali por algum tempo só voltando para Olinda em razão do impaludismo que lhe minava a saúde. Ainda hoje, arqueólogos de diversas universidades brasileiras tentam encontrar as fundações do famoso forte, provavelmente fincadas abaixo dos prédios públicos e casarões aristocráticos que circundam a prefeitura da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A procura do legado holandês me faz lembrar um episódio familiar, narrado por parentes idosos, que mexeu muito com minha imaginação infantil. Na década de 30, meu avô paterno era um rico fazendeiro lá para as bandas de União dos Palmares. Um belo dia, uns gringos chegaram em suas terras com mapas, aparelhos de prospecção e uma conversa bonita. Disseram-lhe que holandeses em fuga haviam enterrado um baú contendo milhares de florins de ouro. Se os cálculos estivessem certos, o tesouro seria encontrado e ele ficaria com a metade da fortuna. Dinheiro suficiente para cinco gerações viverem confortavelmente. Desviaram o curso do rio e iniciaram as escavações. Os jornais deram grande destaque ao inusitado acontecimento. Os coronéis da região passavam os dias acompanhando os trabalhos na esperança de testemunhar a grande descoberta. Meu avô, por sua vez, embriagado com a repentina notoriedade, começou a gastar por conta. Contraiu empréstimos bancários, contratou os melhores alfaiates, reformou a casa-grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa madrugada chuvosa, a barragem cedeu e o rio retomou seu curso. Foi nessa fatídica noite que ele ficou sabendo que os gringos desapareceram sem deixar rastros, a não ser suas sementes no ventre de duas cablocas do engenho. Completamente falido e alvo de comentários jocosos, mergulhou em profunda depressão, da qual jamais se recuperou. Resultado: fiquei privado para sempre das preciosas moedas de ouro que passariam para mim como quinhão hereditário. Até hoje fico a me perguntar se os florins foram encontrados pelos espertalhões ou se tudo não passou de uma aventura malograda de exploradores inexperientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim de tarde se aproxima. Como é lindo o pôr do sol e o reflexo dos seus raios tingindo as águas do rio de tons avermelhados! Estou em Penedo na condição de padrinho da primeira turma de bacharéis em Direito da Fundação Raimundo Marinho. Fui um dos responsáveis pela autorização do curso e pela implantação do escritório de prática jurídica, que presta assistência gratuita à população carente. Isso me valeu o convite e o honroso título honorífico. A cerimônia acontece no Teatro 7 de setembro, projetado pelo arquiteto Luiz Lucariny e construído em 1884. O teatro não é grande. Mas é aconchegante, charmoso e está em bom estado de conservação. Perfeito para uma noite de gala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penedo é uma cidade de muitos encantos. Os monumentos devem ser visitados sem pressa. Vale a pena conhecer o oratório da forca, construído em 1769 para abrigar os condenados na última noite de suas vidas. Ali o escravo fujão, o ladrão de gado ou o homicida ficavam em oração à espera do enforcamento, repetindo desconhecidas palavras em latim extraídas do breviário de um jesuíta piedoso . Pediam perdão pelos pecados não cometidos, pela vida miserável que levaram, pela liberdade que lhes foi negada, pela viúva e filhos que ficariam desamparados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente fica a Casa da Aposentadoria, um suntuoso prédio construído por José de Mendonça Matos Moreira, em 1781, para abrigar os ouvidores-gerais em visita à cidade. No andar térreo funcionou uma cadeia onde os réus ficavam apinhados à espera de julgamento. O Ouvidor Mendonça é um ancestral longínquo sem o apetite sexual do qual eu não estaria escrevendo essa crônica. Além de ocupar o mais alto cargo da magistratura em Alagoas - representava a justiça real -, foi autor do principal inventário sobre as matas da província, texto que, ainda hoje, é referência para pesquisadores de todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tantas coisas boas de se ver em Penedo está o Convento dos Franciscanos e a Igreja Nossa Senhora dos Anjos, construídos no mais puro estilo barroco e rococó. 2009 é um ano especial para a Ordem, que comemora 350 anos de presença na cidade. A exposição de cartazes descreve a trajetória dos frades na evangelização dos fiéis, na formação de sacerdotes e na pregação dos ensinamentos de Francisco de Assis. Passear pelos corredores do convento é voltar no tempo e penetrar nos mistérios da vida monástica dedicada à contemplação e à caridade. As paredes já acolheram as vítimas da cólera de 1854 e os desabrigados da grande enchente de 1919. Já foram escola e até prisão. Até mesmo o Imperador D. Pedro II assistiu a Te-Deum celebrado em sua homenagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gastronomia é outra grande atração de Penedo. Quando a fome bate, nada melhor do que correr para o Bar do Jorjão para comer uma boa pituzada ao coco. O proprietário nos recebe com um sorriso franco e nos oferece o que há de melhor em sua casa. Coloca uma mesa na calçada, de frente para a Igreja Nossa Senhora dos Rosários dos Negros, e nos serve um verdadeiro banquete. Também há outros restaurantes interessantes como a Rocheira, cujo plat de résistance é o jacaré ensopado, ou o Forte Maurício de Nassau, que oferece uma esplêndida vista do Rio São Francisco e um cardápio de excelente qualidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se você chega a Penedo com o espírito contemplativo, com o desejo de conhecer a essência do seu povo e a força de sua história, não vai se arrepender. É o lugar ideal para alegrar a alma, dar vazão aos sonhos e aproveitar o melhor da vida. O negócio é se deixar levar pelo encanto das ruas, pelo misticismo das igrejas, pela imponência dos casarões coloniais. Pouco a pouco a cidade abrirá os braços e mostrará a você os seus segredos mais íntimos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-4294409493177453785?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/4294409493177453785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=4294409493177453785' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4294409493177453785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/4294409493177453785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/03/roteiro-sentimental-da-cidade-de-penedo.html' title='ROTEIRO SENTIMENTAL DA CIDADE DE PENEDO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/SccAbD7VGBI/AAAAAAAAAFg/1YlPvSJzXnk/s72-c/PENEDO+2009+048.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-2891825189991284283</id><published>2009-03-22T20:21:00.013-03:00</published><updated>2009-03-22T20:55:07.730-03:00</updated><title type='text'>A CRISE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;ISAAC SANDES &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Recebo um conto do amigo Isaac Sandes, mais irreverente e engraçado do que nunca. Nosso Nelson Rodrigues caeté tem a fleuma dos grandes cronistas do cotidiano e sabe explorar como ninguém situações inusitadas como a crise dos 50. Vale à pena conferir! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele era amargo como o fel que sobe à boca do condenado em sua derradeira hora. Seu espírito de tão atormentado, parecia haver sido herdado de um suicida. Sua resmungante presença tornava o ambiente em torno dele tão carregado quanto o mormaço de uma tempestade prestes a desabar.&lt;br /&gt;O futuro? Ah, o futuro! Para ele, era visto como pelos olhos de um detento do holocausto.&lt;br /&gt;Quando se concentrava numa queixa, não havia quem o demovesse, nem tampouco quem o fizesse ouvir assunto diverso daquele escolhido para suas lamúrias diárias. Falava, falava e não se cansava de se repetir. Os assuntos tratados ao seu redor atravessavam-lhe a cabeça como um certeiro raio e perdiam-se no imenso vazio de sua teimosia.&lt;br /&gt;O ser e o ter dos outros lhe causavam pesado incômodo, e tudo o que via ou sabia deles era como alfinetadas nos seus olhos e punhaladas no seu irrequieto ego.&lt;br /&gt;Ser seu amigo era para poucos. Enfrentar sua proximidade comparava-se ao bombeiro que beira o perímetro das chamas, ou ao trapezista que faz suas exibições sem redes de segurança. A qualquer momento podia-se ser chamuscado por sua língua ferina ou podia-se desabar atingido por uma disparatada opinião ou imerecedor conceito.&lt;br /&gt;Apesar de tudo, amigos ele os tinha, poucos é verdade, mas verdadeiros, porque só mesmo amigos verdadeiros compreenderiam aquela atormentada alma.&lt;br /&gt;Seria ele um excluído? Seria ele um dos que engrossam a horda de desempregados? Seria ele portador de doença mortal incurável?&lt;br /&gt;NÃO !! Nada disto. Paradoxalmente, ele tinha um bom emprego, uma boa e equilibrada família, um futuro mais que garantido e, ao contrário dos amigos que sempre o confortavam, nunca teve a menor dificuldade financeira em sua vida.&lt;br /&gt;Qual seria então a fonte secreta de desgosto e rancor que alimentava, com farto jorro, tanto mau-humor e ressentimento?&lt;br /&gt;Só os poucos e próximos amigos podiam-na identificar. Seriam traumas de infância? Alguma experiência aterrorizante da adolescência? Abuso sexual na infância?&lt;br /&gt;De repente a surpresa!!! Simples. Muito Simples. Toda aquela frustração, todo aquele rancor, todos os ressentimentos, tinham uma origem única e insuspeita que, repito, só os poucos e altruístas amigos podiam identificar.&lt;br /&gt;ELE NUNCA HAVIA COMIDO NINGUÉM fora da sacrossanta união conjugal!&lt;br /&gt;Ao se olhar no espelho, já via o passo célere do tempo o alcançar com meio século de existência, marca que julgava fatal e intransponível para o ofício da sacanagem.&lt;br /&gt;Sentia seus níveis de testosterona desabarem e, nada, nada de uma comidinha extra. Tal fato o angustiava e gerava, no seu interior, tanto desespero e tanto ressentimento. Sentimentos menores da humanidade eram revolvidos no recôndito de sua alma e afloravam em jorros naquela personalidade rabugenta como sulfurosas erupções vulcânicas.&lt;br /&gt;Tal conjunto de secretas frustrações deixava aos não próximos e desavisados a falsa impressão de tratar-se de pessoa má, quando em verdade não o era, era sim a incauta vítima de um pânico gerado pela frustrante e iminente sensação de que iria passar sua vida, sua irreprisável vida, virgem nos profanos domínios da sacanagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-2891825189991284283?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/2891825189991284283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=2891825189991284283' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2891825189991284283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/2891825189991284283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/03/crise.html' title='A CRISE'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-5987490500197936442</id><published>2009-03-14T18:48:00.004-03:00</published><updated>2009-03-15T21:19:23.356-03:00</updated><title type='text'>CARTA DE UM JOVEM DOUTORANDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Amigos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Na postagem anterior, abordei a oferta de doutorados em universidades sul-americanas de pouca expressão científica, cujos diplomas jamais serão reconhecidos no Brasil. Recebi vários testemunhos de vítimas que se deixaram enganar por espertalhões. O fato tem deixado muitos estudantes brasileiros revoltados com as facilidades prometidas por essas instituições, sedentas em atrair os incautos. Registro abaixo o pronunciamento do Davy Sales, mestre em antropologia e aspirante a um doutorado sério, reconhecido pela CAPES/CNPQ. Vejam como é justa sua revolta contra a tentativa de banalização da pós-graduação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Recomendo a todos a leitura do Parecer 106/2007, do Conselho Nacional de Educação:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;a href="http://74.125.47.132/search?q=cache:d5MTwkPB9NwJ:portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/2007/pces106_07.pdf+PARECER+CNE+106&amp;amp;cd=1&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;ct=clnk&amp;amp;gl=br"&gt;http://74.125.47.132/search?q=cache:d5MTwkPB9NwJ:portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/2007/pces106_07.pdf+PARECER+CNE+106&amp;amp;cd=1&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;ct=clnk&amp;amp;gl=br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olá!&lt;br /&gt;Sou Davy Sales, ensino sociologia e antropologia em faculdades privadas em Arapiraca. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFAL e mestre em Antropologia pela UFPE. Estou há pelo menos um ano revisando toda a literatura antropológica que cruza com meu interesse para desenvolver meu projeto de doutoramento. E vejo que o doutorado não é uma brincadeira, ou é uma brincadeira para poucos...&lt;br /&gt;Nestas últimas semanas fiquei sem palavras quando colegas bachareis em Direito estão, assim, sem problemas, cursando um DOUTORADO em direito na UBA (Argentina).&lt;br /&gt;Confesso que senti um desânimo de tantas noites não dormidas para fazer a dissertação e defendê-la a uma banca muito rigorosa de doutores. E fui aprovado.&lt;br /&gt;Agora bacharéis sem tato algum para lidar com a teoria social estão desenvolvendo teses... Bom, eu não compreendo isso. Tenho dificuldades de entender que tipo de tese um bacharel em direito pode oferecer ao campo jurídico, porque não passaram por um mestrado então nem sabem o que é a pesquisa e a teoria dos seus campos.&lt;br /&gt;Esses doutoramentos (tipo faça segundo grau em 48 horas) é uma desmoralização à academia brasileira. Como está bem colocado em seu blog, a pós-graduação brasileira está bem amparada por cientistas comprometidos. Agora que vejo todos eles alegres e sorridentes, indo para o doutorado argentino, fico aqui querendo entender porque quando vamos tentar o doutorado no Brasil somos testados, com provas de conhecimentos, exige-se alguma publicação em revistas acadêmicas, uma carreira razoável na academia, conhecimento teórico do campo, línguas estrangeiras e um projeto bem escrito.&lt;br /&gt;Para mim, a confusão é confundir nosso doutorado com um arremedo argentino. Se o Direito não tem tradição em pesquisa acadêmica, imagine-se a qualidade de doutores de teses apressadas. Diz-se que as associações de magistrados estão fazendo acordo com universidades do mercosul, só não entendo porque esse acordo não são feitos com as universidades brasileiras. Uma pista é porque aqui estamos fabricando uma ciência de qualidade e crítica, sem espaço para o parque de diversões de bacharéis feito doutores da noite pro dia.&lt;br /&gt;Agradeço sua análise sobre esse caso em seu blog e espero que os advogados atentem para a desqualificação de suas credenciais quando observarem que seu doutorado é antes um atalho contra a crítica e a ciência do campo jurídico.&lt;br /&gt;Atenciosamente,&lt;br /&gt;Davy.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3496723381062482562-5987490500197936442?l=blogdogeorgesarmento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/feeds/5987490500197936442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3496723381062482562&amp;postID=5987490500197936442' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5987490500197936442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3496723381062482562/posts/default/5987490500197936442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdogeorgesarmento.blogspot.com/2009/03/carta-de-um-jovem-doutorando.html' title='CARTA DE UM JOVEM DOUTORANDO'/><author><name>GEORGE SARMENTO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15943133317633366632</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-zP_hL9Zj5k/Smm2qn-cubI/AAAAAAAAAJU/Q6saO4AgDr4/S220/DSC09946.JPG'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3496723381062482562.post-927723244335034810</id><published>2009-03-11T10:53:00.015-03:00</published><updated>2009-03-13T19:20:23.058-03:00</updated><title type='text'>FACILIDADES NO DOUTORADO? NÃO CUSTA NADA AVISAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É inacreditável como o brasileiro é crédulo. Crédulo e ingênuo. A isca perfeita para a ação dos espertalhões. Ontem encontrei um ex-aluno no shopping center. Estava entusiasmadíssimo. Seus olhos brilhavam. Brilhavam não, faiscavam de tanta alegria. Perguntei-lhe a razão de tamanha felicidade. Havia acertado a mega-sena? Encontrara o amor de sua vida? Fora nomeado para um importante cargo público?&lt;br /&gt;Nada disso. Nosso amigo fora admitido no doutorado de uma universidade uruguaia. Diante da minha surpresa, deu uma risadinha marota e piscou os olhos. “Uma barbada!”, disse ele, senhor da situação.&lt;br /&gt;– A coisa é simples, professor. Basta o diploma de graduação em Direito. Não há exame de conhecimentos jurídicos nem prova de língua estrangeira. A única exigência é freqüentar as aulas um mês por ano e fazer os deveres de casa. Depois de 3 anos, pimba! Defendo a tese (que pode ser redigida por um ghost writer) e estarei apto a ensinar nas mais reputadas universidades brasileiras!&lt;br /&gt;Ainda perplexo, perguntei:&lt;br /&gt;– E o curso é reconhecido no Brasil?&lt;br /&gt;– Claro, professor! Os responsáveis informaram que o Tratado de Assunção garante o reconhecimento automático. E nem é preciso saber espanhol. Viva o MERCOSUL! E antes que eu pudesse dizer alguma coisa, despediu-se e perdeu-se entre os consumidores que lotavam as liquidações no Iguatemi!&lt;br /&gt;Ainda perplexo, comecei a refletir sobre o caso. O Brasil tem rigorosas regras de pós-graduação. Sou coordenador do mestrado em direito da UFAL. O curso é frequentemente fiscalizado pela CAPES e CNPQ e por outros órgãos do Governo Federal. Itens como a carga horária, aquisição de livros e revistas especializados, produção científica dos professores, qualidade das dissertações e organização de grupos de pesquisa são exigidos de forma implacável pelas auditorias comandadas por renomados juristas.&lt;br /&gt;Em 20 anos de carreira, nunca vi um aluno ser admitido no doutorado sem antes ter, pelo menos, cursado as disciplinas do mestrado. O conhecimento de, pelo menos, 2 línguas estrangeiras é pré-requisito de admissão em todas as seleções.&lt;br /&gt;Obscuras universidades estrangeiras têm oferecido cursos de doutorado sem observar nenhuma das exigências previstas na legislação brasileira. Os alunos são at
